27 de abr. de 2026






Diane sempre sonhou com pouco: um marido, dois filhos, um trabalho que lhe fizesse sentido — mais do que jamais se permitiu desejar. Mas, no dia em que Seb a deixa, seu mundo desaba. Entorpecida pela dor, ela não percebe o outro silêncio que cresce ao seu redor: no quarto em frente, o riso de Lou se apaga.

Aos dezesseis anos, Lou sofre o tumulto da adolescência e o impacto do primeiro amor perdido, uma perda que lhe arranca mais do que lágrimas. Quando Diane finalmente se dá conta, está disposta a tudo para resgatar a filha, mesmo que isso signifique revisitar um passado do qual tentou escapar.

Mãe e filha caminham sobre um fio tênue, entre o que foi e o que pode ser. Sob seus passos, o turbilhão da vida ruge, e ameaça arrastar consigo as suas horas mais frágeis.

Sinopse da editora

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"Acho que é parte do pacote. Nasci com o kit "sentir tudo mais forte". A tristeza, a alegria, mas também os sons e a dor física. Tenho sentidos de super-herói. Ouço o menor barulho e fico presa dentro dele. Sempre abaixo o volume da música ambiente e me sinto perdida quando várias conversas estão rolando ao mesmo tempo. Sou capaz de matar alguém mastigando de boca aberta perto do meu ouvido. Barulho de motor me impede de dormir. Em casa, à noite, uso protetores auriculares para não ouvir a vida dos vizinhos. Aqui, descobri o silêncio. Também sou sensível à luz. Uso óculos de sol, senão meus olhos ardem. Filmes em 3D  me deixam enjoada e alguns jogos de vídeo game me causam vertigem."





Mais um livro de Virginie Grimaldi finalizado, sempre suspirando com o tamanho da delicadeza que essa mulher tem de contar histórias, que te prendem do começo ao fim, cada livro a sua maneira, cada história de um jeito que te toca em um lugar diferente.

As horas frágeis vem de um lugar muito importante na vida da autora: ela conta que todos os sentimentos, os barulhos do mundo altos demais escutados por Lou fizeram parte também da sua realidade na juventude. Eu sei bem como é esse volume, e ele foge totalmente do nosso controle em regular a intensidade dentro da gente.

E justamente por me identificar muito com o tema que senti falta de algo. Um aprofundamento melhor dos personagens, seja da protagonista, seja dos coadjuvantes que cercaram a Lou em grande parte da história.

Achei o livro meio corrido - não senti que as histórias da Diane e da Lou foram construídas de maneira convincente. Senti falta de ter mais conexão com as personagens: de conhecer mais a fundo a personalidade da Diane e o processo de terapia da Lou de maneira mais detalhada. Se a autora tivesse se aprofundado no processo terapeutico de Lou, o livro teria um acolhimento ainda maior para quem se identifica com a personagem. Sei que isso exige estudo com profissionais qualificados, mas seria uma coisa que Virginie tiraria de letra. 

Queria ter visto mais na juventude da Diane. Senti que a autora ficou preocupada demais em construir o plot, e por isso foi necessário esconder muitas coisas que não entregasse a surpresa que ela queria entregar. Mas o foco na narrativa deixou o enredo um pouco precário, e é justamente aqui que jogo a culpa por não ter me conectado com ela.

A Lou também merecia um tempo a mais de contato com seus novos amigos para justificar tamanho apego. Podemos encarar a identificação dela com os outros como a justificativa para esta conexão instantânea, mas, para mim, não foi trabalhada o suficiente para me convencer. 

Enfim, eu gostei, mas não amei. Esse é o único livro da autora que não dei 5 estrelas (mas dei 4).




9 de abr. de 2026

 


Depois do arrebatador "Se deus me chamar não vou", Mariana retoma seu jorro neurótico, humano e delicioso contando agora a história da septuagenária Aurora, encontrada desmemoriada e descalça na beira da estrada e procurando por uma certa Camila. Para uma amnésica, Aurora recorda-se de muito: da mãe que escovava seus cabelos até parecerem "uma peruca eletrizada"; do seu ato falho trágico religioso, de quando rezava na infância e dizia "agora é a hora da nossa morte amém"; dos anos em que deu aula de português em uma escola de riquinhos; da sua covardia perante a ditadura militar: "este país insiste que temos de arriscar a nossa própria vida, parece que esquece que tudo que temos é essa miséria da própria vida"; de um carnaval em que tentou perder a virgindade com um jovem brocha vestido de bebê; de um amante midiático que falava um português impecável, mas também sabia beber e socializar em boteco vagabundo e, sobretudo, das muitas mortes da filha Camila, sempre alternadas com momentos solares na companhia da melhor amiga de infância: "Camila ficou sendo minha melhor amiga desde o momento que olhou pra trás e perguntou se encharcado era com ch ou x". Seriam essas lembranças reais ou ela decorou dos muitos livros que leu, protegida, dentro de casa, dos infinitos perigos que existem lá fora? Camila, afinal, é a filha morta (que morreu de suicídio, de picada de escorpião, de acidente na estrada, de atropelamento de boi, de comida muito quente na cabeça, de fungo de pombo, de queda de coco, de cambalhota ou pirueta entre duas camas) ou a bela amiga – "muito melhor do que ser a mulher bonita é ser a amiga dela, a quem ninguém lembrará de examinar como envelheceram as coxas ou os joelhos, e que pode acompanhar com doçura os caminhos da decrepitude…"? Poderia uma mãe, tão obsessiva com a finitude humana e tão obliterada pela possibilidade da morte de uma filha ("não se pega o bebê minúsculo sem tatear com os dedos os espaços vagos, suspira-se a moleira, lamenta-se a lentidão geográfica das suas placas…") recordar qualquer coisa sobre a vida dela? Aurora não sabe sequer se teve mesmo um bebê. Pergunta-se, ao tocar a barriga, se alguma vez foi capaz de gerar um filho ali dentro, "não ter um filho é praticamente certificar-se da ausência de tragédias". Aqui a morte é temida, repetida, imaginada, exagerada, esmiuçada e listada de tantas formas que é quase possível rir dela ou- eu acredito que Mariana tenha conseguido esse feito- vencê-la.

Sinopse da editora

"quando ouvia adultos rezando eu me detinha particularmente na passagem que eu escutava errado, Agora é a hora de nossa morte amém, por isso eu tinha tanto medo que rezassem perto de mim"

 

Quando peguei este livro para ler logo após a leitura de Elena sabe, eu não imaginava que estava emendando dois livros com a mesma premissa: ambos mostram a realidade de uma pessoa idosa enfrentando uma doença degenerativa. Mas a diferença da escrita de Mariana Salomão Carrara é gritante - é o que chamamos hoje de alguém que não pesa o clima.

Não que o tema não deva ter clima pesado - não faz nem sentido esperar algo desse tipo - mas é importante frisar que a nossa autora brasileira tem um relacionamento diferente com as palavras, a ponto de transformar a narrativa em algo mais gentil, e consequentemente, faz com que o leitor tenha vontade de devorar mais rapidamente o livro.

Por ter sentido uma densidade muito forte em Elena sabe, infelizmente eu demorei mais para ler "é sempre a hora da nossa morte amém" e isso não foi culpa do livro. Foi um pouco de ressaca com o baque que a leitura anterior promoveu em meus sentimentos somado também ao meu momento de vida (impossível de me concentrar por muito tempo em algo) que atrasou meu devoramento natural, e mesmo diante de uma temporada péssima minha como leitora, foi praticamente impossível não notar o quanto a autora, assim como fez em "se deus me chamar não vou", tem o dom de dar leveza ao que encaramos como tragédia.

Porque no final das contas, as pessoas que levam exatamente o tipo de vida narrada nas histórias dela merecem isso: leveza.

Depois que Aurora é encontrada desnorteada na beira da estrada procurando por Camila, ela é levada para um abrigo e lá ela vai contar a sua história para Rosa, a assistente social que tem como missão encontrar a família de Aurora. A cada capítulo, a protagonista relata uma versão diferente de sua vida, sempre tendo os mesmos personagens: Antônio, o marido (ou ex), Camila, sua filha ou amiga, e os cachorros Perdoai e Ofendido. Em cada capítulo sua filha morre de algo diferente, memórias de sua amiga reacendem, mas a frustração em seu casamento sempre se faz presente. E cada vez mais que Aurora se força a lembrar, mais suas lembranças se tornam confusas - isso aconteceu mesmo? Qual versão dessas mortes é real? Existem duas Camilas ou só uma?

Ao fim nós descobrimos junto com Rosa a versão real da história de Aurora, mas não antes de passar por toda a tempestuosidade que suas memórias confusas causam em sua cabeça. E por mais que a leitura possa parecer subjetiva, a realidade é só uma - Mariana conta uma história através de Aurora justamente para que possamos mergulhar na realidade da protagonista, sentir na pele as dificuldades de sua confusão, enquanto a gente se dá conta que a tragédia é sofrida por quem cerca Aurora, e nem tanto por ela mesma.

Essa coisa que eu jamais vou compreender que é abreviar de propósito aquilo que já quase não dura, e que me é tão custoso manter.

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Outros livros que li da autora


Resenha em vídeo:


17 de fev. de 2026

 



Uma obra única que entrelaça uma pitada de romance policial com histórias íntimas de moralidade e da busca pela liberdade individual. Pouco depois de Rita aparecer morta na igreja que costumava frequentar, a investigação do que teria ocorrido se dá por encerrada. Sua mãe Elena é a única que não desiste de esclarecer o crime. Mas, acometida pela doença de Parkinson, seu tempo é contado em comprimidos, sendo a menos indicada a encabeçar a busca por um assassino. Uma penosa viagem dos subúrbios à capital argentina e uma conversa reveladora guiam a trama deste finalista do International Booker Prize, um romance íntimo e crítico no qual o corpo feminino é o verdadeiro protagonista. Uma das principais vozes contemporâneas da Argentina, e a terceira autora mais traduzida do país, junto com Borges e Cortázar, Claudia Piñeiro expõe as facetas ocultas do autoritarismo e da hipocrisia que podem determinar os rumos de uma vida.

Sinopse da editora

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Eu terminei esse livro aos prantos e eu nem imaginava que ele tivesse tamanha sensibilidade mesmo escrito em palavras duras.

Elena sabe é um exercício de empatia com o leitor: conseguimos vestir o sapato do outro mesmo sabendo que essa pessoa é um ser humano difícil de lidar? O livro em si não é sobre a história de uma mãe em busca da verdade sobre a morte de sua filha - isso é somente um pano de fundo para nos mostrar todas as limitações de quem sofre de uma doença tão feroz como o parkinson e precisa se virar sozinha para fazer coisas que, pra quem é saudável, são tão simples que são até feitas por osmose.

É curioso como a autora escreve no mesmo ritmo de Elena: a imprecisão de quem sofre de parkinson, a lentidão de quem possui movimentos limitados, de como funciona a cabeça de uma pessoa que luta para não se esquecer de fazer coisas básicas, ao mesmo tempo que o fluxo de pensamento se atropela entre o que precisa ser feito com as lembranças de Rita.

Eu senti muita pena de Elena, não só pela sua doença, mas também por ter tido uma vida tão dura que justificava inclusive a sua desconfiança com tudo. A realidade é que é difícil esperar afeto de alguém que provavelmente sequer o recebeu um dia.

O livro foi adaptado para o audiovisual e está disponível na Netflix.


Meu video sobre o livro e o filme Elena sabe:


29 de jan. de 2026

 



Petra Rose já arrebatou multidões e dominou as listas de livros mais vendidos. Mas, após a reação devastadora a uma adaptação de uma de suas obras, ela perdeu tudo: credibilidade, público e até a vontade de escrever. O ódio viral da internet a transformou em alvo fácil, e cada página em branco é mais um lembrete de que sua carreira pode estar chegando ao fim.

Desesperada para se reerguer, Petra se refugia em uma cabana à beira de um lago, determinada a concluir o suspense que pode salvar sua vida profissional. Só que ela não vai ficar sozinha por muito tempo.

Nathaniel Saint, um detetive misterioso, surge com notícias perturbadoras ― o que desperta em Petra uma criatividade feroz, quase obsessiva. Conforme suas palavras ganham vida, a fronteira entre ficção e realidade começa a se dissolver. O personagem escrito por ela não apenas se assemelha demais com o homem que a inspira… como também parece estar assumindo o controle da história.

Cada conversa, cada toque, cada segredo compartilhado intensifica a conexão entre eles. Mas a inspiração tem um preço, e Petra logo percebe que o caos que trouxe de volta sua voz pode também destruí-la.

O que é real? O que é invenção? E até onde uma escritora está disposta a ir para recuperar a própria narrativa?

Sinopse da editora




É impressionante como a coho é uma sonsa. Antes de começar o livro ela suplica para o leitor não achar que a história é sobre ela, mas impossível não ser. Até a treta que rolou entre os atores de "É assim que acaba" aparece nesse livro. A entrevista durante a turnê dela, assim como o capitulo de meia hora da Petra em uma live são puros desabafos da autora - o que ela gostaria de ter ouvido quando estava no meio dessas polêmicas, as expectativas e anseios dela em relação aos seus leitores, e especialmente nesta parte final, o que ela realmente queria explicar e não teve culhão de fazer, então meteu tudo em um livro.

Teria sido muito mais honesto se ela não tivesse escrito esse prefácio, porque o problema não é ela usar a ficção para romantizar a versão dela dos fatos. O problema mesmo é que o público detesta gente sonsa. Logo, temos aí um lançamento com nota baíxissima nas principais plataformas de avaliação de livros, provando meu ponto.

Além desse livro ser exaustivo de ler, parecendo um cachorro correndo atrás do próprio rabo, o excesso de “contudo”, “no entanto” e “entretanto” dessa tradução é irritante demais. Se deixassem os inúmeros “but” que a autora coloca em sua escrita em inglês, acredito que ficaria menos notável (e irritante) a repetição.

A autora ao invés de se preocupar em criar toda essa conexão instantânea entre os personagens, se preocupou mais em desabafar suas dores, ai não deu pra comprar uma conexão que sequer foi construída.

Fora que a protagonista é uma pessoa pavorosa. Ela passa o livro todo fazendo merda e procurando um monte de desculpas para justificar cada atitude terrível que ela teve. No fim ela estava lá se lascando e a única reação que despertou em mim foi um sonoro “BEM FEITO”.

Enfim, esse livro é pavoroso. Acho que o pior da Colleen Hoover que eu já li na vida. E olha que ela tem muitos livros ruins, hein? Ela pegou um conto que escreveu para uma coletânea com outros autores em 2021 chamado One More Step e fez exatamente A MESMA COISA, mudando a Megan para Petra. Aí enfiou seus desabafos no meio e saiu essa bomba que eu não indico nem para meu inimigo.

Acho que essa foi a pá de cal que eu precisava para parar de ler de uma vez por todas essa autora.

Outros livros da Colleen Hoover que já resenhei (esse post envelheceu feito leite)

Compre Mulher em queda na Amazon (por sua conta em risco)

Falei mais sobre Mulher em queda em minhas redes sociais e também no meu canal do Youtube, neste video sobre as leituras de janeiro:


26 de jan. de 2026

 


Entre os dias 10 e 19 de novembro de 1919, Franz Kafka, insatisfeito com a fria recepção paterna diante do anúncio de seu noivado com Julie Wohryzek, escreveu ao pai, o comerciante judeu Hermann Kafka, uma longa carta – mais de cem páginas manuscritas. Kafka tinha então 36 anos, uma vida pessoal acanhada – nunca se casara ou constituíra família –, uma carreira mediana de funcionário burocrático e uma ambição literária ainda longe de estar realizada. Na carta, que nunca foi enviada ao destinatário original, Kafka põe a nu toda a sua mágoa em relação ao pai autoritário, que ele chama, alternadamente, de "tirano", de "regente", de "rei" e de "Deus". Além da carta fartamente anotada, a edição conta com um prefácio que explica fatos e circunstâncias relativas ao texto e à redação da carta, um glossário de expressões e nomes de pessoas citadas, uma cronologia biográfica de Kafka e a reprodução fac-símile de algumas páginas do documento.

Sinopse da editora


O título deste livro é bastante autoexplicativo, e entendendo que se trata de uma carta escrita ao pai do autor, e não um livro para nós leitores, fica mais fácil ainda se aprofundar em toda a densidade que Franz Kafka deposita nesse manuscrito. 

É um destrinchamento de toda mágoa cultivada ao pai ao longo de tantos anos, se sentindo incompreendido, não amado, invalidado, descredibilizado e desacreditado por meio de uma educação autoritária que o pai mantinha como sua principal fonte de comunicação não só com a sua família, mas também com seus funcionários.

É muito fácil também nós lembrarmos de alguém com as mesmas características do pai de Kafka: um avô, um pai, um tio, um pai de alguém... pessoas que fizeram parte de uma geração marcada por esse relacionamento nocivo que distanciou desnecessariamente pais e filhos por praticamente uma vida inteira. Uma geração que acreditava que o respeito dos filhos nascia envolto do medo, e as palavras de Kafka só demonstram o quanto este tipo de relacionamento não era saudável nem para quem somente presenciava.

Foi meu primeiro contato com a obra deste autor tão conceituado, e que já me avisaram que se faz necessário para entender inclusive todos os personagens criados por Franz ao longo de sua carreira, já que grande parte deles parecem ter sido inspirados nessa figura aterrorizante que seu pai exercia em sua vida.

Nota 5/5


Falei muito mais sobre o livro Carta ao pai em minhas redes sociais e também no meu canal no Youtube, no video leituras de janeiro:


13 de jan. de 2026

 



"Quem vai te contar essa história é uma criança de 11 anos. O olhar fresco e bem-humorado de quem ainda vê a vida como mistério está aqui, mas vá por mim: não subestime a solidão de Maria Carmem.

A aprendiz de escritora, enfrentando as angústias da "pior idade do universo", irá te provar que é possível, sim, que uma menina seja mais solitária do que um velho. Ao menos uma menina que, como ela, cresce e cria suas perguntas entre os objetos de uma "loja de velhos". Ali elas já nascem antigas, frescas e pesadas, doce feito da mais dura poesia. Maria Carmem nasceu no fim. Sendo assim, do que interessa a idade? Como ela mesma diz, "é possível que um lápis pareça estar novo, mas todo quebrado por dentro".

É assim, toda quebrada por dentro, que ela desconstrói o mundo diante de si, o mundo adulto que cria regras e não as obedece, o mundo escolar, tudo: "na aula de matemática o problema dizia que um menino e uma menina precisavam calcular quantas laranjas levar ao parque se os convidados meninos comiam tantas e as meninas só mais tantas cada uma.

E eu escrevi que não era pra levar nenhuma, que tudo é mentira, ninguém vai junto a parque nenhum nessa vida". É também assim que ela junta e faz pergunta e faz poesia com tudo o que se ergue e desmorona, os pais, deus, o amor, o corpo, a morte, o difícil que é entender o amor dos outros.

Quando crescer, Maria Carmem vai ser escritora. Mas Maria Carmem já cresceu e já é. Esse livro é uma generosidade de sua poesia. Uma oportunidade de a gente crescer com ela."

Sinopse da editora

Acho que vem daí a palavra solidão, pessoas tão sólidas que ninguém vem checar se estão desabando.


Que delicia de leitura! Fazia muito tempo que este livro estava na minha wishilist, e quando ele entrou no Kindle Unlimited senti que era o meu momento. E certamente entrou para a minha lista de favoritos do ano (em menos de um mês já tenho dois adicionados nessa lista!) porque não só é uma leitura empática, divertida e encantadora, como também me enxerguei em muitos dos desabafos de Carmen.

E tudo é encantador na escrita de Mariana Salomão Carrara: a forma como ela construiu essa criança de 11 anos, que esconde em seu humor a solidão que a acompanha, a metáfora da capa - uma menina em uma piscina para simbolizar o banho maria tão citado no livro, o fluxo de consciência da pequena narradora, a forma ingênua como ela aponta a hipocrisia dos adultos… tem tantas camadas deliciosas nesse livro, que descascar cada uma delas se torna uma atividade paralela à leitura. Parece aqueles testes psicológicos feitos para crianças para descobrir algo da vida delas nas entrelinhas, sabe?

É um livro que certamente eu vou panfletar incansavelmente para todo mundo, porque ele é leve, e aos mesmo tempo denso, poderoso e ao mesmo tempo simples. Uma leitura perfeita para qualquer momento da vida, que nos proporciona um olhar mais gentil para a nossa infância, para a nossa juventude e também para a nossa versão adulta.

Outros quotes deste livro que eu favoritei:

Será que o vaga-lume pisca de dor? Se eu pudesse brilhar de dor eu seria um escândalo.



Eu acho que família é um vaso muito rígido, se você dobrar ou esticar demais ou enfiar muita coisa dentro tudo quebra em um milhão de cacos. Família é um vaso que quebra até por excesso de flores.



– Não, Carmem, às vezes a gente é discreto porque os outros são errados.


Falei muito mais sobre o livro Se deus me chamar não vou em minhas redes sociais, e também neste meu vídeo do Youtube sobre as leituras de janeiro:


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