"Quem vai te contar essa história é uma criança de 11 anos. O olhar fresco e bem-humorado de quem ainda vê a vida como mistério está aqui, mas vá por mim: não subestime a solidão de Maria Carmem.
A aprendiz de escritora, enfrentando as angústias da "pior idade do universo", irá te provar que é possível, sim, que uma menina seja mais solitária do que um velho. Ao menos uma menina que, como ela, cresce e cria suas perguntas entre os objetos de uma "loja de velhos". Ali elas já nascem antigas, frescas e pesadas, doce feito da mais dura poesia. Maria Carmem nasceu no fim. Sendo assim, do que interessa a idade? Como ela mesma diz, "é possível que um lápis pareça estar novo, mas todo quebrado por dentro".
É assim, toda quebrada por dentro, que ela desconstrói o mundo diante de si, o mundo adulto que cria regras e não as obedece, o mundo escolar, tudo: "na aula de matemática o problema dizia que um menino e uma menina precisavam calcular quantas laranjas levar ao parque se os convidados meninos comiam tantas e as meninas só mais tantas cada uma.
E eu escrevi que não era pra levar nenhuma, que tudo é mentira, ninguém vai junto a parque nenhum nessa vida". É também assim que ela junta e faz pergunta e faz poesia com tudo o que se ergue e desmorona, os pais, deus, o amor, o corpo, a morte, o difícil que é entender o amor dos outros.
Quando crescer, Maria Carmem vai ser escritora. Mas Maria Carmem já cresceu e já é. Esse livro é uma generosidade de sua poesia. Uma oportunidade de a gente crescer com ela."
Sinopse da editora
Acho que vem daí a palavra solidão, pessoas tão sólidas que ninguém vem checar se estão desabando.
Que delicia de leitura! Fazia muito tempo que este livro estava na minha wishilist, e quando ele entrou no Kindle Unlimited senti que era o meu momento. E certamente entrou para a minha lista de favoritos do ano (em menos de um mês já tenho dois adicionados nessa lista!) porque não só é uma leitura empática, divertida e encantadora, como também me enxerguei em muitos dos desabafos de Carmen.
E tudo é encantador na escrita de Mariana Salomão Carrara: a forma como ela construiu essa criança de 11 anos, que esconde em seu humor a solidão que a acompanha, a metáfora da capa - uma menina em uma piscina para simbolizar o banho maria tão citado no livro, o fluxo de consciência da pequena narradora, a forma ingênua como ela aponta a hipocrisia dos adultos… tem tantas camadas deliciosas nesse livro, que descascar cada uma delas se torna uma atividade paralela à leitura. Parece aqueles testes psicológicos feitos para crianças para descobrir algo da vida delas nas entrelinhas, sabe?
É um livro que certamente eu vou panfletar incansavelmente para todo mundo, porque ele é leve, e aos mesmo tempo denso, poderoso e ao mesmo tempo simples. Uma leitura perfeita para qualquer momento da vida, que nos proporciona um olhar mais gentil para a nossa infância, para a nossa juventude e também para a nossa versão adulta.
Outros quotes deste livro que eu favoritei:
Será que o vaga-lume pisca de dor? Se eu pudesse brilhar de dor eu seria um escândalo.
Eu acho que família é um vaso muito rígido, se você dobrar ou esticar demais ou enfiar muita coisa dentro tudo quebra em um milhão de cacos. Família é um vaso que quebra até por excesso de flores.
– Não, Carmem, às vezes a gente é discreto porque os outros são errados.
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