17 de jun. de 2026

 




Depois de fazer uma aposta e conhecer uma cabrita de pijama, o mundo aparentemente perfeito de Alexis Montgomery virou de cabeça para baixo. A causa: Daniel Grant, um carpinteiro sexy dez anos mais jovem que ela – o completo oposto da sofisticada mulher da cidade grande. Ainda assim, a química entre eles é inegável.

Parte de uma família rica de renomados cirurgiões, Alexis não está interessada em glória e fama. Ela está feliz com sua profissão de médica socorrista e não deseja perpetuar o legado dos pais. E, a cada minuto que passa com Daniel em sua cidadezinha, ela descobre o que realmente importa.

Porém, deixar que o relacionamento deles se torne algo mais do que apenas uma aventura significaria dar as costas para sua família e abandonar a oportunidade de ajudar milhares de pessoas.

Permitir que Daniel faça parte de seu mundo é impossível, mas ela também não quer desistir da felicidade que encontrou nos braços dele. Com tantas diferenças entre eles, como Alexis pode escolher entre seus dois universos?

Sinopse da editora

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Minha primeira experiência com a Abby Jimenez foi tenebrosa - li “apenas amigos” e achei um livro enfadonho, com personagens horrorosos, um plot terrível e um desenrolar sofrível, mas “parte do seu mundo” me fez entender porque essa autora é tão querida, porque definitivamente é um livro de muito mais qualidade em diferentes aspectos.

Alexis e Daniel são personagens muito bem construídos e com uma evolução bastante prazeirosa de acompanhar. Adultos que mesmo vivendo pela primeira vez experiências incomuns para a sua realidade, agem ainda como adultos. Eles são rodeados por pessoas que nos despertam diferentes sentimentos, desde vontade de arremessar uma banana na cara até dar um abraço tamanha a empatia. É uma história que por mais que seja recheada de páginas e páginas de reflexões dos personagens (já que o livro é narrado em primeira pessoa), não te cansa. É assim que uma autora ganha seu público cativo.

A única ressalva que tenho a fazer para esse livro é que eu to cansada de ler autoras MULHERES que constroem personagens MULHERES sendo as covardes da relação, porque a gente bem sabe muito bem quem costuma ser os covardes nesses casos. Alexis, uma marmanja de quase 40 anos que ainda permitia que os pais decidissem pela sua própria vida foi demais pra mim. Aqui a Bri foi RAINHA de ter acordado a amiga pra cuspir.

No mais, é um livro que entrega o que promete, é um clichezão bem gostosinho de ler e traz o abuso psicológico como tema sem banalizar nem romantizar.

Outros livros que li da autora:

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13 de jun. de 2026

 


Tova, uma viúva septuagenária em luto. Marcellus, um polvo-gigante-do-Pacífico que vive em um aquário. Um ensaio sobre como a solidão pode ser transformada e superada com o toque sutil de outra criatura. “Uma cativante e sensível obra de estreia sobre a sensação de ter o amor roubado de si, apenas para reencontrá-lo no lugar mais inesperado… Memorável e delicado.” ― Washington Post “Cada protagonista é profundamente humano, com falhas e excentricidades desenvolvidas com cuidado. Mas o que deixa o romance de Van Pelt mais charmoso e divertido é a amizade carinhosa entre espécies e as formas como Tova e Marcellus tornam um ao outro mais extraordinários e brilhantes.” ― BookPage “Para além da amizade inesperada, o romance de estreia traz uma reflexão completamente original acerca da perda e dos laços que nos motivam a seguir em frente.”

Sinopse da editora



Eu amo embarcar em histórias que dá vontade de viver em um determinado lugar, de conhecer personagens que sequer existem, que nos leva a um sentimento de empatia e compaixão em níveis inimagináveis, e fazia um certo tempo que não sentia tudo isso lendo um livro como foi com "Criaturas extraordinariamente brilhantes". Que livro bom! O filme então... nem se fala! Mesmo com muitas diferenças entre a obra original e a adaptada, ambas levam para uma mesma conclusão, mesmo que seguindo alguns cursos diferentes.

No livro achei que a narrativa conduziu mais o foco no receio de Tova de envelhecer sem nenhuma cia, mesmo sendo rodeada de pessoas que nutriam um enorme e genuíno carinho por ela. Marcellus, por sua vez, era um polvo tão observador quanto no filme, porém no livro ele era um observador mais contemplativo com o comportamento humano em um contexto geral. E Cameron conseguiu ser na obra original um sujeito mais genioso e menos empático. O filme não deixa esse receio de Tova de lado, mas ter focado a narrativa mais na construção da amizade entre Tova e Cameron deixou tudo mais leve, delicado e gentil com a história de ambos. 

Acompanhar a rotina toda doutrinada da Tova nos leva a um sentimento muito aconchegante - de lembrar de uma mãe, de uma avó ou de uma tia com o mesmo jeitinho. Quem nunca conheceu uma senhorinha pequenininha, mas cheia de energia, agilidade e força, na mesma medida que consegue dizer qualquer coisa que pode parecer dura, mas mais assemelha-se a um colo, um cuidado, um acolhimento delicioso de receber? 

E também é impossível não torcer por Cameron, seja ele a versão literária ou do cinematográfica, para que tudo o que dá errado em sua vida seja recompensado por uma notícia boa, um acontecimento dando certo, algo que finalmente arranque um sorriso do seu rosto e lhe devolva a vontade de conquistar alguma coisa na vida.

Enfim, essa é uma história que vou carregar no meu coração, porque terminei a leitura abraçando meu Kindle, terminei o filme com o coração quentinho, pois se tornou meu filme conforto, aquele que a gente coloca pra assistir de novo em um dia ruim, em uma TPM que a gente só quer um lugar quentinho pra ficar quieta ou em uma noite de insônia que a gente precisa de algo pra distrair a cabeça - uma história sobre superação sem romantizar nada, sobre se sentir pertencente à algum lugar, à uma comunidade, de se permitir ser acolhida, querida e amada, é sobre buscar a sua história, sua identidade, e principalmente, sobre entender que a vida pode seguir sem precisar apagar quem nos deixou marcas insuperáveis. 


28 de mai. de 2026

 



Kristen é uma mulher prática. Não faz drama nem joguinhos e não tem paciência para caras que não entendem seu humor afiado. É muito sincera, mas guarda um grande segredo: aos 24 anos, terá que passar por um procedimento médico que a impedirá de engravidar para sempre.

Por isso, planejar o casamento da melhor amiga é uma experiência agridoce – especialmente quando ela conhece o padrinho, Josh, um bombeiro sexy do tipo que estamparia calendários. Josh é fofo, engraçado, não se ofende com o sarcasmo dela… e ainda tem malditas covinhas. Até Dublê Mike, o cachorrinho invocado de Kristen, o adora.

O único problema é que Josh cresceu numa família enorme, com seis irmãs, e também quer ter muitos filhos um dia. Kristen sabe que Josh estaria melhor com outra pessoa. Ela não quer se envolver romanticamente, então propõe uma amizade colorida. Mas até quando seu coração manterá esse acordo?

Livro de estreia de Abby Jimenez, Apenas amigos? nos faz rir e chorar enquanto retrata a infertilidade e a perda de um jeito irreverente, sensível e apaixonante.

Sinopse da editora

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Passei anos ouvindo falar muito bem de Abby Jimenez e encontrei “Apenas amigos” recentemente disponível no Kindle Unlimited, e foi assim que resolvi conhecer o trabalho da autora e me deparei com um dos livros mais enfadonhos que já li na vida. 

A começar pela sinopse mentirosa que você possivelmente leu aí logo acima. Kristen não é uma mulher NADA prática. Ela faz drama e joguinhos SIM, e se ela não tem paciência para caras que não entendem humor afiado, eu que não tive paciência alguma para essa personalidade construída pela autora. Pensa em uma protagonista INSUPORTÁVEL, e que obviamente tem ali suas problemáticas que seriam solucionadas com uma simples e madura conversa, mas se tem outra coisa que não tenho paciência alguma, é para livro que inventa um problema qualquer só para ter história, sendo que existem no mundo milhares de problemas mais convincentes para se colocar em uma história.

Agora vamos falar de Josh, um cara que gosta dela e que eu teria medo de tão sufocante. Um personagem que é fofo até a página 2, porque além de ter 0 amor próprio, também é um cara que não dá espaço. Me incomoda autoras romantizarem tantas problemáticas neste tipo de comportamento, principalmente quando o cara quer fazer tudo por uma mulher como se ela fosse uma incapaz.


E para finalizar, este livro tem um plot tão desnecessário que pesa completamente o clima. Você lê aquele desfecho se perguntando o tempo todo "PRA QUE? POR QUE?". Fora que o final da história é tão corrido que te faz questionar o motivo pelo qual você decidiu perder seu precioso tempo lendo aquilo.

Minha nota pra esse livro é dó

19 de mai. de 2026

 



Apesar de parecerem viver vidas opostas, Winona e Lucille têm mais em comum do que muitos acreditam: se sentem impotentes, injustiçadas e traídas por quem deveria protegê-las.

Lucille trabalha há anos na lanchonete com a mãe, sempre pensando na nova vida que tanto deseja quando se formar no ensino médio. Mas, sempre que junta dinheiro para esse sonho, precisa pagar uma conta ou consertar algo… geralmente culpa do irmão mais velho, o protegido da mãe que vive arrumando desculpas para não trabalhar e que, além de não ajudar, começou a traficar debaixo do teto delas.

Já Winona vive numa mansão e tem roupas, acessórios e carros de luxo. Entretanto, tudo é escolhido e controlado pelo pai desde que a mãe dela morreu, dez anos antes. Winona não pode comer na hora errada, falar na hora errada nem pensar quando não deve. Seu pai é calculista e conhece tudo e todos, fechando um cerco sufocante ao redor da filha.

Numa noite, elas percebem que não podem mais esperar a formatura para começar a viver a vida que tanto sonham. Munidas apenas com um plano grandioso para escapar da cidadezinha do interior de uma vez por todas, elas só precisam arrumar alguns — muitos — dólares… e um conversível vermelho também não seria má ideia.

Quando Winona e Lucille finalmente dão um basta, despejam toda a fúria que sentem na estrada, a caminho de uma vida nova.

Sinopse da editora

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A volta de Emily Henry, dessa vez acompanhada por Brittany Cavallaro traz uma história bem estilo Thelma & Louise que só vai funcionar se você se desprender de qualquer apego pela realidade - é uma história pra você se divertir, terminando cada capítulo com um “até parece”, bem o que a gente fazia com os filmes dos anos 1980 e 90 mesmo.

Enquanto Winona quer sair de casa para fugir da violência e controle do pai famoso, Lucille tem o mesmo objetivo com o intuito de se desvincular da vida caótica de sua família. A amizade das duas nasceu depois que ambas sofreram violência doméstica, e viram uma na outra a confiança e acolhimento que nunca tiveram em outra pessoa na vida.

Embora isso tenha um peso bastante denso para a história, não espere nenhuma reflexão - é uma trama única e exclusivamente para você se deixar levar na aventura de duas adolescentes que estão fazendo uma besteira atrás da outra ao longo dessa jornada. E tá tudo bem também, nem todo livro precisa ter um propósito profundo, e tem dias que a gente precisa mesmo é de uma trama como essa para dar umas risadas e se esquecer dos inúmeros problemas que a vida real já nos proporciona.

A única coisa que me incomodou um pouco no início do livro, e que percebi que no decorrer dos capítulos as autoras deram uma segurada, foi o uso excessivo da palavra "literalmente", que mesmo usada corretamente dessa vez (americanos têm o costume de usar literalmente pra tudo como se fosse vírgula e de forma errada, e infelizmente os brasileiros estão pegando essa mesma mania), ainda tenho minhas limitações em aceitar todas as frases com a presença dela como se fosse "bom dia". 

Eu me diverti bastante, foi uma leitura na hora certa (precisava me entreter com algo despretensioso mesmo), e sugiro que você não crie expectativa nenhuma durante a sua leitura - assim você se divertirá tanto quanto eu.

Agora vou assistir Thelma & Louise para fazer um comparativo no meu próximo vídeo do Youtube. Atualizo esse post logo mais com o link aqui embaixo.

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Outros livros de Emily Henry que já resenhei:



27 de abr. de 2026






Diane sempre sonhou com pouco: um marido, dois filhos, um trabalho que lhe fizesse sentido — mais do que jamais se permitiu desejar. Mas, no dia em que Seb a deixa, seu mundo desaba. Entorpecida pela dor, ela não percebe o outro silêncio que cresce ao seu redor: no quarto em frente, o riso de Lou se apaga.

Aos dezesseis anos, Lou sofre o tumulto da adolescência e o impacto do primeiro amor perdido, uma perda que lhe arranca mais do que lágrimas. Quando Diane finalmente se dá conta, está disposta a tudo para resgatar a filha, mesmo que isso signifique revisitar um passado do qual tentou escapar.

Mãe e filha caminham sobre um fio tênue, entre o que foi e o que pode ser. Sob seus passos, o turbilhão da vida ruge, e ameaça arrastar consigo as suas horas mais frágeis.

Sinopse da editora

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"Acho que é parte do pacote. Nasci com o kit "sentir tudo mais forte". A tristeza, a alegria, mas também os sons e a dor física. Tenho sentidos de super-herói. Ouço o menor barulho e fico presa dentro dele. Sempre abaixo o volume da música ambiente e me sinto perdida quando várias conversas estão rolando ao mesmo tempo. Sou capaz de matar alguém mastigando de boca aberta perto do meu ouvido. Barulho de motor me impede de dormir. Em casa, à noite, uso protetores auriculares para não ouvir a vida dos vizinhos. Aqui, descobri o silêncio. Também sou sensível à luz. Uso óculos de sol, senão meus olhos ardem. Filmes em 3D  me deixam enjoada e alguns jogos de vídeo game me causam vertigem."





Mais um livro de Virginie Grimaldi finalizado, sempre suspirando com o tamanho da delicadeza que essa mulher tem de contar histórias, que te prendem do começo ao fim, cada livro a sua maneira, cada história de um jeito que te toca em um lugar diferente.

As horas frágeis vem de um lugar muito importante na vida da autora: ela conta que todos os sentimentos, os barulhos do mundo altos demais escutados por Lou fizeram parte também da sua realidade na juventude. Eu sei bem como é esse volume, e ele foge totalmente do nosso controle em regular a intensidade dentro da gente.

E justamente por me identificar muito com o tema que senti falta de algo. Um aprofundamento melhor dos personagens, seja da protagonista, seja dos coadjuvantes que cercaram a Lou em grande parte da história.

Achei o livro meio corrido - não senti que as histórias da Diane e da Lou foram construídas de maneira convincente. Senti falta de ter mais conexão com as personagens: de conhecer mais a fundo a personalidade da Diane e o processo de terapia da Lou de maneira mais detalhada. Se a autora tivesse se aprofundado no processo terapeutico de Lou, o livro teria um acolhimento ainda maior para quem se identifica com a personagem. Sei que isso exige estudo com profissionais qualificados, mas seria uma coisa que Virginie tiraria de letra. 

Queria ter visto mais na juventude da Diane. Senti que a autora ficou preocupada demais em construir o plot, e por isso foi necessário esconder muitas coisas que não entregasse a surpresa que ela queria entregar. Mas o foco na narrativa deixou o enredo um pouco precário, e é justamente aqui que jogo a culpa por não ter me conectado com ela.

A Lou também merecia um tempo a mais de contato com seus novos amigos para justificar tamanho apego. Podemos encarar a identificação dela com os outros como a justificativa para esta conexão instantânea, mas, para mim, não foi trabalhada o suficiente para me convencer. 

Enfim, eu gostei, mas não amei. Esse é o único livro da autora que não dei 5 estrelas (mas dei 4).


Video no Youtube:

9 de abr. de 2026

 


Depois do arrebatador "Se deus me chamar não vou", Mariana retoma seu jorro neurótico, humano e delicioso contando agora a história da septuagenária Aurora, encontrada desmemoriada e descalça na beira da estrada e procurando por uma certa Camila. Para uma amnésica, Aurora recorda-se de muito: da mãe que escovava seus cabelos até parecerem "uma peruca eletrizada"; do seu ato falho trágico religioso, de quando rezava na infância e dizia "agora é a hora da nossa morte amém"; dos anos em que deu aula de português em uma escola de riquinhos; da sua covardia perante a ditadura militar: "este país insiste que temos de arriscar a nossa própria vida, parece que esquece que tudo que temos é essa miséria da própria vida"; de um carnaval em que tentou perder a virgindade com um jovem brocha vestido de bebê; de um amante midiático que falava um português impecável, mas também sabia beber e socializar em boteco vagabundo e, sobretudo, das muitas mortes da filha Camila, sempre alternadas com momentos solares na companhia da melhor amiga de infância: "Camila ficou sendo minha melhor amiga desde o momento que olhou pra trás e perguntou se encharcado era com ch ou x". Seriam essas lembranças reais ou ela decorou dos muitos livros que leu, protegida, dentro de casa, dos infinitos perigos que existem lá fora? Camila, afinal, é a filha morta (que morreu de suicídio, de picada de escorpião, de acidente na estrada, de atropelamento de boi, de comida muito quente na cabeça, de fungo de pombo, de queda de coco, de cambalhota ou pirueta entre duas camas) ou a bela amiga – "muito melhor do que ser a mulher bonita é ser a amiga dela, a quem ninguém lembrará de examinar como envelheceram as coxas ou os joelhos, e que pode acompanhar com doçura os caminhos da decrepitude…"? Poderia uma mãe, tão obsessiva com a finitude humana e tão obliterada pela possibilidade da morte de uma filha ("não se pega o bebê minúsculo sem tatear com os dedos os espaços vagos, suspira-se a moleira, lamenta-se a lentidão geográfica das suas placas…") recordar qualquer coisa sobre a vida dela? Aurora não sabe sequer se teve mesmo um bebê. Pergunta-se, ao tocar a barriga, se alguma vez foi capaz de gerar um filho ali dentro, "não ter um filho é praticamente certificar-se da ausência de tragédias". Aqui a morte é temida, repetida, imaginada, exagerada, esmiuçada e listada de tantas formas que é quase possível rir dela ou- eu acredito que Mariana tenha conseguido esse feito- vencê-la.

Sinopse da editora

"quando ouvia adultos rezando eu me detinha particularmente na passagem que eu escutava errado, Agora é a hora de nossa morte amém, por isso eu tinha tanto medo que rezassem perto de mim"

 

Quando peguei este livro para ler logo após a leitura de Elena sabe, eu não imaginava que estava emendando dois livros com a mesma premissa: ambos mostram a realidade de uma pessoa idosa enfrentando uma doença degenerativa. Mas a diferença da escrita de Mariana Salomão Carrara é gritante - é o que chamamos hoje de alguém que não pesa o clima.

Não que o tema não deva ter clima pesado - não faz nem sentido esperar algo desse tipo - mas é importante frisar que a nossa autora brasileira tem um relacionamento diferente com as palavras, a ponto de transformar a narrativa em algo mais gentil, e consequentemente, faz com que o leitor tenha vontade de devorar mais rapidamente o livro.

Por ter sentido uma densidade muito forte em Elena sabe, infelizmente eu demorei mais para ler "é sempre a hora da nossa morte amém" e isso não foi culpa do livro. Foi um pouco de ressaca com o baque que a leitura anterior promoveu em meus sentimentos somado também ao meu momento de vida (impossível de me concentrar por muito tempo em algo) que atrasou meu devoramento natural, e mesmo diante de uma temporada péssima minha como leitora, foi praticamente impossível não notar o quanto a autora, assim como fez em "se deus me chamar não vou", tem o dom de dar leveza ao que encaramos como tragédia.

Porque no final das contas, as pessoas que levam exatamente o tipo de vida narrada nas histórias dela merecem isso: leveza.

Depois que Aurora é encontrada desnorteada na beira da estrada procurando por Camila, ela é levada para um abrigo e lá ela vai contar a sua história para Rosa, a assistente social que tem como missão encontrar a família de Aurora. A cada capítulo, a protagonista relata uma versão diferente de sua vida, sempre tendo os mesmos personagens: Antônio, o marido (ou ex), Camila, sua filha ou amiga, e os cachorros Perdoai e Ofendido. Em cada capítulo sua filha morre de algo diferente, memórias de sua amiga reacendem, mas a frustração em seu casamento sempre se faz presente. E cada vez mais que Aurora se força a lembrar, mais suas lembranças se tornam confusas - isso aconteceu mesmo? Qual versão dessas mortes é real? Existem duas Camilas ou só uma?

Ao fim nós descobrimos junto com Rosa a versão real da história de Aurora, mas não antes de passar por toda a tempestuosidade que suas memórias confusas causam em sua cabeça. E por mais que a leitura possa parecer subjetiva, a realidade é só uma - Mariana conta uma história através de Aurora justamente para que possamos mergulhar na realidade da protagonista, sentir na pele as dificuldades de sua confusão, enquanto a gente se dá conta que a tragédia é sofrida por quem cerca Aurora, e nem tanto por ela mesma.

Essa coisa que eu jamais vou compreender que é abreviar de propósito aquilo que já quase não dura, e que me é tão custoso manter.

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Outros livros que li da autora


Resenha em vídeo:


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