25 de jul. de 2024
Diante de tantas mulheres que me trouxeram inspiração na vida, não podia deixar de mencionar, com honrarias, aquela que mais me encheu de ensinamentos na vida: a minha mãe. Mas todas as pessoas já estão até cansadas de saber que além de mãe, essa mulher, meu marco 0, também é a minha mais estimada e melhor amiga.
Antes de todas as 7, o meu marco 0 já me presenteou com a sua amizade quando eu ainda estava em seu ventre. Ela me carregou pacientemente por 9 meses. Eu já cheguei chorando e ela me amou desde então, mesmo eu tendo-a deixado em coma por algumas horas durante o parto, uma cesárea meio complicada. E mesmo colocando a sua vida em risco, ela ainda sim me amou desde o meu primeiro respiro.
O meu marco 0 sempre me tratou como a sua boneca predileta: ela me vestia de conjuntinhos fofos, penteava meu longo cabelo e produzia as mais apertadas marias chiquinhas que me deixavam parecida com uma descendente asiática (já que tudo repuxava, inclusive meus olhos). Em uma família onde os homens eram a maioria, éramos eu e ela as únicas mulheres.
O tempo foi passando, a nossa família foi se reconfigurando, meus irmãos casando, e ficou eu e ela fazendo companhia uma para outra, cada uma em seu mundinho. Meu pai era sempre ausente, eu era a adolescente que encontrava refúgio no quarto, e minha mãe era aquela mulher que mergulhava em seus projetos artesanais e assistia todos os filmes possíveis que vocês podem imaginar (aliás, puxei isso dela). Naquela época na qual eu não entendia nada, e era uma típica adolescente que só faltava comer terra, passei a enxergar a imagem de uma mulher misteriosa, silenciosa, que diante dos meus olhos parecia guardar uma bagagem de sentimentos não ditos e milhares de sonhos não vividos.
Quando perdi a virgindade, não hesitei em procurar da minha marco 0 para contar a novidade. Ela me acolheu com amor, marcou um ginecologista e me levou com carinho à minha primeira consulta. Eu não era mais tãaaao nova assim, já tinha completado a maioridade, mas tê-la comigo fez com que eu não me sentisse só - foi exatamente ali que eu soube que ela era a minha maior, melhor e mais fiel amiga.
Eu nunca escondi nada de minha marco 0. Nunca me preocupei se ela ficaria brava comigo diante de algo que eu tenha feito ou dito, muito pelo contrário - sempre soube que se era algo errado, ela iria me mostrar da maneira mais madura e clara possível, sem me magoar, sem me constranger. Ela nunca teve a necessidade de exercer algum tipo de poder sobre mim, nem quando eu merecia, nem quando por algum momento eu fui egoísta a ponto de não enxergá-la como um ser humano. Porque quando somos mais novos temos essa péssima mania de acreditar que nossos pais são imbatíveis, que eles são a fortaleza que jamais seremos. A verdade é que eles também sentem, muitas vezes mais que a gente, mas foram adestrados a não demonstrarem fraqueza para suas crias, para que assim o mundo não pareça aos nossos olhos um lugar tão difícil de sobreviver.
Só que comigo o efeito foi um pouco diferente. Demorou muito para que eu pudesse ver as fragilidades dela, mas eu sempre tive em mente que por mais que o mundo fosse um lugar meio sombrio e difícil de sobreviver, se ela estivesse ao meu lado, tudo seria possível. E assim foi: enfrentei tantas nebulosidades na vida, e com muita generosidade e carinho ela segurou a minha mão, me puxou para cima, segurou em meu rosto e disse: "tenta de novo, eu confio em você. É difícil mesmo, mas você consegue."
Meu marco 0, pra mim, sempre foi sinônimo de alegria. Ela tem a gargalhada mais contagiante de todos os tempos. Ela esbanja tanto bom humor que todas as minhas amigas sentem isso sem nem ter a conhecido pessoalmente. Quando ela está perto dos irmãos então... aí que isso se quadriplica. Eu amo ver quando eles estão reunidos, porque me mostra de onde saiu tudo isso, todo esse encantamento da minha marco 0, toda essa inspiração de união e cumplicidade. Ela não teve a melhor das infâncias, mas ela conheceu a amizade dentro da própria casa, na sua extensa família. Eles sempre foram imbatíveis juntos, cuidaram uns dos outros a vida inteira, se amam profundamente e gratuitamente, e mesmo que não demonstrem com palavras, demonstram com sinceridade em cada gesto de convivência.
Eu sinto tanto orgulho quando me dizem que eu sou a cara dela, porque ela é tão linda, tão cheia de vida, que mesmo eu travando uma batalha árdua contra a depressão desde os meus 15 anos de idade, ela é a minha principal fonte de energia e vontade de viver. Eu nunca pensei em desistir de absolutamente nada, de nenhum desafio, porque sempre lembro dela acreditando em mim. Sempre lembro dos dias em que fizemos companhia uma para a outra, as vezes até em silêncio, (durante a minha juventude até os dias de hoje), assistindo um filme, quebrando o silêncio com comentários ácidos sobre alguma cena, ou fazendo comparativos esdrúxulos de qualquer coisa. Sempre me recordo de todas as vezes que ela sacudiu a poeira e se reergueu diante de todas as coisas que a empurraram para um buraco no qual ela nunca se permitiu ficar 1 segundo sequer na vida. Sempre lembro do quanto ela é grata, do quanto as coisas mais simples são suficientes para deixá-la feliz. É nisso que me inspiro todos os dias.
Eu deixo aqui nesta foto para vocês o sorriso mais lindo, generoso e sincero que já vi na minha vida. Da mulher mais extraordinária que conheço. Da fortaleza mais inspiradora, mesmo sentindo tantas e tantas coisas, que por muito tempo para mim foram um mistério, mas que ela me confidenciou a partir do momento em que eu estava apta para entender. Essa mulher é meu marco 0, meu alicerce, minha fonte de inspiração. A melhor amiga que uma pessoa pode ter na vida. A que me ama incondicionalmente como eu a amo.
O meu marco 0 se chama Jussara. A minha mãe. A melhor.
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Este é o marco 0 da saga "as mulheres da minha vida". Os outros capítulos são:
2. Dá uma piscadinha para a câmera?
3. Eu tinha um bicho de pé que já era avô
4. Ô Tatá, olha o Chico tomando o meu leite!
5. De viadagem a gente entende
8 de nov. de 2023
Besta é aquele que não aproveitou o fruto da amizade que a 7 semeia em nossa vida.
18 de out. de 2023
De otária a 6 não tem nada.
8 de out. de 2023
26 de set. de 2023
Hoje eu não sei mais viver a minha vida sem ela.
24 de set. de 2023
E assim seguiu a vida continuando a sorrir.
11 de set. de 2023
Quando conheci a personagem no. 2, eu tinha acabado de me mudar para uma cidade que eu não queria morar. Eu era uma adolescente meio perdida, magricela e com uma facilidade imensa de fazer amizade. Mas eu também era uma pessoa difícil de confiar em qualquer pessoa.
Com a 2 isso foi o oposto. Estudávamos na mesma escola, mas nunca na mesma sala, mas colegas em comum facilitaram para que estreitássemos o laço mais do que rapidamente. Eu não sei dizer ao certo qual foi o momento exato que isso aconteceu, mas quando me dei conta, ela fez com que a minha vontade de voltar para onde saí se dissipasse, e com isso, estávamos lá fazendo o possível para frequentarmos a casa uma da outra.
Digo "fazer o possível" porque assim como eu, a vida dentro da casa da 2 também não era nada fácil. Pais controladores fantasiados de superprotetores eram a nossa sina compartilhada, inclusive compartilhávamos também os nossos mais longos desabafos nesse sentido, já que sempre fomos "meninas boazinhas", mas parecia que nada era capaz de conquistar a confiança dos nossos pais para que pudéssemos viver as nossas vidas de adolescentes como todo mundo da nossa idade fazia.
O ano era 1996, e morávamos em pontas opostas da cidade. Mas atravessávamos tudo a pé, subindo e descendo ruas, debaixo de sol e sem reclamar. Hoje em dia a gente não tem mais 1% dessa energia, mas o compromisso com nossa cumplicidade, este só cresceu.
Mas foi com a 2 que vivi experiências saudáveis que nos eram permitidas mesmo dentro de nossas limitações. Compartilhamos uma paixão pela nossa boyband preferida, e até escrevemos uma carta quilométrica que foi entregue ao vivo em um programa de televisão, e fizemos um escândalo quando o dito cujo da banda lançou uma piscadinha em nosso nome para a câmera, a pedido da apresentadora. Passávamos tardes ouvindo aqueles CDs até riscar, decorávamos todas as letras, juntávamos dinheiro para comprar revistas, e pasmem, montamos até um fã clube fajuto que teve 4 sócios e durou o que? Uns 3 meses?
Sem querer compartilhamos também a mesma boca de um menino. Esse safadinho tentou ficar com as duas ao mesmo tempo, sem uma saber da outra. Conclusão: acabamos atazanando a vida desse garoto, e pensando friamente hoje em dia, talvez a peça pregada por nós não deve ter feito nem cócegas no moleque (éramos bobonas, jamais pensaríamos em algo que realmente surtisse o efeito desejado).
Aí só depois de mais velhas, com nossas independências conquistadas, que fomos aos nossos tão desejados shows juntas, incluindo um enorme festival no interior do Estado. Acredita que nunca fomos em um show da tão amada boyband?
Ah! E cabulamos aula pela primeira vez juntas. A primeira e a última. Estudávamos de manhã e ficamos sentadas em um fliperama olhando uma para a cara da outra, sem ter porcaria nenhuma para fazer, até que nosso transe foi interrompido por uma incrível e enorme rajada de cocô de pomba se estatelando no piso frio.
A verdade é que crescer ao lado da 2 me mostrou tantas coisas incríveis, inclusive que a cumplicidade que nunca morreu entre nós é viável porque o nosso amor é genuíno, e mesmo que crescemos adultas diferentes, ele permaneceu aceso incondicionalmente na nossa vida.
A personagem no. 2 se autodenomina medrosa, mas é a garota que mais gosta de se jogar em uma aventura de forma destemida. É uma pessoa tão determinada a seguir os passos mais planejados, mas jura de pé junto que é indecisa (ela só não entendeu que ela tem dia e hora certa para tomar decisões certeiras). Ela se vê como uma pessoa desligada, mas observa coisas que até Deus duvida. É alguém que conquista a admiração de qualquer um porque sonha acordada - porque ela não quer perder um segundo de seus sonhos sendo conquistados (e ela conquista, viu? Pode demorar um pouco, mas ela conquista).
Ela confia em mim para mudar as senhas das suas mídias sociais, para que ela não fique perdendo tempo olhando coisa que não deve.
E depois ela fica perplexa de como eu pude escolher uma senha tão fácil dela adivinhar, e ela sequer tentou fazer isso.
Ela corre tanto atrás do que quer que inspira todo mundo em volta a fazer igual.
A personagem número 2 se chama Vivian.
Minha Vivi Aventureira.
3 de set. de 2023
O ano era 1995.
A sala de aula estaria cheia de carinhas novas no início do ano letivo. A transferência de diversos alunos de uma outra escola tinha sido anunciada, por conta de uma reestruturação na distribuição de classes no ensino público do estado. Eis que a personagem 1 entra em minha vida.
Logo de cara nós já nos demos bem. E fazíamos trabalhos juntas, passávamos os intervalos juntas. Ela não saia da minha casa, que era ali pertinho da escola.
No meio do ano letivo do ano seguinte, me vi obrigada a mudar de cidade, e consequentemente de escola também. Me separar da 1 e de meus outros amigos daquela escola tão legal se tornou um castigo para mim. Mas a 1 sempre foi tão incrível, que junto com nossa turma, organizou uma festa de despedida para mim, e consequentemente, a comemoração do meu aniversário também.
Foi a primeira vez que me senti tão querida na minha vida.
Mesmo a distância, a amizade com a 1 prosseguiu firme e forte. Trocávamos cartas sempre que conseguíamos, tínhamos uma paixão pela mesma boyband e sempre passávamos temporadas na casa uma da outra.
Desde aquela época a 1 sempre teve um temperamento e personalidade forte. E isso é notável só de trocar poucas palavras com ela. Foi isso que fez com que eu sentisse uma enorme vontade de ser sua amiga, pois desde nova eu sempre quis fazer amizade com pessoas admiráveis.
A história da 1 só aumentou essa minha admiração. Desde pequena aprendeu a ter responsabilidade, a se virar sozinha e ser parceira de suas irmãs, não só pela realidade de sua família, mas também pela separação de seus pais. E o mais lindo na personalidade da 1 é que ela é destemida desde sempre - se ela sente medo de algo, ela sequer demonstra, pois sempre fez que era preciso tudo sem titubear.
Os anos se passaram, relacionamentos começaram, empregos tomaram o nosso tempo e a juventude deu espaço para a vida adulta. Depois de uns anos sem contato, finalmente eu e a 1 nos reencontramos graças a santa internet. Estava eu no norte do país, ela na mesma cidade em que tudo começou. E ali retomamos a amizade de onde parou, como se o tempo sequer tivesse passado. E a 1 estava do mesmo jeitinho de sempre: corajosa, determinada, linda, preciosa, leal e com uma inteligência descabida.
E a partir daí o laço retomou como era ali na sexta série, inclusive os momentos de bobageira, como toda brincadeira que termina em bosta. Mesmo com a rotina adulta, mais forte como nunca. E assim como aquele primeiro dia do ano letivo de 1995, a personagem 1 continua sendo "minha ídola", e todos os dias a minha admiração e respeito por ela só cresce. Em dias tempestuosos, ela aparece na minha porta com uma pizza em mãos. Fala de amenidades para tirar minha cara da areia movediça. Quando crescer eu quero ter a mesma força que a 1. A que bate o pé e corre atrás do que quer. Que é a minha maior referência de independência.
A personagem 1 se chama Luciana X.
31 de ago. de 2020
À Quatro Mãos
O casal Patricia e João se uniram com seus respectivos talentos para oferecerem o bordado personalizado com o maior capricho que você pode imaginar. Ele desenha e ela borda - e o resultado é encantador. Você pode fazer a sua encomenda via Instagram, e também encontrar a dupla em feiras sazonais e em oficinas.
Monsterbox
Conheci o trabalho do Paulo Rezende por um retuíte na minha timeline, e foi amor a primeira vista. O trabalho deste moço é tão rico em detalhes, tão cheio de carinho, que chega a ser até poético. O que mais me chamou a atenção foi o bastidor com a carinha dos pets - os clientes enviam fotos de seus bichinhos e ele executa fielmente todas as características deles. Conheça o trabalho também clicando aqui.
Cris Gios
Preciso dizer o quanto minha sogra é talentosa e caprichosa, e seus bordados enchem minha casa de alegria. Desde que entrei para a família, há 11 anos, que acompanho os bordados lindos da Cris, e não é porque ela é minha sogra, mas a mulher tem o dom, viu? Ela borda tanto para exposição no bastidor, como também para quadros, toalhas, roupas, e no que mais você negociar com ela. O Instagram dela é este, clicando aqui.
15 de jan. de 2017
28 de dez. de 2016
Descanse em paz, Carrie. Que a força esteja com você, onde quer que esteja.
















































