cap. 13 - a parte que me toca.

01:06:00


Sábado, 14h. Estava na estação de trem um tanto impaciente esperando ele chegar. Com alguns minutos avisados de atraso, ele aponta na escada rolante, com o mesmo sorriso de boas vindas. Eu, queimando em febre. Havia passado dias sem dormir direito, com direito a rolar na cama de preocupação devido as tarefas do desfile que se aproximava. Esse trabalho era muito importante pra mim, mas eu precisava desligar meu corpo e mente de tudo que respirava responsabilidade.
Prometi passar o final de semana na casa dele. Enquanto caminhávamos para o carro, senti um ar de preocupação vindo daquele homem esguio e charmoso. Longe das roupas formais que o trabalho exigia, ele tinha um ar de menino com cheiro de hortelã. Parei diante do carro e olhei para seus olhos, na esperança de encontrar alguma resposta para aquela dúvida que começava a nascer...mas não consegui enxergar nada.
No caminho eu percebia a força que ele fazia para manter a serenidade da conversa - eu odiava aquela minha facilidade pra pescar a aflição alheia! Como ele estava disposto a não deixar isso estragar o dia, dependia de mim também não estragar nada.
Conversamos muito sobre nossa semana, nossas tarefas e com aquilo parecia que as coisas não eram tão complicadas como vinham sendo. Deitamos na rede da varanda e olhamos para o nada, brincando de adivinhar os desenhos das nuvens no céu. Adormecemos com a brisa suave e o balanço sereno.
Depois de uma pizza com os amigos, o nosso momento de intimidade parecia ter finalmente chegado. Me envolvi completamente nos beijos que se entrelaçavam em uma sensação gostosa junto ao passeio dos dedos em meus cabelos, e já deitados na cama, fomos interrompidos por algo que me surpreendeu.
Ele chorava. Compulsivamente. E eu fiquei sem ação, sem saber o que falar e o que oferecer.
Ele me pedia desculpas. Por algo que eu ainda não tinha entendido, e nem ele.
Dei a ele um longo abraço... e eu sentia rolar em meus ombros as suas lágrimas. Eu odiava ver um homem chorar. Eles me deixam sensível diante dessa situação, sem saber o que fazer - capaz que eu chore junto! Quando ele conseguiu controlar as emoções, me vi diante de um homem confuso e amargurado, admirando minha serenidade e se desculpando por não compartilhar do mesmo que eu. Fiquei confusa - senti vontade de voltar pra casa. Ele jurava que não podia continuar. Uma espécie de auto flagelo e arrependimento, misturado com algo a mais indecifrável.
Perguntei se ele estava apto a me responder o que queria. Ele balançou negativamente a cabeça. Nunca tinha visto um homem tão sensível. E isso, infelizmente, fazia com que eu me apaixonasse mais.
Deitamos em silêncio e ouvi a respiração descompassada dele. Depois os batimentos do coração. Ele me abraçava com angústia. Medo. Incerteza. O quarto estava escuro - eu não enxergava um palmo diante do meu nariz. Mas senti a boca dele procurando a minha, e no meio das lágrimas, fizemos amor antes de dormir...
...continua...



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