Gita & Parte 6: Como vai você?

12:52:00


Cheguei saudando Tuka com um forte abraço, queria expressar o carinho que me faz admirá-la... Nosso encontro no bar despertou em mim outra admiração por ela, porque apesar de ser tão jovem – e isso me faz lembrar dos tempos (bons tempos) a qual minha adolescência era só parte da infância dela – Tuka crescera dotada de bons gostos, espiritualidade e simpatia cativante. O bom gosto do lugar era perfeito ao som do jazz and blues, tipicamente adorável como minha amiga. Então suspirei e disse:

- Pois é Tuka querida... só mesmo o som do blues para nos fazer lembrar que a vida é uma grande ironia!

Rimos, e ela concluía:

- ... Uma grande ironia para quem ama e uma piada sem graça para quem não é amado...

Eu sabia o que ela queria dizer. Nosso encontro além de pauta profissional, seria uma pequena sessão feminista pós-traumática... Eu e minha última piada de mau gosto por causa do Sol e seu Rio de Janeiro, e ela com sua grande ironia, por causa do rapaz de sorriso bonito. E nessa conversa de como tudo vai, não chegamos a conclusão alguma de como tudo está.

Tuka ouviu-me contar sobre a promessa, e a oportunidade mais conveniente do que austera por amar e riu muito, interessada em entender meu jeito hollywoodiano de ser. E realmente, minha postura com o amor era coisa de estrela hollywoodiana, que põe toda sua confiança em exibição e estampa um sorriso na cara como se dissesse “Sou a mulher mais feliz do mundo porque estou amando!”

Digamos que o fator risco era um tipo de essência para encontrar meus amores... Tuka ria descompassada com meu jeito de falar sobre amar com banca de atriz revelação do ano.

- Como vai você?

Perguntei para minha amiga. Tuka era um avesso impressionante de tudo o que eu disse e era. Ela me contou sobre o episódio do anel, ou seja, de um gesto que demonstraria para aquele rapaz a sua entrega. E me foi estranho entender, porque ela guarda o amor. Pior, não soube ajudar a minha amiga a encontrar um final feliz para sua novela. Disse-lhe apenas que como água e vinho, éramos para amar... e que se eu guardasse o amor dentro de mim (como ela fez), correria o grande risco de perdê-lo em meio as minhas confusões. E disse mais:

- O meu amor está numa vitrine... e o risco é só o vidro transparente que me faz ser querida ou rejeitada. Ser tocada, ser pertencente é questão de quem vai querer pagar pra ter...

De repente, um silêncio catatônico entre nós. Tuka e eu demos o último gole na Heineken amarga, que descia pela garganta com a força de um hábito que não tínhamos – ser machistas... Então uma bebedeira súbita vem a tona num estilhaço de gargalhadas para nos fazer lembra de rir de nós mesmas... e esquecer de tudo o que dissemos.
E só me restou dizer:

- Agora que já sei como vai você... E o nosso trabalho? Como vai?

( C O N T I N U A ) ...


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