Olha aí os 37...


Eis que chego aos 37 neste ano tão atípico e maluco.
E desde que escrevi pela última vez sobre aniversariar, quando fiz 35, muitas coisas mudaram. Outras ainda estão na mesma.
Mas completar mais um ciclo lidando com uma pandemia certamente não estava nos planos de ninguém em 2020, não é mesmo?
Acho que além do cabelo de 2018 para cá, a mudança mais visível dentro de mim foi dar um tempo. Dei um tempo até do blog, como vocês puderam notar... mas também dei um tempo das minhas preocupações que limitavam meu sono, da fadiga que certos assuntos me davam, do esgotamento que certas situações me causavam. Mas não que parei de me importar com tudo isso, mas como eu lidaria com tudo isso. 

Nem todas as soluções estão ao nosso alcance.

Por mais que isso possa parecer um tanto quanto radical, as vezes precisamos nos afastar de situações e de pessoas também. Mas não deixar de falar com elas, ignorá-las, ou coisa do tipo, mas afastar a sua mente e coração delas, virar a chave de como você se envolve com elas e até que ponto elas podem te influenciar energeticamente. Você pode continuar vendo este alguém todos os dias, mas o que te sugava antes pode não te importar mais. Seu ombro amigo pode ser oferecido, mas isso não quer dizer que aquelas dores vão passar a ser suas também. Administrar sentimentos é uma tarefa muito difícil, mas quando se aprende o caminho, tudo é muito mais fácil e claro, principalmente a oferecer aos outros a mesma coisa que você recebe.

E isso tem dois lados, na verdade. Muitas vezes podemos nos tornar um ombro mais saudável se, ao invés de sofrer junto, nos tornamos a racionalidade que a pessoa precisa encontrar para tal momento. Fica mais fácil de ajudar com clareza, sem perder a empatia.

Tem também a outra versão daquela pessoa que só te procura para reclamar de problemas mesmo. E quando você precisa, a atenção é quase nula. Aí essas a gente se afasta no sentido literal mesmo.

E o desapego por aqui é cada vez mais evidente. Posso representar isso com o meu cabelo? A vaidade também está muito conectada à isso, pois as vezes chegamos em um momento da vida que se sentir bonita tem a ver com outra coisa, e não com maquiagem, procedimentos ou um guarda-roupas lotados de roupas e sapatos. A chave vira e tudo o que importa é se sentir bem não só com o espelho, mas também com sua forma de pensar, agir e viver. Aquele momento que o bonito é o confortável, o prático e o que não dá trabalho!

Eu pensava que quando chegasse aos 37, ficaria um tiquinho apavorada por estar tão perto dos 40. Mas a realidade é que eu nem senti este tempo passar. Eu tinha outra visão do que seria ter essa idade quando eu era mais nova, e estou longe de me sentir como imaginei. Na verdade me sinto até melhor, mais centrada, menos apavorada, mais preparada.
Eu não trocaria meus 37 pelos meus 25, mesmo que naquela época minha pele tinha menos rugas e minha cabeleira era mais rica em fios.

Por fim também aprendi, principalmente com a pandemia, que a vida é um sopro de verdade. Que tudo pode ser modificado em questão de dias, principalmente planos e sonhos. Que nossa saúde pode ser muito mais frágil do que imaginamos. Que podemos perder alguém que amamos em um piscar de olhos. Que o ser humano custa a aprender sobre empatia, mesmo diante de uma catástrofe. E que esses mesmos seres humanos são péssimos quando se trata de suas vontades - porque eles não conseguem deixar de supri-las e tudo tem que ser na hora que eles querem, não importa quem eles colocarão em risco. E que no fim, estamos todos cada um por si mesmo.

E mais uma vez: lavem as mãos. Exerçam a empatia. Se cuidem. Cuidem dos seus, e se puder, fiquem em casa.

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