Gita: Gente que fez acontecer: Dr. Marcelo.

Certos assuntos a sociedade ignora por desnecessidade ou necessidade... Depende do ponto de vista. O que vou dizer, é uma fração mínima e enigmática do que é real, desleal a vida e é do sub mundo. A pequena história que conto é uma dentre mil e muitas. Mas pense: Será mesmo que certos assuntos devem ser ignorados por nossa consciência e opinião?

Venho compartilhar sobre um documentário, e uma parte dessa opinião, a minha. A ideia é que você sozinho, conheça quem foi o Dr. Marcelo, e quem é a sociedade diante de fatos que precisam da sua atitude para fazer alguma diferença.

Conheça o início de um trabalho de compaixão, muito mais compaixão que infelizmente utilidade pública. Conheça o rapaz de família muito humilde, que se formou médico na USP, e que optou por ter seu consultório na Cracolândia. 

Preciso deixar claro duas coisas, a primeira é que a minha intenção é formar opinião, tirar debaixo do tapete um fato que não está precisando do seu corpo presente, da sua ação solidária, na verdade, a sociedade não espera que você irá priorizar o seu tempo com essa gente, ou essa situação. Mas quando convivemos entre muitos, e por várias gerações, será que não é de nossa obrigação, falar das coisas como elas são, e como poderiam ser? Não é da nossa obrigação de sociedade, mostrar o que pensamos, como agimos, no que acreditamos? O segundo esclarecimento, é sobre a parte de todo o documentário que me fez realmente pensar. A relação do vício com a sexualidade, com a própria hombridade.




Doutor Marcelo dos Santos trabalhou durantes sete meses na Cracolândia e produziu um diário que retrata o cenário miserável das drogas. Seu trabalho foi além da conduta ética pela profissão e muito mais além da visão de submundo que a sociedade conhece sobre a rotina de quem é usuário de crack. Uma das histórias deste diário, fala sobre o vendedor de brigadeiros, um pai de família que abandonou tudo para viver do vício. Depois de anos, este pai conseguiu abandonar o uso da droga e recomeçar a vida como vendedor de brigadeiro. 

Mas certo dia, vendendo próximo a região da Cracolândia, voltou-se ao horror do passado de viciado. Acordou no dia seguinte naquele labirinto de becos desumano, sem roupa alguma, sem dinheiro, sem brigadeiro e com sua dignidade e hombridade corrompida. Ele havia feito sexo oral para conseguir mais crack e satisfazer o fantasma do vício. Muitas pessoas banalizam o sexo quando se fala em comportamento sexual, porém são vários os motivos que levam o ser humano a deturpar o verdadeiro significado. 

A verdade é que a sociedade não está acostumada a familiarizar os problemas sexuais, sendo como problemas de comportamento de um indivíduo devido ao meio que ele convive. Pois este círculo de convivência pode gerar o desvio de caráter e a desmoralização aos hábitos normais. Independente das razões iniciais, o produto final é que isso pode se tornar doença, e ser psicológica, traumática, ou mesmo um vício que no caso do vendedor, não o define como homossexual, mas um heterossexual viciado. O sexo é a base fisiológica de qualquer ser humano também. 

E como outras necessidades, pode ser canalizado de forma errada. Acredito que a sociedade antes de torcer o nariz ao saber que um individuo é gay ou prostituta, deva saber que há outras denúncias sexuais a serem jogadas na cara da sociedade. Como o exemplo deste episódio do vendedor de brigadeiros... Estamos acostumados com a mesmice dos preconceitos, esquecendo que há tantos assuntos tangentes a condição humana, cuja verdade se esconde em becos escuros por fatos escabrosos e pessoas que só conhecem a lei da sobrevivência e exclusão. Deixo aqui um alerta a reflexão, aproveitando o nicho do trabalho do Dr. Marcelo, que morreu jovem, aos 27 anos, deixando sua história de luta e denúncias contra o sistema público e a realidade dos usuários de crack.
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