Contando as estrelas


Há um pouco mais de um quarto de década eu me tornei parte de um mundo um tanto turbulento. Turbulência essa causada pelos próprios habitantes dele. E quando criança, observava os adultos e seus comportamentos. Uma hora equilibrados, de outra hora totalmente exaltados. Apaixonados, derrotados, vencidos pelo amor, ou pela dor, cansados da luta, loucos pela vitória. Desacreditados e otimistas. Achava eles todos uns malucos! Mas o que eu não sabia era que em uma determinada hora da vida, eu me encaixaria ao menos em duas de todas essas condições relatadas acima.

Me lembro que fui apresentada aos sentimentos aos 15 anos. Meu primeiro amor, meu primeiro namorado, aquele que me correspondeu de uma forma respeitosa e singela. Realmente foi um rapaz exemplar, em todos os sentidos e meu pai me questiona até hoje porque eu o deixei. Hoje eu vejo que eu o deixei porque eu não fui apresentada devidamente aos sentimentos. "Tuka, esse é o amor. Amor, essa é sua dona, a Tuka". 

E dos meus 15 anos até hoje muita água rolou. Foram vários amores e desamores que se eu fosse brincar de contar as estrelas pra cada um deles, o céu estaria forrado de astros de luz própria e também as apagadinhas, daqueles indicando que o dia seguinte será de um sol esturricante, sabe? Coração vagabundo, como diz meu citado pai. Mas desde o surgimento de minha pessoa, Tuka, eis que esse coração vagabundo virou nada mais nada menos que uma pedra. Pronta para ser atirada em qualquer lago.

Não sei se trata-se de um comportamento maduro, o qual chega junto com a idade aumentando ou por puro calejamento pelas experiências vividas. Ou o amadurecimento que bateu por conta do calejamento... vai saber! Mas sei que muita coisa ainda há por vir, já que nessa novela ninguém sabe descrever o final. E nem tão pouco quero saber. O que seria dessa brincadeira sem o mistério?

Mas a Tuka de hoje só fala de mais um inverno que contabiliza seus aniversários. E junto com ela, o PhD também se torna um ano mais velho... E por aqui muitas experiências, desabafos, amigas que enriquecem esse canto, leitores cativos e fiéis a cada atualização permanecem (e preferem comentar por MSN ou email ou por aqui mesmo), assim como muitos também já se foram - como nas viagens pela vida de Tuka. Viramos um time, amadurecemos nossa forma de relatar o comportamento de nós mulheres e calejaremos com o passar do tempo. O que antes era mágoa, amanhã pode tornar-se uma piada e tanto. Ou não...

O meu time? Um dia será montado sim. Marido, filhos, o Boris... mas sem pressa, pois quem tem sede de amor morre seca de ilusão contraditória. Nada de pensar na idade chegando, a preocupação de estar sempre perfeitamente bonita e não deixar que a beleza natural mostre que a idade chega para complementar o que há de melhor em ser o que verdadeiramente somos. E esse dia chegará quando diante dos meus olhos ele desejar ver o tempo passar e nossas rugas surgirem gradativamente, e mesmo assim, a cumplicidade e lealdade do sentimento ainda nos permitir desejarmos um ao outro.

Pode parecer coisa de contos de fadas, mas não é.
E não Elvis, eu não estou solitária essa noite.
Parabéns, Tuka. Mais um ano de memórias diversas!

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