Meu Deus! O que foi aquilo?

10:26:00



Eu tinha caído na besteira de dar trela pra ele. Um sujeito mais novo, incoerente e todo cheio de vida se aproximou, como quem diz, sem pretensões, e quando dei por mim já estava ali, na sala da casa dele, beijando-o como uma adolescente de 16 anos. Ele não me ganhou no papo, porque nisso ele era fraco, mas me ganhou no olhar. E que olhar! Mas era tão incompetente em mentir! E esse ar ‘pinoquial’ acabava que por me divertir. Estava nítido que estar com uma mulher mais velha, para ele, era algo tremendamente glorioso, e a força que ele fazia para surpreender era tamanha.
Talvez seja isso que me impediu de transformar a figura dele em um ser patético e desprezível; ele me fazia rir. E acabava por transformar sua atitude em algo inocente, como o Pateta.
Inconscientemente eu já introduzi dois personagens infantis em dois parágrafos. Sem contar com ele, claro. Pois seriam 4, já que ele vale por dois. Mas, de início, vocês acharão que estou criticando, ou cuspindo no prato que comi. Mas não. A verdade é que eu tive reais motivos pra tirar tais conclusões, contudo, ele conseguiu ser agradável no tempo certo. Com prazo de validade.
A beleza não era algo que lhe acompanhava, mas o olhar do Gato de Botas do Shrek (olha ai eu colocando mais um personagem infantil no meio, e sem querer!) era de um conforto absolutista. Foram quatro finais de semana em sua cia, quase uma viagem de férias a Disney.
Era divertido estar com ele. Todo atrapalhado, derrubava tudo, batia em tudo e não sei como não tinha hematomas pelo corpo. Apesar disso, eu gostava da forma que me abraçava – envolvia seus braços na minha cintura; um perfeito encaixe. Era doce, carinhoso, infantil e inteligente.
Fui apresentada para alguns amigos, muito agradáveis por sinal. Mas, sempre por trás de uma amizade há um sentimento maior...
Contando objetivamente, um determinado momento a situação começou a esfriar, obviamente. Quando a novidade já não se torna mais tão novidade assim, os defeitos começam a serem realçados, e como todo final de férias, o fim da diversão é inevitável. Mas reparei que intimamente, isso acontece muito rápido comigo. Deve ser pela minha falta de paciência.
Certa vez fomos a um passeio muito agradável, e uma amiga querida nos acompanhou. Mas confesso que aquele dia é algo que hoje me faz rir, mas que muito me aborreceu de momento. Em meio a natureza, conhecemos novas pessoas, fizemos uma deliciosa refeição, o sol estava ameno... uma tarde incrivelmente prazerosa.
Antes disso, tinha sido avisada por um amigo que essa amiga mencionada sofria por um certo amor platônico pelo nosso personagem do dia. Como o relacionamento não tinha futuro, ela ‘aceitou’ a condição de amiga. Passei a olhar por outra ótica a situação, e, altruísta como sou e como já fui julgada, percebi o quão delicado era para ela assistir tudo aquilo entre nós dois. Mas, de fato, essa história bem longe de ser um conto de fadas ficou explicitada de todas as formas possíveis no último dia no ‘Walt Disney World”. A começar pelo ‘encontro’ antes de irmos para o nosso destino. Eles foram me buscar juntos em um determinado lugar marcado, com uma hora de atraso. Sim, juntos, pois ela estava hospedada há 2 dias no apartamento dele. Até aí tudo bem... amigos...não pega em nada. E que onda de ciúme incoerente é essa, Tuka?
Mas... durante o trajeto, ela foi NO BANCO DA FRENTE do carro com ele. Hum...interessante. Observarei melhor os fatos desse momento em diante.
Uma necessidade absurda de se mostrar intima atacou aquela garota. Aí percebi que a onda de ciúme provavelmente vinha dela, e não de mim. Claro que entendi aquela situação com total altruísmo “Tuka, a compreensiva” (nota-se que a palavra ‘altruísmo’ muito aparecerá nessa história, se não se importam)...mas, confesso que não me recordo de 1% do que ouvi, pois tenho o dom da filtragem cerebral por tempo determinado.
Não me recordo de ter tido um minuto a sós com nosso personagem. E a partir do momento em que a presença de uma mochila minha no carro foi questionada, e a noticia de que eu dormiria no apartamento dele foi dada, me dei conta que uma ‘guerra de um só lutador’ tinha sido iniciada. Era como se eu ouvisse um sonoro FIGHT igual ao do Mortal Kombat e eu me deixasse apanhar sem pensar em reagir. Eu queria mesmo era continuar a minha análise como uma terceira pessoa, e não a que fazia parte da história.
Fomos embora. E durante toda a tarde me questionei se seria legal ou não eu realmente dormir na casa dele. Talvez não fosse saudável, mas a curiosidade pra saber até onde isso ia muito me intrigava. Acabei indo, com uma terrível dor de cabeça.
Por lá as coisas não foram diferentes. Até para tomar banho, ela esperou que estivéssemos em companhia de outras pessoas no apartamento. E pela passividade dele com tudo isso, passei a questionar se tudo aquilo não teria sido previamente premeditado.
Na hora de dormir, como se fosse num acampamento de verão, todos optavam pelo lado preferido da cama. Ele escolheu o canto, ela o meio e eu... o sofá. Fui pra sala e, mesmo com tamanha insistência de ambos, não me sentia mais na idade de dividir uma cama de casal com mais duas pessoas. Façam-me o favor, né? Levantei cedinho no dia seguinte e fui embora. Depois de alguns dias, ele me perguntou porque tomei tal atitude, e quando eu disse que já tinha passado da idade de brincar de Malhação, assinei ali o ‘tô de mal’ de nós dois.
Não pensem vocês que senti raiva da guria. Competir um homem com alguém definitivamente é um dos hobbies mais desprezíveis por mim. Mas, o que percebi de fato, é que infelizmente 98% das mulheres ainda se submetem a tudo por um sentimento, como dizia Jabor, inventado por Hollywood para vender filmes, chamado AMOR. Elas pecam, se omitem, aceitam, desvalorizam-se, não concretizam seus sonhos, pulam obstáculos sem ter o próximo passo, salivam e no final pedem pra sair.
Analisando ambos os lados. Porque ser passivo a isso? Ego massageado? Alimentar o evitável a troco de quê? E para a pessoa que vive isso, pra que aceitar essa condição? E porque agir dessa maneira? Espírito competitivo? Ser altruísta requer prática, não casa com o famoso ‘ação x reação’. Há todo um processo de adaptação, e para os maliciosos, lembra até um pouco o cinismo e a ironia. Há quem não acredite na existência do altruísta, pois são poucos, de fato, que conseguem adotar essa prática com facilidade.
Portanto, se a personalidade não se encaixa com essa condição, meninas, vão à luta! Siiiimmmm! E isso exige atitudes, como tentar, se arriscar, se não der certo, cair com classe, sacudir a poeira e amar a si mesma. Afinal de contas, ninguém morre de amor. 



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