A espera de que algo aconteça...

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Já ia fazer um ano e aquela história ainda estava entalada na garganta. O que foi dissolvido concretamente por ele em um piscar de olhos, em mim ainda tinha muito o que por a limpo.
Eu não evitava conhecer outras pessoas, mas por mim ele morreria encalhado, já que ele foi o principal responsável por me deixar descrente de algo que, para muitos, pincela a vida com mágica.
Pois bem, nessas tentativas isoladas, eis que conheci um certo alguém. Como é possível você ser fisgada por palavras bem escritas? Claro que aquela figura de olhos claros contribuiu e muito para que tais palavras surtissem um efeito colateral em meu estômago, - aquele famoso frio na barriga, o qual mistura com a curiosidade e torna-se um interesse eloquente - e vencendo a contrariedade de uma razão amargurada que teimava em se instalar no gelado coração, consegui um aprouch virtual.
Era um saco o meu comportamento quase adolescente! Se eu via a janelinha dele subir no canto direito da minha tela, eu pensava 643.438.383 vezes antes de fazer o primeiro contato. E dava graças à Deus por estar atrás de um computador; assim ele não via a euforia em que eu ficava quando lia um singelo e tímido 'oi'.
Mas tínhamos um tremendo problema: ele morava em outro país! Como se já não bastasse, algo tinha que complicar a situação! Tá certo que uma vez ou outra ele vinha para cá, mas... acabou tornando algo que me deixasse mais atrás do que na frente.
As conversas eram intermináveis e assuntos brotavam que nem percebíamos a hora passar. E o que mais me deixava afim era o fato dele ser tão difícil. Não na personalidade, mas da gente conseguir se esbarrar virtualmente nos horários certos. O fato da curiosidade, da conversa ser tão saudável quanto madura, de não haver 'babações de ovo' nessa troca virtual e por tamanhas afinidades me faziam realmente querer esquecer da hora.
O problema é quando isso torna-se um vício, né? Abrir teu e-mail depois que chega de uma balada pra ver se ele te escreveu, deixar de tomar uma cerveja com os amigos porque sabe que naquela madrugada provavelmente ele estará online no trabalho, cotar passagens de avião e os melhores hotéis para uma suposta viagem turística precisamente naquele país etc., são sintomas deploráveis de vício ao namorico na rede. Mas, não foi Piérre Levy que defendeu a interação no ambiente web?
O que parecia conspirar para que eu acreditasse ainda mais em uma possibilidade era que tudo ao meu redor parecia não ter a mesma graça. Pessoas mais preocupadas com o que você aparenta do que com o que você é de verdade, o sexo para a maioria ser muito mais importante do que uma boa conversa jogada fora no segundo encontro... e toda vez que isso acontecia, lá ia eu dar aquela sumida básica. E voltar pra casa pensando se com ele seria diferente já tinha virado uma rotina.
É a bendita/maldita dúvida X curiosidade! Tão persistente quanto insuportável! Já estava chato brincar de esquecer as pessoas que mal fizeram força para serem lembradas, devido a falta de merecimento ou porque simplesmente não envolveu. Na verdade, senti a necessidade de me centrar no que eu queria de verdade: esquecer aquele passado, me concentrar em um novo futuro, ou simplesmente não pensar em nada: nem em conclusões, nem em soluções e nem em ninguém.
E o passado impertinente insistia em assombrar o presente, fazendo-se presente nas mais indevidas situações. Uma ligação recebida em um momento de devaneio, um 'olá' surpresa na porta do trabalho... contribuem para que eu perceba que o coração de Tuka é o mais tolo e burro da face do planeta...
Quem sabe eu não vá descansar a cabeça em Paris...



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