cap. 15 - A vida não pára!


Uma garoa fina caia enquanto nos olhávamos insistentemente. Era fato que eu estava me sentindo carente, e precisava muito de um abraço. Mas não era o dele que eu queria.
Ele quebrou o silêncio me perguntando como eu estava. Estava implícito que eu não estava como eu queria. Só abaixei a minha cabeça.
Ele pegou na minha mão e disse com muita sinceridade que sentia muito. Não era de sua vontade ter me deixado tão magoada, mas que sua maturidade não estava incluída em sua vida sentimental. Isso não era um dos melhores consolos, mas o fato dele passar por cima do orgulho o qual eu conhecia como a palma da mão, já era uma grande diferença.
Eu não respondia nada. Queria só ouvir. Minhas mãos se entrelaçaram e repousaram nas minhas coxas. Olhava somente para elas. Ele puxou meu rosto com delicadeza para que eu pudesse olhar nos olhos dele.
Foi duro ouvir coisas que eu tinha feito questão de enterrar sem entender. Depois dele, muita coisa na minha vida mudou. Aprendi a andar com as minhas pernas, sem acreditar na necessidade de depender sentimentalmente de outro alguém. Ele me deixou no momento mais inoportuno - eu precisava de alguém segurando a minha mão quando eu o vi largando ela... foi difícil lidar com duas perdas de uma só vez. E depois de superar, decidi trancar minha vida sentimental a 7 chaves. Arremessei as 7 longe! E nunca mais queria ter pressa para encontrá-las...
Me tornei independente em todos os sentidos. Antes eu já era, mas senti a independência nessa nova fase. E isso foi condecorado cortando minhas longas madeixas. Tornando-me a mulher que se escondia em mim. Deixando para trás a fragilidade que se afeiçoava nas minhas imperfeições. Na menina mulher que escondia uma força desconhecida.
Mesmo na superação eu chorei várias noites. Senti saudade. Me senti inútil. Queria ligar. Mas tive que me render ao jogo de gato e rato que sempre detestei.
Hoje ele estava diante de mim, na porta da minha casa, debaixo de chuva, pedindo perdão. Ele não sentia a necessidade de voltar, mas queria estar perto. Mas eu precisava ficar longe. Não era meu intuito, ainda mais depois daquela ligação no banheiro, pensar em mais nada que se relacionasse a sentimento. Eu queria me apaixonar por mim, pelo meu trabalho, pela minha nova vida. Mas senti saudade daqueles olhos me olhando. Não desgrudando um minuto sequer de mim. E a única coisa que consegui responder diante disso, foi com uma lágrima rolando no meu rosto...
Ele a enxugou, me deu boa noite e disse que eu seria pra sempre aquela que marcou a sua vida. Independentemente do que o futuro tinha pra nos oferecer.
Eu fiquei ali, sentindo as gotas finas no meu rosto, vendo o carro dele se afastar do meu portão. Sem sentir culpa, sem sentir nada...apenas um vazio dentro de mim.

...continua...




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