Poulain pt4: A Carta

14:22:00




'Fui ao banheiro, tomei um banho, me vesti, e dirigi até a minha casa, onde meus pensamentos, não pararam, nem por um minuto, ali eu me encontrava com as mesmas dúvidas, apenas seguindo meu caminho, sem olhar pra trás, e Luque ? onde estaria Luque agora...'

Chegando em casa, logo pensei em não ir a porcaria de encontro nenhum, afinal ele sabia onde eu morava, sabia meu telefone, podia muito bem ir até lá e conversar sem neuras! Mas algo me dizia pra deixar o orgulho de lado e ir. Peguei um papel e uma caneta e escrevi um bilhete pra ele, o qual deixaria na porta de sua casa:

"Sinceramente não da pra te entender; nos beijamos, você some, você aparece, depois desaparece, depois de uma longa noitada de sexo! Dá pra te entender ? sinceramente, NÃO! Eu não sei o que se passa na sua cabeça - se você esta com medo de alguma coisa, ou se está amargamente arrependido, mas eu tenho certeza, que eu mereço uma explicação, um sim ou um nunca mais"

Coloquei dentro de um envelope e deixei ali, em cima do rack da sala, ao lado da TV...
Decidi ocupar o meu dia - dei uma de Amélia e limpei a casa, lavei roupa, organizei uns desenhos. Nem vi a hora passar, quando olhei no relógio já eram 5h30min e eu ainda não sabia se ia ou não vê-lo.
Depois do banho acabei me convencendo de ir. Coloquei um vestido azul-turquesa, com um salto fino delicado, uma bolsa de mão, apanhei a carta e sai de casa, dessa vez resolvi ir de metrô, teria mais tempo pra pensar no que dizer, e ensaiar meu auto-controle, além de ter uma desculpa pra voltar pra casa cedo.
Cheguei pontualmente no 'bar das sextas-feiras'. Estava eu sentada no horário combinado no balcão, de frente pro mesmo garçom segurando o mesmo pano branco! 
Entre uma dose e outra de whisky o tempo passava, passava sem pressa, zombando da minha impaciência! Até que, algo me fez cair na realidade: começou a tocar 'Candy' e Luque já estava 45 minutos atrasado.
Me embriaguei de álcool e impaciência, levantei com a minha comanda na mão e segui em direção ao caixa. Depois de pagar fui a caminho da estação sem pressa e morrendo de raiva.
Quando me dei conta já estava sentada dentro do vagão, perto da estação que  desembarcaria - tudo foi muito mecânico, eu estava com o pensamento longe, talvez a força do hábito tenha me guiado... na realidade, não sei dizer! 
Levantei e fiquei ali, parada me olhando naquela porta de vidro que me refletia, mas algo me tirou a atenção. Havia uma mulher na plataforma, altura mediana, cabelos claros, olhos verdes, estava bem vestida, com os olhos meio lacrimejados, talvez por sono, ou por qualquer decepção como a minha. Nos entreolhamos por segundos, logo a porta se abriu e ela entrou no vagão o qual eu tinha acabado de deixar.

...continua...

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