criaturas extraordinariamente brilhantes, de Shelby Van Pelt

 


Tova, uma viúva septuagenária em luto. Marcellus, um polvo-gigante-do-Pacífico que vive em um aquário. Um ensaio sobre como a solidão pode ser transformada e superada com o toque sutil de outra criatura. “Uma cativante e sensível obra de estreia sobre a sensação de ter o amor roubado de si, apenas para reencontrá-lo no lugar mais inesperado… Memorável e delicado.” ― Washington Post “Cada protagonista é profundamente humano, com falhas e excentricidades desenvolvidas com cuidado. Mas o que deixa o romance de Van Pelt mais charmoso e divertido é a amizade carinhosa entre espécies e as formas como Tova e Marcellus tornam um ao outro mais extraordinários e brilhantes.” ― BookPage “Para além da amizade inesperada, o romance de estreia traz uma reflexão completamente original acerca da perda e dos laços que nos motivam a seguir em frente.”

Sinopse da editora



Eu amo embarcar em histórias que dá vontade de viver em um determinado lugar, de conhecer personagens que sequer existem, que nos leva a um sentimento de empatia e compaixão em níveis inimagináveis, e fazia um certo tempo que não sentia tudo isso lendo um livro como foi com "Criaturas extraordinariamente brilhantes". Que livro bom! O filme então... nem se fala! Mesmo com muitas diferenças entre a obra original e a adaptada, ambas levam para uma mesma conclusão, mesmo que seguindo alguns cursos diferentes.

No livro achei que a narrativa conduziu mais o foco no receio de Tova de envelhecer sem nenhuma cia, mesmo sendo rodeada de pessoas que nutriam um enorme e genuíno carinho por ela. Marcellus, por sua vez, era um polvo tão observador quanto no filme, porém no livro ele era um observador mais contemplativo com o comportamento humano em um contexto geral. E Cameron conseguiu ser na obra original um sujeito mais genioso e menos empático. O filme não deixa esse receio de Tova de lado, mas ter focado a narrativa mais na construção da amizade entre Tova e Cameron deixou tudo mais leve, delicado e gentil com a história de ambos. 

Acompanhar a rotina toda doutrinada da Tova nos leva a um sentimento muito aconchegante - de lembrar de uma mãe, de uma avó ou de uma tia com o mesmo jeitinho. Quem nunca conheceu uma senhorinha pequenininha, mas cheia de energia, agilidade e força, na mesma medida que consegue dizer qualquer coisa que pode parecer dura, mas mais assemelha-se a um colo, um cuidado, um acolhimento delicioso de receber? 

E também é impossível não torcer por Cameron, seja ele a versão literária ou do cinematográfica, para que tudo o que dá errado em sua vida seja recompensado por uma notícia boa, um acontecimento dando certo, algo que finalmente arranque um sorriso do seu rosto e lhe devolva a vontade de conquistar alguma coisa na vida.

Enfim, essa é uma história que vou carregar no meu coração, porque terminei a leitura abraçando meu Kindle, terminei o filme com o coração quentinho, pois se tornou meu filme conforto, aquele que a gente coloca pra assistir de novo em um dia ruim, em uma TPM que a gente só quer um lugar quentinho pra ficar quieta ou em uma noite de insônia que a gente precisa de algo pra distrair a cabeça - uma história sobre superação sem romantizar nada, sobre se sentir pertencente à algum lugar, à uma comunidade, de se permitir ser acolhida, querida e amada, é sobre buscar a sua história, sua identidade, e principalmente, sobre entender que a vida pode seguir sem precisar apagar quem nos deixou marcas insuperáveis. 


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