Diane sempre sonhou com pouco: um marido, dois filhos, um trabalho que lhe fizesse sentido — mais do que jamais se permitiu desejar. Mas, no dia em que Seb a deixa, seu mundo desaba. Entorpecida pela dor, ela não percebe o outro silêncio que cresce ao seu redor: no quarto em frente, o riso de Lou se apaga.
Aos dezesseis anos, Lou sofre o tumulto da adolescência e o impacto do primeiro amor perdido, uma perda que lhe arranca mais do que lágrimas. Quando Diane finalmente se dá conta, está disposta a tudo para resgatar a filha, mesmo que isso signifique revisitar um passado do qual tentou escapar.
Mãe e filha caminham sobre um fio tênue, entre o que foi e o que pode ser. Sob seus passos, o turbilhão da vida ruge, e ameaça arrastar consigo as suas horas mais frágeis.
Sinopse da editora
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"Acho que é parte do pacote. Nasci com o kit "sentir tudo mais forte". A tristeza, a alegria, mas também os sons e a dor física. Tenho sentidos de super-herói. Ouço o menor barulho e fico presa dentro dele. Sempre abaixo o volume da música ambiente e me sinto perdida quando várias conversas estão rolando ao mesmo tempo. Sou capaz de matar alguém mastigando de boca aberta perto do meu ouvido. Barulho de motor me impede de dormir. Em casa, à noite, uso protetores auriculares para não ouvir a vida dos vizinhos. Aqui, descobri o silêncio. Também sou sensível à luz. Uso óculos de sol, senão meus olhos ardem. Filmes em 3D me deixam enjoada e alguns jogos de vídeo game me causam vertigem."
Mais um livro de Virginie Grimaldi finalizado, sempre suspirando com o tamanho da delicadeza que essa mulher tem de contar histórias, que te prendem do começo ao fim, cada livro a sua maneira, cada história de um jeito que te toca em um lugar diferente.
As horas frágeis vem de um lugar muito importante na vida da autora: ela conta que todos os sentimentos, os barulhos do mundo altos demais escutados por Lou fizeram parte também da sua realidade na juventude. Eu sei bem como é esse volume, e ele foge totalmente do nosso controle em regular a intensidade dentro da gente.
E justamente por me identificar muito com o tema que senti falta de algo. Um aprofundamento melhor dos personagens, seja da protagonista, seja dos coadjuvantes que cercaram a Lou em grande parte da história.
Achei o livro meio corrido - não senti que as histórias da Diane e da Lou foram construídas de maneira convincente. Senti falta de ter mais conexão com as personagens: de conhecer mais a fundo a personalidade da Diane e o processo de terapia da Lou de maneira mais detalhada. Se a autora tivesse se aprofundado no processo terapeutico de Lou, o livro teria um acolhimento ainda maior para quem se identifica com a personagem. Sei que isso exige estudo com profissionais qualificados, mas seria uma coisa que Virginie tiraria de letra.
Queria ter visto mais na juventude da Diane. Senti que a autora ficou preocupada demais em construir o plot, e por isso foi necessário esconder muitas coisas que não entregasse a surpresa que ela queria entregar. Mas o foco na narrativa deixou o enredo um pouco precário, e é justamente aqui que jogo a culpa por não ter me conectado com ela.
Queria ter visto mais na juventude da Diane. Senti que a autora ficou preocupada demais em construir o plot, e por isso foi necessário esconder muitas coisas que não entregasse a surpresa que ela queria entregar. Mas o foco na narrativa deixou o enredo um pouco precário, e é justamente aqui que jogo a culpa por não ter me conectado com ela.
A Lou também merecia um tempo a mais de contato com seus novos amigos para justificar tamanho apego. Podemos encarar a identificação dela com os outros como a justificativa para esta conexão instantânea, mas, para mim, não foi trabalhada o suficiente para me convencer.
Enfim, eu gostei, mas não amei. Esse é o único livro da autora que não dei 5 estrelas (mas dei 4).
Outras obras da autora que resenhei:
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