Leitura saudosista com "O verão que mudou a minha vida"

 



Uma das recordações mais fortes da minha infância é quando eu ia com os meus pais quinzenalmente para Caraguatatuba. Meu avô, que já era um senhorzinho na época, morava em um sítio por lá, e meu pai sempre descia a serra com a gente para dar um suporte a ele. Essa rotina aconteceu até o início da minha adolescência, e apesar de eu ser a única criança naquele núcleo, foi uma das fases mais legais daquele período.

Ler "O verão que mudou a minha vida", da autora Jenny Han (conhecida pela trilogia "Para todos garotos que amei", adaptada pela Netflix recentemente) foi voltar no tempo e lembrar de todos os momentos que passei com o meu falecido avô, os dias na praia com minha mãe, as porções de camarão, a visita à livraria da cidade e encher o saco do meu pai para comprar livros da coleção Vagalume... e todas as coisas boas que vivemos no litoral durante a infância.  

Foi nessa época que escrevi minhas melhores memórias, assim como Isabel, (chamada carinhosamente por todos como Belly), que passou todos os seus verões em Cousins Beach, Massachusetts, ao lado da família da melhor amiga de sua mãe. Nos livros você acompanhará a vida desta protagonista dos 15 aos 24 anos, e saberá como ela se saiu lidando com um triângulo amoroso entre dois irmãos.

A sinopse superficial da editora:

A vida de Isabel Conklin é marcada pelas férias de verão. As outras estações do ano são como um intervalo, dias que passam lentamente enquanto ela espera que o sol lhe traga de volta o que mais ama: o mar, descanso, diversão e, principalmente, Conrad e Jeremiah Fisher. 
Os garotos da família Fisher sempre estiveram ao lado de Belly em suas aventuras. Conrad é ousado, sombrio, inteligente. Já Jeremiah, é confiável, engraçado, espontâneo. Mesmo sendo tão diferentes, os três constroem uma amizade que parece inabalável. 
Apenas parece. 
Tudo muda quando, em uma dessas férias, Conrad demonstra sentir algo por ela. O problema é que Jeremiah faz o mesmo. À medida que os anos passam, Belly sabe que precisará escolher entre os dois e encarar o inevitável: ela vai partir o coração de um deles. Na trilogia Verão, acompanhamos Belly dos 15 aos 24 anos. Em meio a descobertas e mudanças, ela se apaixona, se envolve em um triângulo amoroso, entra na universidade e descobre que amadurecer também significa tomar decisões difíceis. Primeiros romances jovens de Jenny Han, os três livros são agora relançados pela Intrínseca, com novas capas e traduções inéditas.

Livro 1 - O verão que mudou minha vida

No primeiro livro da trilogia, somos apresentados aos personagens, e além de Belly, seu irmão mais velho Steven, os filhos da melhor amiga de sua mãe, Conrad e Jeremiah, e também as mães de toda essa galera aí. Apesar de Isabel já ter 15 anos na história, os flashes dela vão desde a infância até a sua pré adolescência, todos vividos em Cousins. Descobrimos que Belly tem o primeiro contato com o amor em um sentimento platônico por Conrad, que uma das adultas da história enfrenta uma doença séria, e como tudo isso desencadeará muitas histórias para o segundo livro. 


Livro 2 - Sem você não é verão


O segundo livro da série te oferece um sentimento agridoce: aqui lidaremos com personagens em luto, e ao mesmo tempo, descobrindo e usufruindo do amor. Dos três, é o meu livro preferido, porque enquanto no primeiro somos apresentados aos possíveis cenários, no segundo a coisa toda se desenrola... e depois enrola mais um pouco. 

Mesmo lidando com a perda de uma pessoa muito próxima, Belly ainda se sente em conflito com muitas questões que só a adolescência nos desencadeia. E por mais que seja um livro 100% juvenil, é gostoso relembrar como nos sentíamos diante de certos acontecimentos naquela fase da nossa vida também. 

Nessa história, Steven já não se torna mais tão presente no enredo, nem na vida de Belly, pois o irmão mais velho vai para a faculdade. Mas os laços com os irmãos Conrad e Jeremiah se tornam mais fortes além da praia. E isso muda completamente a vida da protagonista.


Livro 3 - Sempre teremos o verão



No último livro da série você facilmente cultivará um ranço forte pela protagonista. Isso porque Belly se torna uma pessoa impulsiva e teimosa, beirando a irresponsabilidade. E não se trata de uma fase adolescente - aqui Isabel despiroca mais do que quando era mais nova.

Isabel se forma na escola e se muda para o alojamento da faculdade - a mesma que um dos irmãos  Fischer começou a estudar também antes dela. Esses dois tomam uma decisão que te dá vontade de entrar no livro e colocar a menina de castigo. Por mais que sua mãe lhe mostre e quase desenhe que o cenário criado por ela não é a melhor decisão, Belly insiste em levar a ideia a diante, mesmo parecendo que todos os que a cercam não estão de acordo também. 

Talvez a graça deste desfecho da trilogia seja justamente este: você passar a amar os coadjuvantes porque a protagonista mesmo é só ladeira abaixo. Acompanhar um personagem que só faz escolhas terríveis por conta de coisas que ela criou na cabeça dela, é desesperador. Mas perceber que a rede de apoio dela tenta colocar, mesmo que de maneira sutil, algum juízo na cabeça dela, remedia todos esses danos.

A Trilogia Verão foi traduzida e lançada no Brasil em 2019, e é uma história bem doçurinha de curtir, sem muitas surpresas, beirando o clichê, mas cativante de uma maneira deliciosa, ideal para relaxar. E coincidentemente, terminei o último livro junto com o fim do verão...

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