As viagens da Lou Leal - Tromsø



Continuando com meu tardio diário de bordo, hoje vou contar sobre a terceira etapa da minha viagem, a minha visita a Tromsø.

Durante a narrativa sobre Oslo, imagino que vocês devem ter se perguntado se nessas 5 vezes que estive na Noruega, visitei apenas uma cidade. Nas 3 primeiras sim, mas em 2016 estive em Trondheim e ano passado fui mais para cima ainda! Para quem não se localizou, Tromsø fica bem ao norte do Noruega, acima do Círculo Polar Ártico, a 69° Norte. Dá pra ter uma noção do quão perto cheguei ao topo do planeta? Este foi o dia que até coloquei para tocar Top of The World, do Van Halen, no quarto do hotel.



Quando planejei minha viagem, a intenção conhecer tanto uma nova cidade na Noruega, quanto ver a Aurora Boreal. Idéia que se fixou e me perseguiu desde minha visita a Trondheim, um ano antes, porque foi lá que a vi pela primeira vez, bem tímida, mas o suficiente para me emocionar. Coloquei na cabeça que veria o fenômeno novamente, nem que precisasse ir até o local onde elas nascem. E assim foi.

Durante meu planejamento, até aplicativo eu baixei para poder acompanhar quando e como eu poderia ver a Aurora Boreal, peguei algumas dicas na internet, e etc. Mas a principal era: para que ela pudesse acontecer, o céu teria que estar limpo, sem nuvens.

No dia que eu cheguei em Tromsø, chovia muito, e isso me chateou bastante!!! Não havia esperado tanto e viajado tanto para não conseguir ver a Aurora, e não era justo aquilo estar acontecendo. Fiquei muito desapontada, mesmo após a recepcionista do hotel me dizer que a previsão do tempo para o outro dia era boa. Porém naquele momento eu só conseguia ver a chuva e a ideia de ir embora totalmente frustrada, porque só passaria 2 noites, e uma delas já tinha ido pro brejo.

Pra acalmar meu coração, resolvi dar uma saída na rua, apesar de já ter passado das 21h, queria comprar umas cervejas e tentar me animar um pouco. Fui ao mercado e descobri que a venda de bebidas alcóolicas só eram permitidas até as 20h, fora desse horários apenas em bares e restaurantes, custando muito mais que no mercado, mesmo não sendo tão baratas. Acabei indo a uma pizzaria, pedi uma para viagem e tomei uma cerveja enquanto aguardava, mas a cerveja tinha um gostinho de ‘derrota’, porque eu estava chateadíssima.

Voltei para o hotel, comi minha pizza, assisti Netflix e acabei pegando no sono. Bom, ao menos a janela do meu quarto tinha uma vista legal da cidade e das montanhas - nem tudo podia ser tão ruim assim (todas as vezes que fico em hotéis tenho as vistas mais horríveis do mundo, normalmente pra lugar nenhum). Mas ainda não havia sido suficiente para me animar. 

Assim como todos os outros dias, acordei bem cedo, precisamente às 7h30min do horário local, de madrugada no Brasil (estávamos com 4 horas de diferença). Olhei pela janela e estava nublado. Desencanto total! Mas no aplicativo dizia que ela apareceria, e foi isso que me fez ter um pouco de fé. Segui o dia passeando pela cidade.


Essa era a vista do quarto do hotel que fiquei e esse foi o céu na hora que acordei

Eu ainda continuava sem sinal de internet na rua, salvo quando estava em local com wifi, então tive que contar com meu senso de direção e o mapinha que peguei no hotel, mas Tromsø é tão pequena que quase não foi necessário, e consegui me virar bem pela pequena e bela cidade.

Lembram que eu disse para vocês guardarem o nome de Roald Amundsen*? Pois bem... quando saí para passear, com meu roteirinho de visitas traçado, ao passar por uma praça, qual foi a primeira figura que avistei? Uma estátua do próprio! Meu brother estava lá, no meio do meu caminho, e ri sozinha por conta da surpresa! Para mim não era apenas o encontro de uma estátua, aquilo tinha todo um significado pessoal. E como disse na história anterior, virei fã dele, e de repente encontra-lo mais uma vez deu um tom diferente aquele trecho da viagem. No fim, a minha decepção por talvez não poder ver a Aurora diminuiu um pouco. Tirei fotos em frente a estátua e fui em direção ao Museu Polar.


* Roald Amundsen é uma figura muito importante na Noruega e ele morreu perto de Tromsø, após a queda de seu avião no Mar de Barents, perto da ilha de Svalbard, no Círculo Glacial, em 1928. O corpo dele e dos outros passageiros nunca foram encontrados.

Logo na entrada do museu, quem eu encontro novamente? Amundsen! Dessa vez um busto apenas. É que esse museu narra as histórias do tempo das explorações, caça e pesca polar. Então lá dentro você encontra vários itens, fotos, objetos, animais empalhados (achei meio freak isso), e salas dedicadas da Amundsen e Nansen, os dois principais exploradores do país.







É uma ossada de verdade








A partir dessa visita meu humor tomou outro rumo, e comecei a me conformar com a ideia de não poder realizar meu objetivo, mas que estava conhecendo uma cidade linda, apesar de pequena. Tentei aproveitar o meu passeio da melhor forma possível. Fui visitar a Catedral do Ártico , atravessando a Tromsø Bridge, uma ponte imensa que liga os dois lados da cidade, visitei lojinhas, tentei achar o único estádio da cidade (não achei e me perdi em um bairro residencial), mas conforme ia chegando ao fim do dia, a temperatura foi caindo, então resolvi voltar para o hotel para me aquecer, já que meu rosto estava começando a sentir o frio.



A Tromsø Bridge, que usei para chegar a Catedral do Ártico




Catedral do Ártico




Minha cerveja favorita na Noruega, versão Light e a pizzaria mais legal (só tem lá)





O céu ainda estava meio nublado, haviam nuvens com algumas aberturas, mas não foi o suficiente para me animar. Já estava conformada com a possibilidade de não ver nada, então saí para buscar umas cervejas. Já eram 19h e logo estariam encerrando as vendas. Fui até o mercado e quando saí resolvi ir até a estátua do Amundsen novamente. Depois de todo aquele tempo sozinha, sem ter ninguém pra conversar, de repente me peguei batendo papo com a estátua, falei para ele que com certeza foi ele que tinha me levado até ali, que aquela visita foi muito especial para mim e encontrá-lo teve um significado muito especial, apesar de estar chateada. Depois de encerrar esse meu papo, me virei para olhar as montanhas e meu coração parou por alguns segundos.

Sem brincadeira, gente! Na hora que eu olhei, comecei a ver os flashes verdes saindo de trás das montanhas, ainda fraquinhos por causa de algumas nuvens, mas ainda sim estavam saindo. Parecendo o movimento de ondas, mas no céu! Me arrepiei de novo e me emocionei ao relatar aqui esse momento, porque nessa hora minha respiração parou e eu fiquei em choque! 

Pensei: PQP! Deixei a máquina no hotel, preciso voltar para busca-la! O modelo que eu tinha no momento era a das mais comuns, e uma das recomendações que vi era que para conseguir fotos legais, era necessário ter uma máquina semi profissional ou profissional, de preferência com um tripé para estabilizar. Eu só tinha uma automática emprestada, já havia gasto dinheiro demais com a viagem, e não queria gastar mais com uma câmera que sabe lá quando eu usaria de novo!

Foi nesse percurso que percebi que não precisava voltar para rua, pois da janela do quarto que eu estava dava para ver tudo! Mesmo assim preferir ir até a frente do hotel para poder ter mais sorte com os registros da minha humilde máquina (nesse momento o céu havia limpado quase que totalmente). Depois voltei novamente para o quarto, me sentei na poltroninha que ficava de frente para a janela, abri minha cerveja e fiquei apreciando o espetáculo. Ela vinha, ficava dançando um tempo no céu e depois parava, passava um tempinho e ela retornava. Quando aparecia mais forte, eram os momentos que aproveitava para tirar fotos. Acredito que fiz muitos registros, uns 50, mas desses consegui aproveitar somente três (a melhor está aqui no post). Tive sorte mesmo com uma câmera comum, mas as imagens que ficaram na minha memória nunca mais se apagarão, pois estão nítidas até hoje.



Fiquei ainda mais alguns momentos assistindo aquele fenômeno (segundo o aplicativo, a atividade seria visível até as 3h, fiquei vendo até 01h, mais ou menos) e adormeci.

No outro dia eu acordei pensando se tudo não tinha passado de um sonho - eu estava encantada. Encantada com a cidade, com o que havia visto... percebi que a sorte começou quando o quarto que eu fiquei me deu uma visão privilegiada do evento, praticamente um camarote. Que todos aqueles acontecimentos desde o dia que cheguei, a chuva, o Amundsen, tudo, tinham construído todo um cenário pra transformar aqueles poucos dias em uma visita muito especial. Deixei a cidade incrivelmente satisfeita e feliz, sem esquecer de ir até a figura do meu ‘bróda’ para agradecer por tudo e prometer um feliz encontro em breve.




Pronta para a etapa final, que contarei no próximo post.
Ha det bra!

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