Cala a boca Pelé


Pelé, rei do ostracismo

Senhor Pelé, 
Apesar da maioria saudosista achar que outras gerações deviam saúda-lo como Rei, sinto muito lhe dizer a minha sincera opinião: Acho que as pessoas perderam tempo demais te chamando de Rei, invés ter-lhe dito para procurar um psicanalista.

Que raios de exemplo é um ídolo negro, se ele próprio não enxerga a cor que tem? Okay, o senhor deve ter certeza que graças ao seu futebol ou que graças a sua postura de esportista, você é o homem do século, ou que sua conquista foi sagrada.

Mas diga cá, se realmente não seria mais glorioso, se o senhor tivesse aproveitado seu fator gênio, para justiçar uma raça inteira, para pôr nos pés da sociedade que sua cor não representa o preconceito. Eu não estava lá, portanto seria digníssimo ouvir de você, que o apelido dado ao Fluminense de "pó de arroz" nos meados de 1925, por fazer um jogador negro usar pó no rosto para "esconder" a sua cor, na verdade era um hábito do jogador Carlos Alberto usar o tal pó, após fazer a barba antes das partidas. Seria digno ouvir a sua opinião, de que tal atitude ofensiva, dos times rivais, na verdade era uma provocação sem talento para virar racismo, e que tal ato racista estava de fato na palavra daqueles que ajudaram essa ladainha de telefone sem fio virar história.

Mas o que digo possa fazer sentido hoje, e naquela época, antes de ser rei, você fosse mais um acuado pela opinião massiva e pública do sistema daqueles anos. Talvez o conforto do sucesso fosse mais interessante, talvez suas ambições não eram tão grandes, quanto ser um ídolo moralista, ao contrário do que é hoje, um sensacionalista. 

Minha pergunta pra ti seria: Onde estava o seu senso social, quando homens como Malcom X ou Nelson Mandela, já estavam fazendo história? O que o senhor sentiu, quando os noticiários de 1965 anunciava o assassinato de um dos maiores defensores do Nacionalismo Negro? Talvez eu saiba: O senhor estava num amistoso com a Bélgica se consagrando com a bicicleta perfeita, e talvez também não tenha gostado da repercussão do assassinato ter sido mais notória do que a sua bicicleta.

Creio que a realidade do resto do mundo, era bem diferente do nosso país, por isso não era obrigação só sua de pensar que podia fazer algo muito maior por você e pela cultura do SEU país. Francamente, se tivesse dado outro exemplo, mais digno de sua raça, não estaria aqui achando que o senhor é um homem comum, que é só tirar as chuteiras e logo se vê uma criatura preconceituosa, alienada demais para conhecer um psiquiatra, e medíocre demais para reconhecer os teus.

Enfim, sou uma Maria ninguém. Não nasci com dote algum para chegar onde você chegou. Mas tenha certeza que se você tivesse nascido nessa geração, onde para ser um Homem de exemplo é preciso estar consciente do seu pensar e agir, com certeza o senhor não seria o mito pelo qual foi tachado.

Sabe porque? Por que hoje temos outras prioridades além de divertir o povo. Se antigamente o futebol era a melhor opção de grandeza de uma nação, saiba o senhor que hoje essa verdade é tão mística quanto o senhor. Temos valor em pessoas que falam de diferenças sociais, raciais, econômicas, ciências, políticas... E outras diferenças que eduquem suas gerações e não que se conforme com infortúnios. 

Bem disse Hédio Silva Júnior, ex-secretário da Justiça de São Paulo, que:  "Combater o racismo sem mostrá-lo, é uma posição um tanto esquizofrênica" - E não se assuste se essa for a opinião da maioria. Pois eu, como Maria Ninguém, esperava no mínimo, que usasse da sua imagem para qualificar o debate sobre o racismo no mundo.

Então finalmente, estamos em um novo século e de novo, tenho a vontade de perguntar, onde estava a sua alma de negro, quando ano passado morreu Nelson Mandela, um líder que lutou a vida inteira pela sua cor? Será que de novo, o senhor estava chateado com a notoriedade da morte dele sobre alguma notícia vinculada a qualquer resquício de sua existência?

"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram os que realmente mudaram o pensamento dos homens à respeito de si mesmos". - O senhor sabe quem disse essa frase? Desconfio que não, porque você escolheu o ostracismo. Optou por ser de uma cor neutra.

O senhor é rei em constranger não só uma nacionalidade de raça, mas uma nação de semelhantes, o senhor é craque em opinar asneiras. Desejo que antes tarde do que nunca, faça uso dessa frase de Malcom X e conscientize publicamente, de quanto o título que ostenta, é a sua parte contribuinte para a cultura do nosso país... Desejo principalmente, que algum dia, alguém aponte o dedo na sua fuça pra te lembrar não da onde você veio, mas pra onde o senhor vai...

Boa Sorte filho do Preconceito.

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