Saudosismo é meu sobrenome

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Esses dias estive executando minha mania mensal de arrumar armário/separar coisas pra doar ou jogar fora e encontrei uma caixinha cheia de cartas de amigas da época da escola. Umas foram escritas e entregues durante a aula, outras que chegaram pelo Correio durante as férias, e as mais legais foram escritas quando me mudei de Guarulhos para Arujá - aquelas cheias de saudades, novidades e desenhos com canetas coloridas. Fiquei cheia de saudade e me lembrei quantas e quantas coisas boas daquela fase que hoje não existem mais. Quando digo coisas, me refiro a comportamento mesmo, que aproximam pessoas, nos fazem ter amizades saudáveis e que nos enchem de saudade quando relembramos tais momentos.
A gente pode começar esse assunto falando das cartas que encontrei. Hoje em dia é muito raro amigas trocarem cartinhas com confidências, com palavras de carinho ou qualquer outra coisa porque o WhatsApp ou o Imessage estão aí pra isso. Ou até mesmo as ligações. Me lembro que meus pais promoviam brigas homéricas comigo porque eu ficava horas pendurada no telefone com alguma amiga, que estava contando qualquer besteira sobre o menino que ela gostava. Hoje em dia eu não suporto atender telefone, imagine os adolescentes? Como diz uma amiga, em tempos de WhatsApp, uma ligação é prova de amor...
Outra coisa que mudou muito foi os encontros da 'turminha' (como era muito presa pelo meu pai quando nova, isso acontecia durante o intervalo das aulas na escola mesmo). Todo mundo faltava se estapear pra poder contar alguma coisa (por conta dos 10 minutos que a gente tinha pra isso) e até rolava uma falação de boca cheia, pra dar tempo de comer e conversar. Hoje quando a galera se reúne, cada um tá em seu smartphone fazendo alguma coisa mais interessante. Isso acontece também nos bares, festinhas, jantares blablablás... e nem precisa ser adolescente para tal.
E por falar em ser presa em casa, hoje em dia os adolescentes têm muito mais liberdade do que a gente a long time ago. Era um parto natural de trigêmeos convencer o meu pai pra ir na festinha de aniversário da amiga que morava na rua debaixo, e mesmo se fosse a sala inteira suplicar pro velho deixar eu ir, tinha que voltar as 22h (hora essa que começa a bombar o babado). Inveja branca dessas fias que saem as 22h em casa e voltam muy locas com muita história pra contar (até hoje não sei o que é ficar muy loca).
E quando você queria muito aquela música do artista tal e tinha que fazer plantão com o rádio ligado esperando o diacho tocar? E ainda tinha que torcer pro locutor calar a boca durante a música, ou pra fita não acabar bem no meio da gravação... hoje o UTorrent e Youtube tá aí pra facilitar nossa vida e esquecer que um dia a fita cassete era a melhor amiga de um adolescente nessa vida. Fora que os presentes mais singulares eram aquelas seleções de músicas escolhidas a dedo pra dar para a melhor amiga ou pro carinha que tava afim.... ai gente! Volta, fita cassete!
E por último, mas não menos especial, me lembro o quanto éramos todos tímidos na época de escola. Pra certas coisas, claro, como... paquerar? (hoje como vocês chamam o 'paquerar', pessoal?). Era um tal de ' a minha amiga quer te conhecer' ou 'ele tá te esperando ali atrás do pátio' pra BEIJAR. Sim, beijar era algo que dava um nervoso mortal na gente... nem falávamos de perder a virgindade tão cedo. E quando rolava uns beijinhos com aqueles mais safadjenhos, o tapa na mão era certo quando a tal ia escorregando pra bunda, sabe? A gente era quadrado mesmo, mas era legal... muito legal ser quadrado. Não tínhamos a necessidade de escolher um lado, escolher uma tribo, mostrar ou esconder o que a gente gostava de verdade pra parecer mais descolado, nem provar o quanto éramos antenados... acho que a gente se permitia viver mais na nossa real idade, nossa real fase... não que não seja legal ser adolescente hoje, na verdade deve ser o máximo, mas acredito que eu seria muito perdida no meio de tanta informação, tanta cobrança e tamanha liberdade que hoje todo mundo tem, mesmo num mundo tão mais violento.
E pra cortar esse clima de vez antes que eu seja subjulgada como a chata velha, no mês passado pude reencontrar pessoas que fizeram parte fundamental da minha adolescência: minhas melhores amigas da escola. E posso afirmar que elas são as reais responsáveis por me inspirar neste post de hoje. Culpem-as pelo meu saudosismo exagerado.



Lindas da minha vida!



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