Gita: O Nu mandou você tomar no...

Publicitária Madô Lopez - Criou a Marcha das Vadias



Nossa! Que título sem educação! Pois é amigas (e amigos) leitores. Por falta de educação que a cultura está moderna e perplexa quando o assunto é Direitos. Já reparam que tudo o que gera polêmica, ou que precisa de atenção imediata, muitas vezes é associado a nudez? E quando a cultura propriamente dita, usa do nu artístico para expor o seu trabalho?

Escolhi duas reportagens que me chamaram atenção porque associam a cultura como razão e a nudez como argumento. São duas formas diferentes de entender o que é exposição na condição mais literal. Porque antes, o que era um absurdo, um pedido ao ridículo, hoje continua sendo exibicionismo, mas com um pedido mais expressivo.

A primeira reportagem [Site Papel Pop] - Fãs de Lady Gaga tiram a roupa na internet para imitar cantora - Mostra fotos de seus fãs, relativamente nus, copiando a capa do seu novo CD "Artpop". A matéria prontifica a dizer que as fotos estão sensualizando e cobrindo as partes íntimas e ponto. Visualizando as fotos, a exposição tem vários pontos de vistas... 

Porém a nossa cultura popular, está acostumada à denigrir a necessidade de exibir o corpo e ridicularizar o que é íntimo para os olhos. O pensamento na verdade não vai muito longe, porque o óbvio se encarrega de escandalizar a razão daquilo. Um artista está condicionado a expressar na metáfora o que na forma literal é muito comum, e quando a ideia vira uma exposição, o que era pra ser aberto à reflexão, se torna fechado para questionamentos.

Litle Monster - Em Protesto



Little Monster - Sexy heim?
Litle Monster - Habituado a se Despir... E de atitude?














































A segunda reportagem do Jornal [Folha de S.Paulo] - Todo mundo pelado: naturistas paulistas brigam entre si pelo direito à nudez pública - Fala sobre manifestações de vários grupos de peladões, que tentam se entender (e não brigar) por vários direitos, tão diferentes que só justifica a tal briga por um motivo: a Opinião Pública.

São Naturalistas reivindicando um pedaço de praia para praticar o nudismo, são manifestações como a Pedalada Pelada, para alertar sobre a vulnerabilidade dos ciclistas e também a dependência do petróleo, tem também grupos feministas, como a Marcha das Vadias, que isenta a mulher de ser a responsável pela violência sexual que sofrem, como lema de que a sobrevivência nunca é culpada.

Ou seja, essa outra forma de exposição a gente já conhece bem. Se o assunto é polêmico então embora lá, juntar dúzias de gente e arrancar a roupa para chamar a atenção da opinião alheia. Sim, é assim que pensamos no mínimo e além disso, não passa de cultura barata.

A nudez é a vestimenta daqueles que sofrem pelas atitudes condenadas á covardia ou a algum outro ato de exclusão. Ficar nu pode ter vários significados e nenhum está tão explícito quanto escandalizar. E de novo, outras dúzias de pessoas irão fazer disso uma moda. 

  
As duas formas de ficar nus, estão a espera de um argumento seu. Lembre-se que o que é cultura de tempos em tempos muda, se transforma, muta, transgride, se rebela, se revela, e que até mesmo a sua opinião pode ser uma peça arcaica de museu. A cultura pede socorro, porque as gerações futuras estão acorrentadas na opinião superficial da maioria alienada e não-praticante da informação visual e rápida. O que é cultura é uma pergunta que tem suas respostas intimidadas pelo escândalo do novo jeito de protestar.

E não há cultura sem o poder de entender uma época, e as palavras que são causa e efeito dessa época. "Bolsa Estupro" e "Estatuto do Nascituro", por exemplo, são termos desconhecidos por quem confunde cultura pop com cultura social... 

Se a moda do pudor moralista pega e não desapega, o que vestir para pensar? O jeito é o Nu mandar você (que não repensa, argumenta, procura procedências, põe a mão na consciência) tomar no... Olho! Calma minha gente, o PhD ainda respeita a censura, pela faixa etária, claro.















Um comentário:

  1. Nascemos nus.. qual o problema né?! É natural... mas sem vulgarizar!

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