Gita: Admirável Chip Novo


"Vida Simples, para que os outros possam simplesmente viver"

Vivemos em tempos de muita apreciação tecnológica, e se parar para pensar, o tempo é um artigo de luxo muito relativo nas metrópoles. Velhos hábitos são ultrapassados por novos de forma estressante. Tão traumático ás vezes, que em vários momentos, pensamos em abdicar do que escolher para viver e automaticamente vamos vivendo dos empurrões da sociedade em massa...

O bom é saber que algumas pessoas não concordam com o tirano tempo, e não enxergam mais ordem na rotina acumulativa das grandes cidades. Estas pessoas na verdade, são mutantes em busca do progresso de valores. Fiquei muito entusiasmada, quando li um artigo falando sobre estas pessoas, como Richard Roberts que é morador de rua em Londres, e não é mendigo.

Ele é afinador de pianos e filho de um ministro, responsável pela venda e restauração dos melhores pianos do mundo. Ou seja, sua postura social não impede de viver confortavelmente bem, porém a sua vida social é outra. Richard vive ao ar livre, optou por conquistar sua independência, morando pelas ruas de Londres, ainda sim trabalhando como afinador...
























Fotos do Arquivo Pessoal de Robert Richards

Ele garante que só é viciado no chá inglês e no bolo de frutas da sua mãe, e que estas seringas são óleos, parte de suas ferramentas de trabalho, além da bagagem acima, quase tudo o que precisa para viver. Ler o blog, ajuda e muito a entender os argumentos para tanta simplicidade em viver. As razões desta escolha, são por questões econômicas, espirituais, ambientais e praticidade, basicamente isso.

É estranho mas inteligível, quando a gente lê que seu varal é o guidão da bicicleta, ou que seu chuveiro é o lago do parque... Acompanhando sua rotina, suas confissões, fotos, é possível imaginar ordem, estrutura nessa nova vida. Na verdade a maior preocupação ainda é a sanidade mental, a principal morada de seus interesses, além da busca por equilíbrio, refletido na simplicidade.




Alguns dos lugares por onde morou... como dormir nos fundos do Hotel Savoy ou em frente ao Castelo da Rainha


"A primeira onda surgiu nos anos 1960 e 1970, embalada por uma filosofia de inspiração hippie, segundo a qual a fuga do caos das grandes cidades e o desapego eram os caminhos para a plenitude. “Eles enxergaram que a felicidade proporcionada apenas pela aquisição de bens materiais era falsa”, diz Samuel Alexander, professor da Universidade de Melbourne, na Austrália, e presidente de um centro de pesquisas chamado, significativamente, de Instituto da Simplicidade. No Brasil, em troca da liberdade e da vida em meio à natureza, esses aventureiros abriam mão do conforto e migravam para lugarejos então pacatos, como Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, Canoa Quebrada, no Ceará, Trancoso, na Bahia, ou São Tomé das Letras, em Minas Gerais. A segunda onda de descompressão, dos anos 1980 e 1990 em diante, é diferente. São famílias que buscam a paz do campo ou da praia, mas sem abrir mão do conforto. Elas querem reconstruir a vida em bases diferentes, aprendendo uma nova profissão. É uma geração mais pragmática que ideológica, com escolhas mais individuais que coletivas. “Há uma reflexão comum quando se assume esta decisão: ou procuro outra forma de viver ou vou morrer cedo e estressado” - (Parte do artigo "7 dias para o seu Plano B" - Revista Época)

O texto acima, resume bem as fases desta busca exterior, conveniente ao interior, e também mistifica ainda mais o termo da infra estrutura oferecida de um país como Inglaterra, comparada ao nosso pais. Em contrapartida, no Brasil temos certos oásis para escolher viver, mas não temos ginásios que são academias, ou lugares planejados para atender qualquer público independente de distinção, condição e raça, não reconhecemos em nossos estabelecimentos algum conforto próprio e digno de quem já mora na rua ou pretende fazer dela sua casa, por mais que pareça impróprio.

A questão é: Será que cada vez mais, o melhor meio para interagir simplicidade e conforto depende exclusivamente do lugar onde se vive? Ou será que cada vez menos, estamos preparando nosso futuro de acordo com necessidades mais coletivas que individualistas? Eu acredito que Richard Roberts é um exemplo admirável de chip novo, um reprogramador de mudanças, mas de forma simples e objetiva.


Robert Richards, em Londres

Conheça mais sobre a causa e sua história no Blog do Richard Roberts, em especial, assista esse video, que mostra parte de sua rotina. E se mesmo assim, você não entender as necessidades deste homem, leia Escolha de uma Vida - Pedro Bial. Falando por mim, a moral é que tudo isso fez muito sentido quando assisti o vídeo abaixo, ouvindo Enya - Aniron. Confesso que pude imaginar a singularidade de escolher viver tão perto da paz interior, tendo como trilha sonora dessa vida um lema mais digno, simples, e como pano de fundo, o caos da cidade grande, mas apenas como casa, porque a concepção de lar jamais será a mesma...


Richard from England Your England on Vimeo.

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