Elaine Oliveira - Aceitação não é solução

18:45:00



Elaine Oliveira participa pela segunda vez aqui no PHD, mas desta vez ela percebeu que tem pinta para a coisa e ressuscitou o "De palavras e atos", super indicado por ter textos muito bons, assim como o que você lerá agora:

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Quando a gente decide entrar num relacionamento, a gente nunca espera que ele dê errado, apesar de tudo.

Mas querendo ou não, todo mundo sabe que não existe relacionamento perfeito! Isso é fato. E por mais difícil que seja admitir, quem já passou por outros, sabe que em algum momento, cedo ou tarde, chega aquela hora que você pára, olha pra si mesmo e percebe que preferiria estar em outra situação: 'Quem sabe, se estivesse solteira seria melhor?' Mesmo pensando assim, lá no fundo a gente sabe o quanto é ruim estar sozinha, que o relacionamento não é feito só de momentos bons e que na parte difícil do relacionamento , não tem mais volta. Não da pra reescrever a historia - o que aconteceu simplesmente aconteceu, e você agora tem que ser adulta e escolher se vai encarar ou desistir; não dá pra deixar de amar simplesmente porque não quer mais e pronto, não dá pra Formatar o Coração.

Então a gente encara, porque só aí lembra que não existe relacionamento perfeito.

O começo de qualquer relacionamento é provavelmente a exteriorização da parte mais patética de todo ser humano, você se torna o que não costuma ser normalmente. Sem querer generalizar, mas admitam! Isso ocorre na maioria das vezes. É aquela fase das carícias melosas, das declarações intermináveis, que os beijos são eternos, e a pele pega fogo só de pensar naquela pessoa especial. Você come mal, dorme mal, e o relógio nunca anda, a não ser quando estão juntos, por que aí sim, ele corre!
Pra algumas pessoas, esse começo dura muito tempo, para outros apenas dias ou semanas, mas SEMPRE tem seu fim. Afinal é só o começo e tudo o que é bom uma hora simplesmente acaba.
É inevitável chegar aquela fase que você está meio cansado de compartilhar tudo, e as vezes você passa a preferir dar uma volta com os amigos, assistir um filme sozinho com uma roupa largada, se esparramar na cama sem ninguém te cutucando esperando por carinho. Talvez ninguém admita isso, mas é FATO.
O triste dessa fase, é que geralmente apenas UM dos DOIS vai chegar nela primeiro. E aí... Vamos para a terceira fase: A fase do BBB. Não! Não tem nada haver com Reallity Shows. BBB na linguagem dos relacionamentos, nada mais é do que "Brigas, Bicos e Birras". Sim, é aquela fase na qual aquela pessoa que não chegou ao momento de querer estar sozinha sente que tem alguma coisa errada, e as vezes percebe isso sem perceber, entende? Digamos que inconscientemente. Passa a detestar os amigos do parceiro (sim, PARCEIRO, infelizmente e geralmente, a pessoa que não quer ficar sozinha é a mulher), desconfia de qualquer garota que se aproxima, começa a achar que está ficando velha, ou gorda. Isso tudo além das eternas conversas sobre "discutir a relação" sem pés nem cabeça, que terminam em lugar algum.

As brigas se tornam constantes, os bicos e as birras passam a ser normais. Sim, NORMAIS.

E aí... Se o relacionamento sobreviver e continuar, passará a ser o mais longe possível do que era no começo. Lembra que antes você se empolgava com pequenos bilhetes com desenhos de milhares de corações e cheios de palavras melódicas? E o gosto do beijo de vocês parecia inacreditável? O abraço era além de aconchegante, o melhor lugar do mundo, lembra? Provavelmente não, porque hoje vocês mal se beijam, e a cama passou de fervente como larva de um vulcão para fria tipo freezer. Se ficarem um tempo sem se ver, até bate uma saudade, mas isso não tem mais haver com pele, e sim com o hábito de estarem juntos.
Por fim, se tornam mais patéticos ainda, do que eram no começo. Por que as vezes você se pega pensando e até exita só de imaginar em quando estarão juntos, mas quando estão juntos não sabe onde foi parar aquele desejo todo. Enquanto o outro não está nem aí pras suas necessidades sentimentais, não faz ideia de que bobagens escrevia nos bilhetinhos de antigamente, e quando te olha, na verdade está te imaginando nua.
É exatamente aí que provavelmente os dois sabem que não há o que fazer, ou até sabem que provavelmente existe alguma maneira de consertar esse 'romance', mas que é bem mais fácil ignorar e deixar rolar... Vocês se prendem ao hábito de estarem juntos e mal se lembram de como era quando se conheceram. Lamentam uma perda estanha... Mas afinal perderam o que? Sabem com certeza que perderam algo, mas será que foi o AMOR? Se for isso, então porque não conseguimos nos separar? Será que foi paciência? Então porque eu ainda tolero essa situação? Não, não perderam nada, pelo contrário vocês ganharam. Ganharam o COMODISMO. Vocês se acostumaram, e passaram a achar que estão em um relacionamento seguro, afinal vocês não se traem, fazem à vontade um do outro, isso basta não é mesmo? Não, não é mesmo! Pois continuam insatisfeitos.
Como eu disse no começo, é INEVITÁVEL chegar ao ponto de perceber que as coisas não são bem como você gostaria que fosse na verdade. Mas é ESCOLHA nossa nos acomodar, e deixar que tudo fique como está. As pessoas mudam o tempo todo, nada impede que elas mudem pra melhor. É tudo uma questão de escolha.
Quem aceita um relacionamento frio, sem tomar nenhuma atitude e permanece onde não existe RESPEITO ao sentimento alheio, está desperdiçando VIDA.
É sim INEVITÁVEL ficar cara a cara com o comodismo, mas DEPENDE DE NÓS deixar que ele tome conta do que mais amamos.
Não espero que com essas palavras os casais que estão a anos se aturando por alguns motivos permaneçam juntos tentando 'arrumar a relação', sabendo que na verdade está forçando uma situação que já não tem mais volta.
Temos que ser adultos e reconhecer quando perdemos uma batalha, e aprender que na vida tudo tem um começo um meio e as vezes, um fim. É sempre importante lembrar que nada nos impede de recomeçar.
Esse recomeço, pode sim, ser uma nova partida no meio do relacionamento desgastado, como também pode ser aquele pós-separação, onde você percebe que estar acompanhado de si mesmo é o há de melhor em viver.



"Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

(Luis Fernando Veríssimo)

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