pt 6: Pra que inventar o que não existe?

Vocês já estão carecas de saber o quão bundona eu sou. Pode não parecer, mas sou. Eu sou daquelas que primeiro cria o fim do mundo para fazer algo por puro receio, mas sempre entorto a língua quando vejo que não doeu nada em fazer. Muito pelo contrário...
Aquela ligação durou quase duas horas. Comecei desanimada e terminei falando de coisas da minha vida, como se tivesse tomado um porre de tequila. Eu só me torno um livro aberto embriagada, e como dificilmente eu me permito à isso, logo, meu livro é fechado com cadeado.
E ao longo da conversa detonei todas as frescuras que me tornavam uma porta. O que eu podia fazer? Já estava moderadamente envolvida e eu me sentia muito bem em sua companhia. Depois que desliguei o telefone, pensei muito em como estava desperdiçando meu tempo, mas dessa vez não com a pessoa errada, mas por olhar para mim mesma somente. De onde tirei tanto egoísmo? E pra que tanto medo assim? Eu vou morrer se me divertir um pouco, dar risada, parar de ser caxias e sair com um cara interessante? Me poupe, Tuka!
Menos de 10 minutos que eu tinha desligado, retornei a ligação e fiz diferente: eu o chamei para sair! Ah sim, chega né? Já estava parecendo aquelas mocinhas que gostam de dedicar-se ao temperamento pobre coitada e me senti ridícula e com vergonha de tamanho drama que estava montando inconscientemente. Percebi no tom de voz dele o quanto ele estava surpreso, pois estava sendo um osso duro de roer. E mais do que dizer as gírias batutas da minha avó quando adolescente, eu podia ser tão agradável quanto, como eu sempre fui.
Acho que não é porque alguém passou na sua vida e deixou marcas pra lá de doloridas, ou que você sempre se dedicou honestamente para uma pessoa, seja amigo, namorado ou marido, que podemos nos dar o direito de crucificar uma massa diferente por isso. Ninguém é igual a ninguém. Na verdade, quando não dá certo, acho que o primeiro passo é olharmos para o nosso umbigo e primeiramente procurar sem orgulho ou vaidade se o erro foi cometido por nós. Será que sufocamos muito? Será que me acomodei a ponto de deixar de ser quem eu era no começo? Será que tentei impressionar no começo, a ponto de não ser eu mesma? E se realmente não há culpados nessa história toda: simplesmente não era pra ser? Passei a ter raiva ao perceber que em qualquer relacionamento afetivo ou amigável, uma das partes tem a péssima mania de querer mudar o outro! Não respeitar a individualidade é um desses fatores, o que faz um namoro, casamento ou amizade serem mais interessantes ainda, por ter o que acrescentar sempre. O fato de você dividir a vida com alguém, deixá-la entrar na sua intimidade, não quer dizer que para isso ambos precisam ser uma xérox autenticada do outro. Basta sentir que a companhia é um fator essencial para te roubar um sorriso singelo e a segurança em ser você mesma.

...continua...


Um comentário:

  1. Como sempre você me impressiona com suas palavras meu amor!
    Te amo muito!!!
    Essa é a trilha sonora perfeita para seu post:

    http://www.youtube.com/watch?v=YvkX3t5LgVI

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