pt 5: Uma nova no time?

23:27:00

Enquanto o papo de amigas tornou-se um encontro inusitado, com direito a apresentação do personagem principal ao vivo e tudo mais, mais 'nem te conto' estaria por vir. O celular vibrou em cima da mesa e era um número que desconhecia. Era o irmão de Gita, avisando que a chegada de seu bebê estava prestes a acontecer...
Pude ver o descontentamento dele por me ver ir embora, deixando apenas uma nota ao lado da minha xícara para pagar a minha conta. Prometi ligar, e senti um apertinho no coração vendo aqueles olhinhos caídos de como quem não acreditava que eu realmente fosse cumpri a palavra.
Eu e as meninas não fazíamos ideia de como chegar ao hospital! Ainda bem que mulheres, diferentemente dos homens, não sofrem daquele terrível problema em pedir informação. O trânsito estava infernal, mas como o parto já tinha acontecido, nem estávamos preocupadas em chegar depressa, mas chegar sem paciência não ajudaria a criar o clima apropriado.
Chegando no quarto, o papai babão fazia companhia à Gita. O bebê estava no berçário dormindo. Aquela mulher continuava linda, mesmo após um parto! Acredito que não conseguiria o mesmo. E nesse clima que a maldita mania de pensar sempre em tudo na vida começou a aflorar.
Maryah e Gita conversavam e Poulain tinha ido fumar seu cigarro sei lá aonde. Desci até o berçário e aquele monte de bebezinhos com carinha de joelho me deixou um tanto derretida, diante daquele vidro que os separavam desse mundo cheio de pessoas de diferentes reputações. Me lembrei da saudade que tenho da minha infância; a cumplicidade com minha mãe, e a imagem do meu pai herói. Todo o zelo que uma criança merece receber, assim como o afeto e educação. Fazia tanto tempo! E a saudade crescia cada vez mais que cada pessoa vinha e ia na minha vida, a cada vez que eu era obrigada a ser gente grande e quando eu me dava conta que se aproximava o momento de formar uma família. Mas como cuidar de uma coisinha tão pequena e frágil como aquela se eu ainda estava aprendendo a cuidar primeiramente de mim mesma?
As unhas vermelhas de Poulain tocaram meus ombros e me trouxeram de volta à órbita. Voltamos ao quarto junto com a enfermeira, com Maria Eduarda ao colo, pronta para ser amamentada. E antes de ir embora, depois de quase sermos enxotados educadamente devido ao término do horário de visita, Gita me lembrou: "não se esqueça de ligar para o bom moço..."
Santa linguaruda da Maryah... já contou na minha frente...
Quando cheguei em casa ainda chovia. Boris estava nervoso, morrendo de vontade de fazer um pipizinho fora do apartamento. E depois do passeio com o cão, do banho, do leite quente e de ver meus emails, parei de graça e resolvi ligar.

...continua...

Post dedicado à Maria Eduarda, a mais nova PhD em acordar a mamãe de madrugada para mamar, e é claro, à mamãe Gita!



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