Bella: Capítulo 1. 1X2 - Suas mãos se encaixam nas minhas




Eu já estava com a mala pronta: short, blusinha, biquíni, protetor solar, hidratante, perfume.. Todos no carro e entre conversas e curvas chegamos no apartamento em plena luz do dia, aquela vista de frente para o mar, e aquela ansiedade no estômago borbulhava feito efervescente. Já fazia um mês que ele estava ao meu lado, me acompanhava até naqueles tipos programas que a gente diz que não vai nem pagando. Já tinha sentido a pele das mãos dele aquecendo as minhas, e essa tinha sido a maior proximidade que tínhamos tido nesse mês, mas as vezes me pegava lembrando do calor que a mão dele transmitia. Colocamos as malas entre os três quartos do apartamento e resolvemos ir ao mercado, ao típico macarrão de praia, cerveja e caipirinhas para incrementar. As risadas se faziam a todo instante, os olhares de comunicações internas estavam no ar e a noite ia chegando. O pique de uns animava a preguiça de outros, mas depois de banhos, arrumações e maquiagens, pegamos o elevador, descemos até o térreo - o carro ficou guardado na garagem - caminhamos alguns passos e chegamos na casa noturna, que por sinal é a única, me fazendo lembrar da cidadezinha onde moro, onde todos se encontram no mesmo lugar, todos os finais de semana, todos se conhecem, todos bebem, conversam, paqueram, e é aquela mesma rotina todos os finais de semana, e mesmo assim todos passam a semana desejando esse momento chegar. 

Entramos, cumprimentei algumas pessoas que havia conhecido em uma outra ocasião, passamos para a pista do fundo, fechada e abafada, e fomos para a parte de cima, um lugar apertado. Por lá encontramos um cantinho, e foi onde ficamos pelo resto da madrugada, vendo os dj’s, achando engraçado algumas situações, rindo de algumas músicas, conversando e dançando, como de costume. Criei uma barreira invisível de aproximadamente 1 metro de distancia entre eu e ele, como se existisse um duelo entre nós, e às vezes eu passava essa barreira e me aproximava, sem nunca deixar ele fazer o mesmo, como se só eu tivesse poderes suficientes para chegar ao alvo. Tentava não sair do nosso cantinho com medo de alguém com quem flertei da ultima vez que havia ido aquela casa chegasse em mim, afinal eu estava acompanhada aquela noite de alguém que só podia ficar a um metro de distancia. As energia foram se esgotando, as risadas diminuindo, e todos os sintomas mostravam que já era hora de ir embora.

Em menos de um quarteirão já estávamos de volta em casa. É incrível como nos adaptamos fácil, e o cansaço e vontade de chegar em uma cama nos faz chamar qualquer lugar de casa. De repente cada um vai se instalando nos quartos, e eu com um sono que não conseguia manter os olhos abertos não sabia para onde ir. Resolvi deitar no sofá mesmo, coloquei o cd que tinha ganhado, aquele que eu tanto queria e no instante que ele soube disso, gravou e me entregou no dia seguinte. Mal tinha piscado os olhos e ele já estava no sofá comigo, como um gato que vai chegando e se enfiando querendo um cafuné. Fiquei imóvel, os picos de hormônios de cortisol, adrenalina, noradrenalina e glugagon, deviam estar elevadíssimos, como se eu tivesse participado de uma corrida de velocidade de 100m. A minha freqüência cardíaca estava tão alta que aos meus ouvidos poderia usá-las para criar músicas, daquelas que ele tanto gosta. Se o silêncio permanecesse talvez ficaríamos lá, e até esqueceríamos que estávamos num sofá de uma sala de um apartamento do litoral, mas o silêncio foi interrompido quando eu falei que estava com sono e que ia para o quarto dormir. As palavras saíram tão baixas da minha boca que fiquei com medo dele perceber que eu estava com medo. Era muito medo para um dia só! Mas com toda autoridade e confiança de um ariano ele disse, afirmou e confirmou que ia dormir comigo.

Não sei se era o calor do seu corpo que me queimava, ou aquelas palavras tão firmes que saiam de sua boca que me deixaram estável, como se não houvesse um mundo do lado de fora, era como se o ‘não’ e o ‘sim’ nunca tivessem existido, e naquele momento eu queria criar uma nova resposta dessas de múltipla escolha, mas conforme os minutos corriam no relógio mais meus olhos tendiam a se fechar. A porta dos outros dois quartos estavam fechadas, o dia já estava querendo amanhecer... fomos em direção ao único quarto em que a porta se encontrava aberta, nossos olhos avistaram duas camas de solteiro, e antes que meus lábios pudessem se mexer ele já estava arrumando os dois colchões no chão fazendo uma cama de casal: só de pensar em casal minhas mãos estremeciam. Antes que meu estômago pudesse voltar a borbulhar, me esparramei no colchão, deitei imóvel pensando no que estaria por vir. Tentava pensar numa maneira de continuar com a barreira que tinha criado aquela madrugada, e enquanto tentava encontrar uma solução pude sentir sua pele se aproximando de mim e os braços dele me envolveram, era um abraço tão audacioso, tão carinhoso e tão protetor que me fez adormecer tranquilamente. 

(..continua..)


Você também pode encontrar esse texto no fotolog da autora, assim como a imagem: http://www.fotolog.com.br/flash_s

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