pt 1 - Uma ponte para o desconhecido

15:51:00



Fazia um tempinho que eu não saía pra me divertir. Desde aquele dia antes da viagem que eu recebi a tal ligação. Comecei a me arrumar bem antes, pra poder curtir cada segundo do meu zelo. Era uma festa de amigos. Tomei um banho agradável, escutando as minhas músicas preferidas, passei o hidratante mais cheiroso que eu tinha. 
Já tinha feito as unhas: adorava vermelho! Sequei os cabelos - decidi arrumá-lo diferente desta vez, não o deixando tão comportado como de costume. Gosto da combinação saia e meia arrastão, mas para não vulgarizar a imagem, escolhi uma blusa romântica. Assim o visual ficaria mais clean, sem deixar o toque feminino de lado. Não esperava por nada, nem estava me arrumando para ninguém. Apenas queria me arrumar para mim mesma. Delineador, batom, blush, um colar descolado, um perfume gostoso e eu estava pronta. 
Maryah C me esperava e eu esperava de coração que ela já estivesse arrumada! Como era de costume, ela sempre nos atrasava por ser indevidamente indecisa na escolha do figurino. Mal sabia ela que ficaria linda com qualquer escolha. Quando chegamos, imaginávamos como conseguiríamos entrar. Tanta gente dentro de uma casa que parecia metrô em São Paulo depois das 18h na linha vermelha. Pensei em dar meia volta, mas achei que seria uma atitude de velha. Se joga, Tuka! Nos acomodamos em um canto mais agradável. Tive que beber para não me incomodar com a fumaça de cigarro que estive inalando desde quando chegamos. 
E papo vai, papo vem, descobri um determinado desconhecido me observando em um canto daquela casa, sem dizer nada - só com um copo na mão. Ele não era muito mais alto que eu. Na verdade, meus saltos me permitiam ficar quase do mesmo tamanho que ele. Muito bem vestido - do jeito moderninho e meticulosamente arrumado como eu gosto. Demonstrar interesse da minha parte é uma missão muito difícil. Talvez seja por isso que ele se manteve ali parado, observando. Maryah desapareceu das minhas vistas. Pensei que ela tivesse sido arrastada pela multidão, mas não. A encontrei papeando com um grupo de amigos em comum. Os donos da festa. Me servi com uma caipirinha de saquê e quando voltei ao meu posto, ele não estava mais lá. Na certa foi pegar alguma requenguela que estava dando mais bola pra ele. Homens são quase todos aplicavelmente iguais. Quase uma lei. 
Fui até a roda onde Maryah falava animadamente sobre trocentas coisas diferentes e todos participavam. No meio da conversa senti uma mão em meu ombro, e quando me virei apenas deu tempo para responder positivamente com a cabeça a pergunta lançada pelo garoto do canto da sala: 'Posso me adicionar a conversa?' Enquanto papeávamos ali agradavelmente, ele não parava de me olhar. E na verdade me dei conta que tanto eu quanto ele estávamos ali por estar, porque escutávamos mais do que falávamos. Escutávamos mas não ouvíamos. Sentia até uma certa gravidade entre aquelas olhadas. 
Que estranho... estava doida pra sair dali com ele! E eu nem sabia o seu nome... Acredito que ficamos nessa por quase todos os instantes. E NADA foi dito um ao outro. Nem uma palavra trocada, a não ser na hora de ir embora, quando me despedi e ele perguntou baixinho ao meu ouvido se eu podia lhe dar o número do meu telefone. Peguei o celular dele, anotei o número pedido, e me despedi com um sorriso. Antes de entrar no carro, dei tchau para meu amigo, e antes de fechar a porta do carro, me atrevi a lançar: ' qual é o nome do seu amigo que pediu meu telefone agora?' 
 ...continua... 

 Foto: Mariana Lima

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