Instinto - Por Chris Pereira



Por mais que eu queira - eu sei que não posso e não devo - meu estranho e engraçado instinto, me pede gritando aos quatro ventos que largue tudo - a vida, as pessoas, meu futuro - e fuja. Mas para onde é que ele quer que eu mera mortal vá? Há tanto lugares aqui perto de mim que são inexploráveis - aqui mesmo dentro de mim há coisas que nem conheço.


Não há como largar minha vida, peça outra coisa menos impossível! Não quero deixar de viver, não há motivos sórdidos e suficientes que me levem a deixar de viver e partir para o desconhecido.


É meio que impossível largar as pessoas. Essas criaturas estão em tudo que é lugar, mesmo não sendo nossas convidadas. Além do mais, com quem eu bateria um papo surreal sobre coisas que definitivamente não existem?


Creio que meu futuro pode esperar a turbulência que o presente está causando para em fim chegar de vez.


Ando me perguntando incessantemente sobre coisas que não tem respostas e acabo que por ouvir meu instinto me dizendo coisas absurdas.


Não, definitivamente eu não quero e não posso deixar de viver este momento! São coisas que a vida me pede para aprender e sem elas talvez eu nem sobreviva a próxima tragédia.


O.K, eu mais do que ninguém sei que sou a rainha do drama e que estou fazendo tempestade em copo d'agua, mas será que tudo isso logo vai passar?


O céu anda brilhando demais. Os cheiros que me lembram coisas passadas me aterrorizam a cada segundo. O próprio sol virou o vilão da minha triste história. Pobre coitada da lua que tem de ser testemunha de meus atos sem noção.


Creio que já se passe mais de 24h desde que minha vida está bem, sem problemas. Pois é, tem algo de muito errado nisso. Será que fui abduzida pelo meu instinto e agora estou presa em um dimensão de coisas boas?


Não. Só estou sonhando acordada mais uma vez.

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