Patos, de Kate Beaton

 


Antes de Kate Beaton se tornar uma quadrinista reconhecida, com tiras e ilustrações publicadas em diversas revistas, existia a Katie Beaton dos Beatons de Cape Breton, da costa leste do Canadá. Mais especificamente de Mabou, uma comunidade à beira-mar onde as lagostas são tão abundantes quanto as praias, os violinos e as canções gaélicas. Recém-graduada, sem emprego e sem perspectiva de quitar o empréstimo estudantil, Katie decide ir para o oeste a fim de participar da “corrida do petróleo de Alberta”. Junta-se a tantos habitantes da costa leste que abandonaram a tão amada terra natal em busca de um emprego com bom salário. Em pouco tempo nos campos, Katie depara com a dura realidade da vida nas areias betuminosas, onde o trauma é uma ocorrência diária – embora jamais seja discutido. Patos - dois anos nos campos de petróleo é uma história que não costuma ser contada, a história de um território que se orgulha de seu etos igualitário e de sua beleza natural ao mesmo tempo que explora as riquezas de terras roubadas tanto quanto a vida de povos originários.

Sinopse da editora


Acho que histórias em quadrinhos tem uma certa mágica de mostrar pra gente inúmeros tipos de assuntos diferentes em um contexto altamente entendível para todos os tipos de mentalidades, até das mais cabeçudas criaturas (deve ser porque seus autores literalmente desenham pra que possamos entender, né?), e aqui, Kate Beaton não foi diferente. E essa missão dela não deve ter sido nada fácil, afinal de contas, ela relata sua própria experiência, diante de uma violência sofrida em sua juventude, de uma forma tão didática que esse livro se torna uma leitura necessária, principalmente para homens, para entender o quão nocivo é o comportamento machista, sobretudo aquele que sexualiza mulheres o tempo todo, independentemente de ser no ambiente profissional ou pessoal.

Passamos anos ouvindo as mais diferentes desculpas para justificar comportamentos como esse, e no caso de Kate, o que ela mais ouviu dos homens como desculpa para este comportamento, incluindo a violência sexual que sofreu, é que "a culpa foi do isolamento". Contextualizando, Kate passou dois anos trabalhando em campos de extração de petróleo, local que os funcionários inclusive moravam em alojamentos nos próprios terrenos de atuação, longe de suas famílias, e por se tratar de um período em que os smartphones ainda sequer existiam e a internet era escassa, a comunicação com pessoas fora desse ambiente era bastante precária (e cara). 

Falando em precariedade, Kate também aponta inúmeros descasos com a segurança tanto dos trabalhadores desses campos, como também com os moradores das redondezas, principalmente pelo fato de que essas terras exploradas eram roubadas. E como se ainda não bastasse, a autora ainda ressalta na narrativa todos os problemas ambientais que este tipo de exploração promovia (e ainda promove), e que as empresas envolvidas nunca fizeram absolutamente nada para reverter a situação.

E o resultado disso? Além da violência sexual que poucas mulheres que se submetiam a esse trabalho enfrentavam, inúmeros profissionais com problemas psicológicos seríssimos, vícios em drogas e álcool, entre outros enfrentamentos desumanos, que aparentemente se agravam cada vez mais nos últimos tempos.

É uma leitura fácil pela sua interpretação, mas difícil por ser um tema pesado - mas necessário para ser debatido.

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Eu fiz uma resenha em vídeo no meu Shorts, e você também pode conferir o mesmo vídeo no Instagram e TikTok (aproveita pra me seguir por lá também):



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