Gita: Por que ser quem você é?

Em tempos de redes sociais, é cômodo se não fosse trágico acordar na hora que você não queria, mas deve, e então se maquiar para tirar a primeira selfie do dia, com a seguinte frase - "Carpem Die" - Sem saber exatamente o que isso significa em francês ou na sua amplitude literária... Mas a frase é chique, cool, culta e combina com você. Será? 
O que descrevo é um pequeno fato, de tantos que ao longo do dia, parecem pedaços de uma vida clean, singelamente linda, cheia de prazeres, enquanto você almoça um prato bonito, ou quando você vê por dez segundos o alvorecer do dia ensolarado... Ou ainda, se reconhece numa frase pichada de um muro qualquer. Tudo em nome do desejo, em parecer sociável e agradável. 
Mas depois de postar a selfie, vem a realidade num sopro de cansaço. Porque na verdade, você acordou cansada, mal dormiu as sagradas 8 horas, provavelmente terá um dia desagradável, ao lado de desconhecidos no ônibus, metrô, dos colegas de trabalho, além dos folgados da rua. Ou seja, o que tem na vida online, que não tem na sua vida real? - Eu respondo - Ser quem você realmente é. 
E não é todo dia que você está disposta para desejar um bom dia, ou tirar uma foto de cara deslavada e não poder chamar isso exatamente de selfie... E quando você se sente inteligente, pra dizer coisas interessantes? Em que cartilha está escrito que a quantidade de curtidas afirmam a quantidade de gente que gosta de você? - Só mesmo no mundo virtual da nossa cabeça. 
A injustiça da vida real está nas redes sociais, que por si só, com várias imagens, fotos, dizeres, podem (sem querer, querendo) depreciar o que você pensa ser... e tudo porque a comparação é inevitável. Se antes doía às nossas vistas ver um miserável na rua, hoje em dia dói abrir o Facebook e ver que sua amiga virtual está na Europa enquanto você vai trabalhar, logo na sequência de ver o seu amigo que foi comemorar o diploma de mestrado na noite passada, enquanto você dormia. Enquanto o mundo está prestes a nos ensinar a extensão de tudo por acaso, estamos fixados na ideia de assimilar o que todo mundo tem a dizer. 
Nas redes sociais, você não vai aprender a aceitar a sua individualidade e se expor como opção e não como poder aquisitivo. Existem palavras que não fazem parte alguma do vocabulário online, enquanto deveriam... como concessão, perspectiva, sensatez, foco, palavras que associadas exatamente ao que você quer dizer, fazem toda a diferença. Como fazem com toda eficácia no trato direto, na real... Se você não concorda que o gosto musical do outro é pior que o seu, existe a concessão para manter cada opinião em seu lugar... Se você concorda com os argumentos do que disse a outra pessoa, mas com ressalvas, então você tem outra perspectiva, e pode argumentar isso com sensatez, se tiver um foco. Trocamos os lugares para ser quem somos, já que na grande realidade, o tempo está cada vez mais exigente. 
Por que ser quem você é? Porque ser constantemente agradabilíssimo é irritante, e não convence ninguém de que sua vida é leve como uma pluma... Porque individualidade, tem tudo a ver com experiências, boas ou ruins, que cabe à você dizer ou não, independente do que possa parecer para qualquer outra pessoa. Para ser quem você é, sem receio de ser injustiçado, não permita ouvir o que não quer. Se defenda, sem medo de ser feliz com um dedo médio, no reto, ops, na reta de quem está se metendo onde não foi chamado. Não existe argumento mais emponderado, do que se impor na hora certa. Saber a diferença entre comentários sarcásticos, intimidadores, coniventes, e lá vai adjetivo, com certeza irá definir por si só que tipo de pessoa estamos lidando. Se bem-intencionada, ou mal-intencionada. 
E se você sabe bem da sua personalidade e é honesto com ela, a sua aparência será mais humanizada, mais inteligível, e não há nada mais inteligente do que saber rir de si mesmo (há quem vai concordar que essa é uma qualidade muito atraente!). Por fim, não esqueça de quem são suas (boas) fontes de inspiração. Ser você em absoluto exige respeito com escolhas, e consciência seletiva do que te serve e não serve e pode ser ignorado. Pra isso, quanto mais exemplos cultivar em seu caráter, maior a probabilidade de ser alguém realmente sociável e politicamente correto com seu Eu - real e virtual. 
Com certeza esqueci mais alguma coisa? rs

Ser ou não ser Eu, Eis a questão!


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