GIta: #MeuAmigoSecreto é...

13:26:00

Não diga que já está de saco cheio de tanto ler hashtag "meu amigo secreto", e por favor, por vários motivos, lhe pediria isso... principalmente se você é mulher. Quisera eu, poder convencer de que não se trata de modismo, de recalque feminista, ou de um recreio para incomodar os meninos (nossos machos alphas) - Quisera mesmo! - Mas sou mais uma do lado negro-rosa-choque da força. Eu juro que poderia falar de exemplos tocantes, de mulheres que te fariam pensar duas vezes antes de se intimidar na camisa risca-de-giz sem gravata (coisa de homem?), que você usa para ir comportada e decentemente culta ao trabalho. Poderia tanto citar frases e fatos de mulheres que efetivamente lutaram para que hoje em dia, pudéssemos deixar nossos filhos em creches, escolas, e ir sonhar com um diploma na mão e um não-casamento como compromisso sério com os nossos planos independentes.

O que vou dizer, são apenas minhas ideias e leituras, poucas delas infelizmente. Não há espaço memorável para tanto otimismo, mas um pouco eu posso... devo. Porque sou feminista, e por saber da nobre tentativa de todas as mulheres ativistas, que me deram o prazer de ser mãe, profissional e mulher, a hora que EU quisesse, devo dizer algo a respeito.
#MeuAmigoSecreto é sim, mais uma daquelas ideias que claramente viralizam e ganham espaço além de leituras e divide opiniões. Mas calam homens (machistas). E por que? Simplesmente porque falar a respeito é fazer algo a respeito. Assim como o #MeuPrimeiroAssédio, o que está por trás de tantas histórias, não é questão de diferenças e injustiças naturais e sociais. Estamos falando da falta e omissão de verdade em todas essas diferenças... Pra quem não sabe, apenas 25% das mulheres são entrevistadas, ou seja, são cogitadas como fontes de exposição sobre assuntos que são lineares ao mundo feminino. Imagina você mulher, abrir um jornal e ler que 65% dos entrevistados são homens, dando a sua opinião de como é sofrer a dor de um aborto. O que acabo de dizer, é uma leitura, uma constatação e não especulação, e você pode facilmente se escandalizar ou menosprezar lendo Think Olga - Uma das diversas páginas de projetos que estão atualizados em manifestar o ideal de emponderamento feminista de hoje. 
Não estou dizendo que homens, não tem o direito de opinar, muito pelo contrário, estou afirmando com a mesma frase da Juliana de Farias - que a ausência de fala feminina traz muitos problemas para a sociedade e para a democracia - E se não fosse crucial exatamente isso o que ela disse, não estaríamos escondidas nos salários de mesmo cargo, mas de valor inferior, graças ao nosso gênero. Agora, o que podemos fazer? muito! Um bom começo é olhar no espelho e se imaginar além das supostas obrigações de ser mulher. Se conscientizar e passar a propagar adiante o que é ser uma mulher e feminista. Também não há como ser, se não saímos do âmbito neutro das informações. Como ensinar seu filho homem a respeitar uma feminista se você mal sabe o que é isso ou pratica? A complexidade de conquistar espaço está entre nós mesmas... se não bastasse desde que o mundo é mundo, viver na submissão dos fatos. Conheça projetos, conheça o que está em pauta para sermos ouvidas, não faça vista grossa a essas supostas modas hashtag. Pense como parte de um todo, que precisa de conceitos forenses... conhecimento de causa. 
Portanto, tenham certeza minhas amigas de gênero, que cada depoimento é uma denúncia, que cada história é uma legalidade moral, que cada mulher está usando do seu grito e não do seu silêncio domesticado... Cada mulher está deixando de ser usada por seu ato de empáfia feminista e não estupidez feminina. 
Portanto... não se ofendam. No lugar disso, se manifestem. É sabido que o resultado disso tudo é falta de posições de lideranças, ainda há muito pelo o que lutar. Se mesmo assim você acha que não faz parte de algo importante, procure saber sobre A Primavera das Mulheres. E se não fazer por nós, que façamos por nossas filhas ou netas... Que um dia seja legado de todas elas, um mundo equânime. Um belo dia quero ser lembrada, nem que seja pelo meu gênero feminista. Usemos nossas hashtag como aval da causa de todas nós, e não como avental para lavar a roupa suja.
Pra finalizar, deixo a minha dica do que é ir a luta. O filme As Sufragistas - Estréia no Brasil na véspera de Natal, com direito a um belo presente de mulheres revolucionárias. Quer mais? Então faça como eu, e muitas de mim, compartilhe com a gente a sua #MeuAmigoSecreto e seja feliz.


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