Iatan GM: A culpa é de quem mesmo?

Eis que estreou “A culpa é das estrelas”, romance baseado no maior sucesso do autor John Green. E eu, que enchia o saco de geral por conta disso, vou parar de falar direto disso. Mas só depois de dar minha opinião sobre a adaptação aqui no PhD. Antes de prosseguir com a leitura, fica o aviso: eu não sou um crítico cinematográfico, a opinião que deixo aqui é de um fã dos livros de Green, e são sinceras.
Para quem não sabe, a história do livro/filme narra basicamente o romance entre Hazel Grace e Augustus Waters, dois jovens portadores de câncer. O livro de John apresenta uma trama leve, humorada e delicada de se acompanhar, abordando um lado diferente dos que vivem com a doença de maneira bem espontânea.
O filme tinha tudo pra ser espetacular, mas se perdeu na mesmice. Talvez o erro tenha sido meu de ter ido com muita sede ao pote, ou de santificar e idolatrar o livro a ponto de esperar um filme totalmente fiel. Mas o que acontece aqui é o seguinte: a história em si não sofreu muitas perdas, mas a essência da mensagem que John Green passou para o mundo com o livro, se perdeu na adaptação. Não temos a delicadeza, não temos o mesmo recebimento aconchegante que tivemos ao ler a história quando narrada por Green. Tivemos um bom filme de um livro singularmente incrível.
Um ponto forte do filme com certeza é o elenco, começando pela protagonista Shailene Woddley, que não foi nada menos do que IN-CRÍ-VEL. Desde o primeiro trailer não tive dúvidas, Shai é a encarnação da Hazel dos livros. Do cabelinho curto e tubinhos de oxigênio no nariz, até a postura agridoce de Hazel. A moça sabe fazer rir e chorar. Não sei dizer o quanto Ansel Elgort foi massacrado quando anunciado para o papel de Augustus Waters (Gus). A fan base em peso já tinha colocado na cabeça que o Gus dos livros era o Nat Wolf por-que-sim-obrigado. Eu fiz parte desse grupinho aí, mas posso ser sincero: ainda que fuja fisicamente da descrição do personagem de Green, Ansel tem todo o charme e carisma cafajeste que um Augustus Waters precisaria ter. Mais um ponto positivo para o filme. Nat Wolf, que era o queridinho do público para viver o protagonista, ganhou aqui o papel de Isaac, melhor amigo de Gus, e soube dar conta do personagem. Laura Dern interpretando a Mãe da Hazel foi algo mais do que agradável de ver, o mesmo se serve pro Sam Trammell, que se encaixou perfeitamente no perfil do pai da Hazel, fazendo até eu esquecer o quanto detesto o personagem dele na série True Blood. Willem Dafoe como Peter Van Houten não deu conta do recado, quem roubou a cena no núcleo de Amsterdam foi Lotte Verbeek, no papel de Lidewij Vliegenthart, secretaria do escritor.
Queria deixar claro que entendo o que significa uma adaptação, e que dos livros pra tela muita coisa pode (algumas vezes devem) ser mudadas. Porém, como fã possessivo do livro, eu não pude deixar de notar a ausência de muita coisa no filme. Algumas das coisas que mais me incomodaram foram: resumir a família do Augustus a mãe e pai, introduzir a história do balanço e não a concluir, encurtar bastante a história do Isaac (uma coisa que eu achei imperdoável foi cortarem o discurso dele no enterro do Gus), e o final completamente apressado. Coisas que parecem simples, mas fizeram certa diferença até no andamento da própria historia. Sinto até um aperto no coração de falar, mas, por incrível que pareça, nem o romance dos personagens foi tão bem explorado quanto poderia ser.
Quase todas as citações marcantes do livro ganharam vida no filme, passadas de forma espontânea e singular. Nesse ponto não houve tanta decepção. As imagens estão lindas, e os diálogos do casal apaixonantes. Muito do que foi mantido do livro ficou exatamente igual, e o filme te faz rir e te faz chorar. Faz chorar muito mesmo, chega em ponto no qual você tem que fazer um esforço para ouvir os personagens em meio aos soluços do público. É um filme agradável de ver, mas retratou de forma superficial o que John Green nos trouxe com o livro. Na minha escalinha de adaptações, “A culpa é das estrelas” está mais para “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” do que “Jogos Vorazes: Em Chamas”.
Outro ponto forte do filme é a trilha sonora, Jake Bug, Birdy, Charli XCX e Grouplove se encaixam de forma agradável ao ritmo do filme.
Eu quero jogar a culpa em algo, mas não vai ser nas estrelas. Pode ser no roteirista, ou no responsável pela montagem do filme. “A culpa é das estrelas” é um filme que possivelmente eu vou aprender a amar e aceitar com o tempo, por amor ao livro. Mas que não me desceu de primeira. O filme vale a pena ser visto, mas não chega a ser indispensável como o livro.

O infinito de John Green não coube nas telas do cinema. Uma pena.

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