Sara Richena: Sobre amigos, amizade e o tempo





Esses dias comecei a preparar a festa de um ano da minha filha e quando cheguei na lista de convidados acabei ficando um pouco pensativa. O tempo pode ser cruel, ou não, com as amizades. Parei pra pensar e não tenho contato com nenhuma amiga de infância, algumas encontro pela rua e chego a cumprimentar, trocar algumas palavrinhas quando nos encontramos na sala de espera da pediatra, mas amizade mesmo daquela época, é algo que eu não consegui manter. Deve ser pelo fato de eu ter mudado de cidade na infância, sei lá, talvez seja isso.
Sinto aquela ponta de inveja quando alguém diz que tem uma amiga desde os tempos da escolinha. Já pensando na adolescência deu pra ficar um pouco confusa, foram tantos amigos que passaram pela minha vida, amigos mesmo, que a gente chamava de BFF na época. No período dos 14 aos 17 (se não me engano) mantive a mesma roda de amigos. Quando novamente me mudei de cidade perdi o contato com todos, por opção minha, tava um pouco cheia de tudo, e foi nessa fase que comecei a perceber que amigos não são sempre amigos e que quando o ego fala mais alto, a pessoa passa por cima de quem quer que seja feito um trator. 

Agora vem a fase dos 17 em diante... estou com 25, ok? Foram tantas idas e vindas, amigos e amizades tão intensas que se dissiparam com o tempo. Esse tal de tempo que dizem ser o remédio pra tudo, realmente é tudo o que dizem sobre ele. Nessa fase aprendi a usá-lo com as amizades. O tempo vem passando mesmo que devagar e mostra quem realmente é o que você pensa ser. E olha, ele pode ser tão cruel mostrando que todos aqueles que você considerava os melhores amigos do mundo na verdade não passam de fases, que o tempo vem passando por cima e varrendo da sua vida. Quando meu pai dizia que a gente vê quem é amigo de verdade nas horas cruciais da vida ele não estava errado. Enquanto você é solteiro, ou não tem filhos, você é aquele amigo irmão camarada lembrado sempre, mas basta você não fazer mais parte da boemia que já te riscam da agenda e foda-se como tá sua vida. 

Poucos vão te ligar e perguntar como tá a sua vida, poucos vão se interessar por você, alguns por um tempo vão fazer as coisas como mandam o figurino, mas esses vão sumir em pouco tempo também. Agora voltando ao início do eu texto, sobre a lista de aniversário, pude perceber que a vassoura do tempo varreu feito tsunami as pessoas da minha vida e poucos, pouquíssimos sobraram. A conclusão que eu tiro é que pode ser um pouco triste sim, adoraria ainda ter meus amigos por perto, mas por um lado o tempo foi muito mais meu amigo que os outros e só deixou na minha vida aqueles que realmente se importam comigo e com o que se tornou a minha vida. E devemos agradecer por isso, devemos agradecer ao tempo por nos fazer ficar rodeados apenas de amor. Mas cuidado, como aconteceu nas outras fases da sua vida, as falsas amizades podem aparecer novamente e dar um pouco mais de trabalho à vassoura do tempo.

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