Sara Richena: A bitch e o nerd

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Aquela garota que passa cortando ao meio a roda de garotos com suas roupas curtas, justas, vulgares e chamativas. É a mesma que já passou na mão de pelo menos uns quatro ou cinco daquela turma que provavelmente o assunto seria ela e suas habilidades de amante. Também é a mesma que por seus atributos e sua fama, acumula desafeto em larga escala, na maioria deles do seu mesmo sexo que a recriminam por sua forma de amar e de se expor a esse amor. Suas inimigas estão erradas ao pensar que a garota leviana e sem pudor não sabe amar. Elas não sabem da missa a metade, pois o amor que ambas sentem é diferente. Quem disse que puta não ama? Ama o luxo, a beleza, o poder, o sexo, o perigo e a fama que ganham de brinde por serem o centro das atenções, mesmo que por maioria das vezes sejam por olhares maldosos e maliciosos. Espera, não são elas que gostam de malicia? Sim, são elas. Mas saiba que uma hora, quando menos se espera, esse amor do mundo vai acabar. A garota que tanto chamou atenção, que tanto foi desejada, não passará da lembrança de uma aventura na vida dos tais garotos. Ela não vai mais conseguir demonstrar e provar que a sua forma de amar também é válida. E se não acabar essa forma de amar, vai enjoar e ela não mais vai querer uma mão vazia sobre o seu corpo ou um beijo sobre o efeito do álcool ingerido minutos antes. Ela quer amor de verdade, ela quer ser a garota de alguém. Onde estão todos que diziam a amar? Seria tarde demais? 

O nerd ao fundo da sala... mas espera, o nerd não fica na frente? Nesse caso não, o nerd fica ao fundo por dois motivos: o fato de ser excluído por ser diferente dos demais e o fato de que o seu grande amor, por hora platônico, se sente ali perto mais precisamente ao seu lado. Sabe aquela garota popular e gostosa? É ela. E nem nos seus mais incríveis sonhos o pobre nerd teve a esperança de um dia ser notado por ela, pois é tão diferente dos caras que ela está acostumada a sair, a se envolver. Ele não tem o corpo definido e muito menos bombado, não anda com roupas de marca e nem com o carro do ano, ele veste o seu jeans surrado, sua camisa xadrez e carrega o seu mais novo brinquedinho tecnológico onde quer que vá. É magro e sua diversão aos finais de semana é zerar os jogos do Xbox. Até que em um desses dias comuns em sua vida, em que fica no canto da sala sem que ninguém o incomode, surge a oportunidade que ele via em seus sonhos, a tal garota também em seu canto, cansada de toda aquela forma de amar, cansada do vazio decide dar uma chance ao novo, decide dar uma chance ao nerd. 

Não pense você que ela o agarrou, muito pelo contrário. Ela começou a reparar que o cara até que era bonitinho e tinha sua graça, um sorriso encantador, a barba por fazer, os olhos brilhavam, os músculos que faltavam ali acabaram não fazendo diferença. Puxou conversa e foi se interessando cada vê mais por aquele mundo desconhecido. O nerd percebeu que a garota fácil e de roupas chamativas era na verdade uma menina inteligente e que assim como ele, sonhava em sentir as famosas borboletas no estômago. Conversaram sobre shopping e ciência, compras e programação de computadores, moda e vídeo game, novelas e star wars. Passaram-se minutos e horas, passou também o olhar dos curiosos e recalcados, mas a química não deixou que eles percebessem. Ela precisava de alguém que a visse por dentro e ele de alguém que o visse por fora. Seria o inicio de uma história de amor? Os opostos se atraem.


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