Iatan GM: Pais e filhos

08:00:00


Detesto acordar cedo. Mas acabo sempre acordando. Primeiro por obrigação, segundo por hábito. Dia desses precisei acordar mais cedo ainda por conta do eletrocardiograma que eu iria fazer em uma clínica no centro da cidade, como tive que abusar da boa vontade do transporte público eu sabia que iria levar um tempinho, e não quis me atrasar.

Quando cheguei ao ponto de ônibus passava das sete da madrugada (porque convenamos que pra mim qualquer horário entre a meia-noite e  oito da manhã é madrugada). O ponto de ônibus fica em frente a uma escola infantil, e graças a isso fiz uma observação curiosa que quero compartilhar com vocês.
Minutos após eu ter chegado ao ponto de ônibus um rapaz, aparentando seus vinte e cinco ou trinta anos, desce do carro. Um cheiro forte de um perfume caro, uma barba relativamente longa, morena e bem cuidada. Ele então abre a porta de trás e tira sua filha. A criança, que com toda certeza tinha menos de cinco anos, estava sonolenta e mal andava direito sozinha. O pai pegou a criança e a pôs em seus braços, levou a até o portão de entrada, deixou a menininha e apenas certificou-se de que ela entraria sozinha. Virou-se apressado e seguiu de volta para o seu carro. Saiu sem olhar pra trás, sem se despedir, sem certifica-se de que sua cria estava bem. Acelerou o carro e foi embora.




Depois de uns minutos outro rapaz chega para deixar sua criança na escola. O moço dessa vez era loiro, tinha dreads no cabelo e carregava uma mochila nas costas. Era branco, sua pele tinha um tom alaranjado, queimada pelo sol, e veio com sua filha numa bicicleta simples. Aparentemente era da mesma idade do homem que chegou e saiu apressado em seu carro.
Esse pai pôs sua criança com todo cuidado no chão. A criança estava esperta, sorrindo para o pai que lhe retribuía o mesmo sorriso. O pai então lhe beijou a testa e apontou a entrada da escola. A criança seguiu com uma firmeza quase adulta, olhou para trás apenas para acenar um tchau para o rapaz das dreads loiras.
O pai da criança saiu com um sorriso, provavelmente seguiu rumo ao seu trabalho.

A julgar não me restou duvidas de que a segunda criança, que provavelmente seria menos favorecida financeiramente, seria a mais feliz. Não digo que o dinheiro não é bom e importante, apenas digo que muitas coisas são deixadas de lado por aqueles que permitem deixar que isso passe por cima de coisas que importam mais. Quando vi o primeiro pai indo embora sem sequer demonstrar qualquer preocupação com a criança tive uma sensação de abandono. Muito provavelmente essa criança não será uma boa pessoa, ela terá uma tendência a ser desatenta, preguiçosa e inapta a muita coisa perante a nossa sociedade.
Quando o segundo pai se despediu com toda atenção da criança, ali sim senti uma relação familiar. Pude sentir o quanto confiante essa criança pode vir ser no futuro.
Então vocês - leitoras e leitores - que já tem suas crianças, abram os olhos para o modo com o qual vocês estão tratando seus filhos. Pequenos gestos que podem passar despercebidos poderão vir a influenciar e significar muito lá no futuro.




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