E.M: a ex gordinha envergonhada


Quando eu era novinha, vivia voltando triste da escola pra casa. Eu era motivo de piadinha entre a turma, sabe? Minha mãe não sabia mais o que fazer, porque eu nem comia muito pra ser uma criança gordinha. E era raro eu ver um chocolate ou qualquer outro doce (só aos finais de semana) e meus pratos de almoço e jantar eram enriquecidos de coisinhas verdes e verduras cozidas. Quase virei vegetariana sem querer.
Fui pela primeira vez ao médico aos 9 anos e eu não entendia muito bem o que ele dizia. Ele só falava pra minha mãe que eu deveria operar quando ficasse um pouquinho mais velha, se não eu poderia ter um problema cardíaco.
Acabei usando o diagnóstico como desculpa para meus colegas na escola. Eu costumava dizer (quando eles me chamavam de 'apelidinhos carinhosos') que eu seria gordinha só até eu ficar mais velha, porque o médico iria me operar e me curar. Olha só que coisa feia?
Com o tempo, eu fui até me adaptando ao meu corpo. Conseguia usar roupas que me deixassem bonitinha, sem parecer desproporcional. Mas aos 13 o médico disse que já dava pra pensar na operação. Voltei a gostar da ideia porque eu queria fazer minha festa de 15 anos um registro de uma mudança radical na minha vida: tanto esteticamente, como também com a minha saúde.
Operei aos 14. Fiz redução de estômago e uma série de tratamentos. Hoje nem tenho mais problemas com o que vou comer e nem fico com medo com que roupa vou sair porque meu corpo está do jeito que eu jamais pensei que fosse ter um dia. Mas aquela segurança que adquiri na pré-adolescência infelizmente não existe mais. Toda vez que me relaciono com alguém, sinto que vou ser deixada, que eles se interessarão por qualquer uma que aparecer na frente e nunca aposto que sou mulher suficiente pra completar a vida de ninguém.
Aquela vergonha do corpo nem existe mais. Nem sei explicar que tipo de vergonha é, na verdade. É uma insegurança misturada com a vergonha de se sentir insegura. Já tive até namorado que me disse (e me provou) que me amaria mesmo se eu tivesse continuado gordinha e mesmo assim não consegui provar pra mim mesma isso. Aí, por tamanha falta de confiança, acabo perdendo a pessoa porque todo mundo cansa de tentar provar o que eu nunca quero acreditar.
Acho que ficou mais um texto de desabafo do que um assunto sobre regime, né? Não sei se tenho moral pra dar conselhos, mas aprendi que não é o corpo que te faz uma pessoa melhor, ou uma mulher melhor: o melhor está na consciência, não no porte físico. As vezes a gente se preocupa tanto em deixar o corpo saúdavel, que esquece que a cabeça também é merecedora de saúde. E não adianta a gente entrar na faca, fazer plástica, malhar horrores e continuar se achando feia por dentro. O corpo e a mente tem que ser a dupla perfeita.

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