Elaine Oliveira - O amor na Terra do Sol Nascente.

11:09:00



Essa história foi enviada por Elaine Oliveira, a espectadora dessa história, a qual é mencionada como irmã pela narradora.
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Sou uma internauta como outra qualquer que procura por novas conversas com amigos perdidos e que gosta de bisbilhotar sites de relacionamentos de outrora, ainda mais depois do término de um casamento fracassado, meus finais de semana passaram a serem comuns e era assim que eu desejava manter. A única forma que eu encontrei para me refugiar do vazio que sentia foi a ‘bendita’ internet!
Em mais uma dessas típicas noites, banhada da sequencia MSN, Orkut e uma boa música ao fundo, decidi procurar por Oshima, um colega de classe do ginásio. A única lembrança que tinha dele era que estudamos juntos na quinta ou sexta série talvez, porém nunca trocamos uma só palavra, mesmo estando próximo de mim todos os dias. Adicionei-o e rapidamente recebi uma resposta, com um emotion de rostinho simpático:
“Oi. Você é de Arujá??
Acho que não te conheço rs
e se conheço me ajude a lembrar,
Desculpe os erros de português, ta?
Mas é que estou fora do Brasil há alguns anos...”

Decorei esse primeiro recado, mas como quase todo mundo, tenho a mania de apagar tudo em meu scrapbook e confesso que me arrependi, pois ali estava o registro do que se tornaria em breve uma bela história.

Agora, o até então desconhecido Oshima tinha se tornado amigo de MSN. A sintonia foi instantânea, cada um com a sua lembrança daquela época, mesmo não tendo existido qualquer contato entre nós dois, mas o fato de termos estudado no mesmo colégio e termos amigos e professores em comum tornou o nosso contato saudável e divertido. Recordar a nossa adolescência virou uma marca registrada em nossas conversas. Ele não se lembrava de ter me visto alguma vez e nem tinha como eu fazê-lo lembrar pessoalmente, pois havia 5 anos que ele tinha se mudado para o Japão.

Nossos papos tornaram-se frequentes e empolgados. Ele podia me ver pela webcam e logo providenciou uma também para que ambos pudessem fazer da distância algo pequeno diante do nosso contato visual via internet. Oshima se mostrava um eterno apaixonado por aquela fase boa de nossas vidas e isso me fazia sentir saudades também. Apesar dele não se lembrar, nunca me esquecerei da primeira promessa que me pediu: “agora que entrou na minha vida, promete que não vai mais sair dela?”. Eu nem imaginava que ainda iria fazer muitas promessas desse tipo...

No primeiro dia de bate-papo já fui dormir mais de 6h da manhã. Confesso que me encantei em primeiro contato. Falamos de tudo e descobrimos que somos parecidos em muitos aspectos – dos mais simples aos mais complexos (esse último só descobrimos com o tempo, obviamente). Minha única vontade era de acordar e vê-lo on line novamente para conversar de novo, pois ele se mostrou tão doce e apaixonado pela vida de uma forma que nunca tinha visto antes.

Tornou-se um hábito entrar no MSN após a saída de minha irmã para a faculdade. Ele já deixava em seu Nick “Quando entrar, me chame”. Ele acordava e vinha direto teclar comigo antes de sair para o trabalho. O horário mais adequado para nossas conversas era a noite para ele, e muito cedo para mim aqui no Brasil, mas pelo fato do computador ficar no quarto da minha irmã e essa hora ela estava dormindo, Oshima acabou mudando um pouco a sua rotina para poder conversar mais comigo. O motivo pelo qual ele se propunha a isso ainda era desconhecido para nós dois.

Nossa amizade se tornou imensa e necessária. Precisávamos falar ao menos um ‘oi’ todos os dias. O que estava acontecendo? Me lembro até que ele me ligou umas duas vezes. Atendi com meu coração batendo forte e em minha cabeça havia mil coisas para serem ditas e nenhuma palavra saía – nunca senti nada igual. Tudo girava contra nós dois, mas a cada dia descobríamos novas afinidades e nos completávamos ainda mais.

Paixão?
Amor?
Dúvidas?
Não podíamos! Afinal de contas, ele estava do outro lado do mundo e tinha uma vida lá, inclusive uma namorada! Eu estava recém separada, porém, estava livre! Nada me impedia de estar com quem eu quisesse, mas tudo indicava que se houvesse um sentimento entre nós dois, ambos sairiam machucados.

Foram tantos os meses passados... 4, precisamente... Tentei dar um fim nessa loucura que desde o inicio ele chama de mágica. O nome era perfeito, já que só existia essa explicação para nós dois. Mandei um e-mail dizendo tudo o que sentia. Estava triste, carente, sozinha e há quatro meses alimentando um amor que não sabia se viria a fazer parte da minha vida. Não queria viver mais aquilo, apesar de ser muito bom, mas também me fazia mal, pois alimentar um sentimento através de uma janela fria de um computador não era uma das tarefas mais fáceis, mas não imaginava que seria tão difícil terminar algo que nunca tinha tido um inicio sequer. Escrevi cada palavra chorando e ele leu praticamente na mesma hora que havia enviado. Ele me respondeu de imediato e sei que ele também chorou. Eu tentei fazê-lo entender que estava difícil enxergar uma possibilidade de tudo isso dar certo e termos um final feliz. Oshima tentou reverter a situação e me dizia palavras animadoras para tentar me convencer a ver um lado positivo naquela história. Conversamos um pouco pelo o MSN e após me despedir, meu telefone tocou. Era ele chorando ainda. Eu estava com medo de sofrer novamente e tentei me explicar mais uma vez. Medo era um sentimento resumido de tudo que se passava dentro de mim, e acredito que nele também. Tudo era tão incerto!

Parecia que toda aquela mágica acabaria ali, mas decidi rever meus conceitos. Não podia terminar daquele jeito – sem ao menos ter a chance de começar direito. Nos entendemos, pois no fundo era isso que eu desejava. Tentar fugir de uma provável desilusão futura me parecia ser a solução mais conveniente e eu não queria pagar pra ver depois do que eu tinha passado recentemente. Ele estava geograficamente longe de mim, mas era inexplicável a sensação de querer estar perto de alguém tão distante. De certa forma, um sentimento bom nos unia.

Somente o tempo mostrou o quanto valeu a pena me entender com ele naquele dia. Os sinais foram claros e com um jeito único de nós dois, provávamos o quanto éramos importantes um para o outro. Com recados discretos e mensagens um tanto subliminares espalhadas em tópicos de comunidades muito bem entendidos pelos destinatários e remetentes. Mesmo quando não tínhamos palavras para trocar, o silêncio e os olhares trocados pela webcam respondia muitas coisas, nos aproximava ainda mais.

É muito novo para nós dois esse lance de mantermos um relacionamento como se estivéssemos bem pertinho: conversamos, namoramos, discutimos, as vezes temos diversos assuntos, as vezes assunto nenhum, mas sempre estamos um ao lado do outro, embora separados por um imenso oceano.

Completamos um ano juntos e minha felicidade aumenta a cada dia. Eu disse que ele tinha alguém? Bem, ele tem mesmo, mas hoje, esse alguém sou eu! Nossos sentimentos são recíprocos e nos desejamos mais do que tudo. Já temos um plano para nosso primeiro encontro e enquanto esse dia não chega, percebemos o quanto as experiências ruins nos uniu: sofremos decepções no amor e sem saber estávamos a nos procurar. O destino conspirou ao nosso favor e de alguma forma fez com que nos encontrássemos.

Alma gêmea?
Metade da laranja?
Amantes em outra vida?
Não sei dizer... Normalmente, a mágica não tem uma explicação lógica e aí a única saída é viver e sentir!

Hoje tenho uma nova rotina de vida. A internet ainda é meu passatempo preferido, mas sem o Oshima conectado não tem a menor graça! Procurar amigos tornou-se meu segundo plano. Mesmo em seu trabalho, tenho sua atenção. Trocamos e-mails sempre e a sua maneira, está sempre presente e cuidando de mim. Adoro ouvir sua voz cheia de dengo, me pedindo para falar ou cantar para ele até o sono chegar. Amo quando ele me prova o quanto me deseja; seu corpo reage a mim, suas vontades se resumem em me desejar e satisfazer cada sonho erótico comigo – sentimentos esses que conheço bem, pois também o desejo como nunca desejei alguém. Estamos vivendo um romance além do monitor. Contato de pele ainda não existe e não podemos trocar calor humano, mas hoje já posso desejar e pedir que esse sentimento dure para sempre.
Somos felizes mas falta algo ainda...
...nossa união para realizar tudo que até hoje se resumiu em sonhos!

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