pt 3: feeling good

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Vocês mais do que ninguém sabem que o capítulo anterior terminou com um beijo, né? Mas não demorou muito até eu entrar pra minha casa. Deixá-lo na expectativa não estava nos meus planos, e pra dizer a verdade eu nem imaginava que tal sentimento seria criado. O motivo? Esqueci de contar, né? Ele é mais novo. Exatos 6 anos. E quando fiquei sabendo disso, quase cuspi o café quente todo pra fora de tão impressionada - primeiro porque ele não aparentava, tanto fisicamente quanto no comportamento. Segundo porque se não estava nos meus planos me envolver com alguém, imagine com um cara muito mais novo. Já pensei no almoço de família, minha mãe me censurando por eu acabar sempre me apaixonando por caras mais novos, e na cabeça dela os novinhos sempre magoam mais porque querem 'pegar' a mulherada. Engano seu, senhora minha mãe. Homens de todas as idades querem pegar a mulherada, isso difere de caráter para caráter.
Pra quem acompanha esse blog já sabe que eu posso ser machista e feminista ao cubo ao mesmo tempo. Minha descrição é altamente paradoxal. Aquele simpático rapaz pagando a nossa conta fazia eu me sentir a tia da perua roubando o Danone de sua lancheira. Mas como um rapaz tão novinho consegue ser implacavelmente HOMEM sem deixar transparecer sua idade de menino? Impossível não ter uma história pra lá de interessante por trás disso...
E no dia seguinte, eis que o insistente rapaz estava na minha porta, com um bombom em mãos e um sorrisão no rosto de quem ganhou na megasena! Ele foi tão ousado em não ter ao menos ligado pra avisar que apareceria! Me pegou de moletom, regata, descabelada e de óculos na cara. Quando abri a porta, Boris evidenciou o furo da minha meia, lambendo a ponta do meu dedinho que estava timidamente escondido no tal buraquinho.
O convite era pra dar uma volta. Minha desculpa era que eu estava fazendo um freela. A tréplica foi que ele se prontificaria a ajudar, assim eu terminaria logo. E eu acabei dizendo que depois terminaria o freela-mentira e o convidei para entrar.
Assistimos filme, comemos besteiras, brincamos com o Boris e eu me senti uma adolescente novamente. Não que eu tivesse espírito de velha, mas sabe quando você se invoca com o coração, esquece que ele existe e se enfia no trabalho e outras responsabilidades? Pela primeira vez em quase 3 anos eu me senti a vontade de demonstrar o que sou de verdade para alguém que acabei de conhecer.
Se minha mãe ler esse trecho, imagino que ela diria "mas como você deixa um desconhecido entrar na tua casa? ". Certamente a resposta seria que ele me passa confiança...
Confiança e liberdade... hum... estamos indo bem, não?
No começo da noite ele foi embora. E combinamos de jantar. Pedi para ser no dia seguinte, mas ele, como sempre me persuadindo, fechou o plano do jeito dele: " Te pego daqui 3 horas"...
E eu o vi partindo... com o Boris sentado ao meu lado. Eu encostada no batente da porta e meu cachorro olhando pra mim, questionando o porquê daquela cara de idiota de sua dona...

...continua...

Foto: Mariana Lima


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