27 de jul. de 2026

 


Desde que o mundo é mundo o cinema, a literatura e o teatro andam de mãos dadas. Se nos primórdios os livros eram adaptados para os palcos, hoje os palcos e a sétima arte se dividem para fazer da literatura algo visível que antes só fazia parte do nosso imaginário depois de ler. E quando a gente pára para pensar que A Odisseia, cânticos atribuídos a Homero de quase 3000 anos, foram adaptados para o cinema como a superprodução mais cara no currículo de Christopher Nolan, um contraponto entre o antigo e o moderno se sobressai aos nossos olhos.

Era de se esperar que muitos estranhariam a presença de armaduras, barcos e linguajar diferentes da Grécia Antiga, mas a liberdade que um cineasta tem para adaptar uma obra faz com que essas diferenças se tornem uma licença poética, porque como o próprio verbo diz, ADAPTAR não é copiar, é encaixar uma história em uma visão ou formato diferente. Uma coisa que entendi quando comecei a estudar cinema, é que se a nossa pretensão como espectador  é encontrar uma exata cópia de um livro em uma adaptação, é aconselhável fazer a releitura da obra original, e não assistir a um filme. 

Dito isso, quem vai ao cinema de coração aberto para assistir A Odisseia se depara com uma adaptação que faz jus a cada centavo de seu investimento: a presença ilustre de um elenco de peso e escolhido a dedo, a ausência de CGI e uso contínuo de efeitos práticos, a humanização de seres mitológicos e Deuses representados por forças da natureza e ambientações reais que dispensam o uso da tela verde deixaram o projeto apoteótico. Uma história contada de maneira não linear, que conta com flashbacks longos de momentos impactantes e reveladores, e uma tensão levada até a última cena do filme que ganha ainda mais impacto com a soma dessa narrativa, com uma trilha sonora densa e imersiva e atuações que te levam para caminhos que te confundem de maneira positiva para a sua experiência.

Quanto ao elenco, Matt Damon é aquele ator que muitos subestimam, mas que nunca deixou a desejar naquilo que se propõe a fazer. Muitos falam (mal) também da atuação de Tom Holland, mas como Telêmaco, um rapaz que cresceu perdido entre a história do pai e a responsabilidade que um dia teria que assumir sem direção alguma, só configurou o que espera do próprio personagem. A cerne de todos que marcam presença nessa história foi tirada de maneira brilhante por um elenco que caminhou entre a transparência de seus papéis com a responsabilidade de dar conta de uma história tão antiga, tradicional e importante para a literatura.



Falar de Nolan acaba se tornando dispensável, mas nunca dispenso um comentário que seja, rs. Todas as vezes que assisto uma entrevista do diretor em campanhas de divulgação de seus filmes, é como se eu assistisse uma aula gentil e genuína de como fazer cinema nos tempos modernos, mas sem abusar de tantas tecnologias que hoje temos em nossas mãos para ainda fazer o bom e velho cinema funcional. Ele se tornou um dos meus diretores favoritos porque independentemente da crítica a cada um de seus lançamentos, é como se eu tivesse a oportunidade de aprender mais e mais sobre essa arte que cresci consumindo e me apaixonando cada vez mais. E essa aula vai além do habitual que vemos em sala de aula como alunos de audiovisual: não é somente sobre uso de cores, de cortes, de cenários e construção de narrativa e roteiro, é como juntar tudo isso e fazer algo bonito, convincente e espetacular aos nossos olhos.

O trabalho do Nolan não se firma com o que ele fez e sim da maneira que ele fez. Os detalhes que as vezes podem parecer exagerado ou dispensável na verdade são aqueles famosos detalhes que fazem toda a diferença. Para mim, assistir aos seus filmes é entender a cabeça de alguém que enxerga tudo de maneira grandiosa, mas que não perde o fio da meada como muitas das vezes acabamos encontrando em algum outro filme. E que sorte tivemos de encontrar estúdios que acreditaram nas ideias desse homem! 

Por fim, como frisei em todos os vídeos sobre A Odisseia que postei em minhas redes, não temos uma sala IMAX raiz nos cinemas brasileiros, mas se sua cidade possui alguma sala XD, vale encarar uma sessão nela para assistir A Odisseia e ter uma experiência além do que uma sala tradicional te proporcionaria. É um filme forte, lindo, com um som poderoso que te faz imergir a cada cena (principalmente na caverna do Ciclope, ali o patamar sobe a níveis de outro mundo). Permita-se encarar uma adaptação que vai além do padrão, mas que entende que a linguagem atual merece algumas mudanças pequenas de percurso. Vale cada minuto do seu tempo.



11 de jul. de 2026

 




A Dra. Briana Ortiz é uma mulher forte, mas está muito cansada. Ela acabou de se divorciar, seu irmão precisa de um transplante de rim... e sabe a promoção no trabalho que ela estava esperando? Pelo jeito, é o novato intrometido quem vai conseguir o cargo.

Jacob Maddox sabe que já ganhou a antipatia de Briana. Por isso, decide se explicar de forma incomum: numa carta escrita com caneta-tinteiro e papel especial. Bem, parece que, no fim das contas, ele não é tão ruim assim.

Briana começa a trocar cartas com Jacob e passa a conhecer melhor o médico caladão que prefere uma vida sossegada a grandes eventos sociais. De repente, eles estão almoçando juntos e debatendo as vantagens de se ganhar um pônei e percebem que têm muito em comum, desde o encanto pela natureza até o gosto por histórias bizarras de hospital.

Quando Jacob decide dar a Briana o melhor presente imaginável, ela se pergunta como poderá resistir a esse simpático médico… especialmente quando ele pede um favor que ela não pode recusar.

Sinopse da editora

-

Eu tenho muita, mas muita preguiça de histórias que orbitam entre dois personagens adultos que não se comunicam direito. Quando é um livro de jovens adultos até entendo, mas quando temos duas pessoas com quase 40 anos nas costas que ficam na base do achismo ao invés de se comunicar um com o outro eu acho muita palhaçada.

Dito isso, Para sempre seu traz um tema de grande peso para esta história, que é a doação de órgãos e a importância da terapia na vida de qualquer ser humano que vive nessa sociedade contemporânea maluca que temos hoje. Abby Jimenez trouxe a sua própria experiência como paciente em tratamento de insuficiência renal para o seu livro, e paralelamente ao desenvolvimento da obra, também caprichou bastante no desenvolvimento dos personagens.

Mas acho que uma coisa que ajuda e atrapalha ao mesmo tempo a escrita da autora é o excesso de reflexões dos personagens. É muito importante sim desenvolver a trama, principalmente dos protagonistas, com os pensamentos fluídos a respeito dos acontecimentos do presente, passado e o que esperar do futuro sim, aliás, tem autor que peca justamente por não oferecer ao leitor este tipo de aproximação, mas nos 3 livros que li de Jimenez ela dá uma bela extrapolada, deixando a leitura repetitiva e um tanto quanto cansativa. Teve momentos em que bati uma leitura dinâmica ali porque o saco já tinha estourado mesmo.

Apesar disso, a história é bem gostosinha, os personagens tem uma química muito convincente e bem construída, e fiquei torcendo para que a autora não estragasse o livro com um plot horroroso como fez em Apenas amigos.


Outras obras da autora que já resenhei:

30 de jun. de 2026

 




Depois de uma tempestade catastrófica, Cora sai de casa com Maia, sua filha de nove anos, para registrar o filho recém-nascido. Seu marido, Gordon, um respeitado médico na cidade, mas uma presença aterrorizante e controladora em casa, quer que o filho receba seu nome, mantendo assim a tradição de sua família. Mas, quando a funcionária do cartório pergunta a Cora que nome quer dar ao bebê, ela hesita...

Sete anos depois, o filho, que recebeu o nome de Bear a pedido da irmã, encara uma catástrofe muito mais terrível que a tempestade do dia anterior ao registro de seu nascimento. Ou será que ele se chama Julian, nome escolhido por Cora, convencida de que isso o libertaria de toda a ligação com o pai cruel? Ou, quem sabe, seu nome seja Gordon, tendo herdado do pai o nome e a brutalidade?

Esta é a história de Bear, Julian e Gordon, três versões de uma vida definida por uma simples escolha com todas as ramificações que ela pode desencadear. Esta é a história de uma família e de um amor capaz de perdurar apesar do que o destino reserva.

Com uma prosa elaborada, Os nomes explora as dolorosas reações em cadeia de uma decisão, os problemas que unem uma família e as possibilidades de tomar as rédeas da própria vida. Com sensibilidade e profundidade excepcionais, Florence Knapp nos envolve em uma história contada sob o prisma dos vários caminhos da vida, considerando quão singular é cada alternativa. Com uma estrutura brilhante, uma escrita instigante e uma enorme carga emocional, Os nomes já nasce um clássico moderno.

Sinopse da editora

-

"- Porque é tão importante assim? Pro papai? O negócio do nome igual?
A vontade de Cora é dizer que é importante porque tem uns homens grandes que se sentem pequenos por dentro. Porque alguns deles, como o pai de Gordon, levam a vida certos de que são tão superiores que acham que os filhos e os filhos dos filhos devem ser todos ser feitos em homenagem a eles. Porque as vezes a necessidade dessas pessoas de agradar as gerações passadas é maior do que a de amar as futuras"


Essa frase logo no primeiro capítulo do livro já resume toda a essência de sua mensagem, que para mim, é disparado o livro do ano, mesmo que ainda 2026 esteja longe de acabar. Fazia muito tempo que eu não me sentia tão conectada com uma história, a ponto de eu sequer sentir o tempo passar emendando um longo capítulo no outro, porque Florence Knapp consegue destrinchar todos os seus personagens em tantas camadas peculiares e importantes nesse seu livro de estreia que eu não quero nem ver o quão bombástico e maravilhoso será a sua próxima obra.

A autora nos entregou uma ficção tão baseada na verdade que é impossível não sentir empatia por essa família vítima de um provedor violento, controlador e manipulador. Não existe uma unidade de palavra que romantize todas as problemáticas apresentadas nessa história - só encontramos uma dura realidade que infelizmente compõe uma estatística avassaladora na vida real: mulheres que vivem com medo, que perdem o precioso tempo da vida, e muitas vezes perdem até a vida porque são forçadas a acreditar que não existe saída para uma realidade como essa, principalmente quando o marido usa os filhos para desencorajar a mulher a fugir.

O paralelo entre 3 realidades distintas dessa família baseadas nas escolhas da mãe ao registrar o nome do filho não passeia pela simplicidade da atitude escolhida como gancho para a história. A principio pode parecer qualquer coisa relacionada a numerologia, significado de nomes, mas acredite, este é somente um subtexto para escancarar que muitas das vezes a violência doméstica é realmente camuflada por um pensamento que a mulher sempre carrega quando passa por isso: "será que EU estou exagerando?"

É importante frisar que para mostrar a culpa que mulheres carregam sem correr o risco de cair na romantização inconsciente, Floresce caminha justamente pela simplicidade da narrativa para não ter distrações que tirem o foco da mensagem, mantendo sempre o filho mais novo como um termômetro das 3 realidades, justamente para não deixar em hipótese alguma o leitor subentender erroneamente que Cora carregava uma culpa que realmente era dela. Como ela faz isso? Mostrando como o Gordon inventava histórias sobre a mãe para ganhar a atenção do pai, os esforços da mãe de Cora em todas as realidades para salvar a filha, de alguma maneira, o quanto Maia se sentia responsável desde a infância de salvar a existência da mãe, entre outras nuances dos personagens em todas as 3 realidades apresentadas.

É um livro avassalador, reflexivo, denso, poderoso, cru e altamente real que merece todos os aplausos que anda recebendo desde abril de 2026.


Tem resenha mais completinha ainda no meu canal do Youtube:


27 de jun. de 2026

 


Era uma vez um casal que, após iniciar a reforma de um apartamento, ficou com uma ideia fixa de decoração para o quarto, inspirados em uma foto de um quarto de hotel que nunca foram na vida. Até que eles encontraram um obstáculo no caminho: o baixo orçamento.

Quem nunca viveu uma história parecida com essa introdução, não é mesmo?

Quando compramos esse apartamento lá em 2021, nós tínhamos um bom gosto e um sonho, só faltava o dinheiro pra fazer tudo do jeito que planejávamos. Então fomos fazendo a reforma do jeitinho que pensávamos enquanto o orçamento deixou, e deixamos alguns detalhes para depois, conforme as possibilidades fossem surgindo. E boa parte dessas coisas deixadas para segundo plano foi em nosso quarto.

Nossa ideia inicial foi inspirada em um quarto de hotel de Paris que vimos em um canal no Youtube de uma arquiteta brasileira super renomada. Ela estava fazendo o conteúdo dela nesse quarto e nos apaixonamos por TUDO que vimos nele. Pintamos o quarto inteiro em um tom muito parecido com o dele, mas nos apaixonamos perdidamente pela cabeceira. Espia só, que coisa linda:




Mas como nem tudo é fácil nessa vida, esse tipo de cabeceira aqui no Brasil não era das mais fáceis de se encontrar para vender pronta, para não dizer impossível. E pesquisando em como fazê-la, nos demos conta que o investimento seria bem alto, pois exigia materiais de alta qualidade por uma questão de durabilidade. E assim fomos deixando essa ideia para algum dia, quando o dinheiro entrasse.

Os anos foram passando e a nossa cabeceira antiga foi incomodando e destoando cada vez mais. Ela era uma cabeceira de capitonê que já estava cheia de manchas e desbotada, mas esse é o registro de quando ela ainda estava em sua boa forma:


E por conta desse incômodo arranjei uma solução paliativa e provisória, com uma capa de linho muito bem feita que encontrei no finado Elo7 (que Deus o tenha), e que quebrou o galho por um tempo.


Até que um belo dia, encaroçando na Tok&Stok, vimos uma cabeceira que fez eu recalcular completamente a rota, e assim até repensar no estilo decorativo que adotaríamos para o quarto no futuro: a fatídica cabeceira amarela.


Só que mais uma vez, o orçamento não permitia um investimento como este, então pensei: e se eu reformasse a cabeceira que eu já tenho? Ela ainda estava boa, só estava feia.

Pesquisei sobre qual era o melhor tecido para fazer este tipo de revestimento, pois precisava resistir ao sol, mesmo que fraquinho, e também que desse uma boa cobertura, sem deixar os botões do capitonê a mostra. Tive ajuda do atendimento online via whatsapp da Wiler, a loja que comprei o tecido, e foi assim que decidi pela cor e material.


A reforma não é difícil, só requer um pouco de jeito a quatro mãos: coloquei a cabeceira deitada no chão da sala com o tecido embaixo, grampeei todo um lado, e nas outras bordas, pedi para o marido ir puxando bem enquanto eu grampeava o restante. É importante que o tecido fique bem esticadinho por motivos óbvios né?

E o resultado da reforma foi esse:


Eu amei a combinação do azul com o amarelo, e a ideia agora é transformar essa decoração em algo inspirado no estilo Bauhaus. Faltam alguns poucos itens para deixar a decoração 100% do jeito que repensamos - uns quadros em cima da cabeceira já vão garantir um bom resultado, e os outros itens como o espelho e a porta no closet fazem parte mais da estrutura do que da decoração, então... estamos chegando lá.

Mas você pensa que acabou? Claro que não! Eu ainda não estava contente com a luminária na minha mesa de cabeceira e nem com a roupa de cama, já que eu tinha visto essa inspiração no Pinterest e fiquei apaixonada:


Tinha visto várias outras inspirações que combinavam o vermelho e o azul claro com o amarelo e fiquei com um hiperfoco danado. Aí ganhei de presente da minha mãe as fronhas maravilhosas que encontrei na Maru e tudo ganhou mais cor. Troquei a luminária do quarto pelo do escritório e o resultado foi esse:


Vocês acham que eu tô apaixonada sim ou com certeza?

Eu fiz um video nas minhas redes sociais contando toda a saga da cabeceira. Para conferir é só clicar aqui.

17 de jun. de 2026

 




Depois de fazer uma aposta e conhecer uma cabrita de pijama, o mundo aparentemente perfeito de Alexis Montgomery virou de cabeça para baixo. A causa: Daniel Grant, um carpinteiro sexy dez anos mais jovem que ela – o completo oposto da sofisticada mulher da cidade grande. Ainda assim, a química entre eles é inegável.

Parte de uma família rica de renomados cirurgiões, Alexis não está interessada em glória e fama. Ela está feliz com sua profissão de médica socorrista e não deseja perpetuar o legado dos pais. E, a cada minuto que passa com Daniel em sua cidadezinha, ela descobre o que realmente importa.

Porém, deixar que o relacionamento deles se torne algo mais do que apenas uma aventura significaria dar as costas para sua família e abandonar a oportunidade de ajudar milhares de pessoas.

Permitir que Daniel faça parte de seu mundo é impossível, mas ela também não quer desistir da felicidade que encontrou nos braços dele. Com tantas diferenças entre eles, como Alexis pode escolher entre seus dois universos?

Sinopse da editora

-

Minha primeira experiência com a Abby Jimenez foi tenebrosa - li “apenas amigos” e achei um livro enfadonho, com personagens horrorosos, um plot terrível e um desenrolar sofrível, mas “parte do seu mundo” me fez entender porque essa autora é tão querida, porque definitivamente é um livro de muito mais qualidade em diferentes aspectos.

Alexis e Daniel são personagens muito bem construídos e com uma evolução bastante prazeirosa de acompanhar. Adultos que mesmo vivendo pela primeira vez experiências incomuns para a sua realidade, agem ainda como adultos. Eles são rodeados por pessoas que nos despertam diferentes sentimentos, desde vontade de arremessar uma banana na cara até dar um abraço tamanha a empatia. É uma história que por mais que seja recheada de páginas e páginas de reflexões dos personagens (já que o livro é narrado em primeira pessoa), não te cansa. É assim que uma autora ganha seu público cativo.

A única ressalva que tenho a fazer para esse livro é que eu to cansada de ler autoras MULHERES que constroem personagens MULHERES sendo as covardes da relação, porque a gente bem sabe muito bem quem costuma ser os covardes nesses casos. Alexis, uma marmanja de quase 40 anos que ainda permitia que os pais decidissem pela sua própria vida foi demais pra mim. Aqui a Bri foi RAINHA de ter acordado a amiga pra cuspir.

No mais, é um livro que entrega o que promete, é um clichezão bem gostosinho de ler e traz o abuso psicológico como tema sem banalizar nem romantizar.

Outros livros que li da autora:

Compre "parte do seu mundo" no meu link afiliado da Amazon clicando aqui

13 de jun. de 2026

 


Tova, uma viúva septuagenária em luto. Marcellus, um polvo-gigante-do-Pacífico que vive em um aquário. Um ensaio sobre como a solidão pode ser transformada e superada com o toque sutil de outra criatura. “Uma cativante e sensível obra de estreia sobre a sensação de ter o amor roubado de si, apenas para reencontrá-lo no lugar mais inesperado… Memorável e delicado.” ― Washington Post “Cada protagonista é profundamente humano, com falhas e excentricidades desenvolvidas com cuidado. Mas o que deixa o romance de Van Pelt mais charmoso e divertido é a amizade carinhosa entre espécies e as formas como Tova e Marcellus tornam um ao outro mais extraordinários e brilhantes.” ― BookPage “Para além da amizade inesperada, o romance de estreia traz uma reflexão completamente original acerca da perda e dos laços que nos motivam a seguir em frente.”

Sinopse da editora



Eu amo embarcar em histórias que dá vontade de viver em um determinado lugar, de conhecer personagens que sequer existem, que nos leva a um sentimento de empatia e compaixão em níveis inimagináveis, e fazia um certo tempo que não sentia tudo isso lendo um livro como foi com "Criaturas extraordinariamente brilhantes". Que livro bom! O filme então... nem se fala! Mesmo com muitas diferenças entre a obra original e a adaptada, ambas levam para uma mesma conclusão, mesmo que seguindo alguns cursos diferentes.

No livro achei que a narrativa conduziu mais o foco no receio de Tova de envelhecer sem nenhuma cia, mesmo sendo rodeada de pessoas que nutriam um enorme e genuíno carinho por ela. Marcellus, por sua vez, era um polvo tão observador quanto no filme, porém no livro ele era um observador mais contemplativo com o comportamento humano em um contexto geral. E Cameron conseguiu ser na obra original um sujeito mais genioso e menos empático. O filme não deixa esse receio de Tova de lado, mas ter focado a narrativa mais na construção da amizade entre Tova e Cameron deixou tudo mais leve, delicado e gentil com a história de ambos. 

Acompanhar a rotina toda doutrinada da Tova nos leva a um sentimento muito aconchegante - de lembrar de uma mãe, de uma avó ou de uma tia com o mesmo jeitinho. Quem nunca conheceu uma senhorinha pequenininha, mas cheia de energia, agilidade e força, na mesma medida que consegue dizer qualquer coisa que pode parecer dura, mas mais assemelha-se a um colo, um cuidado, um acolhimento delicioso de receber? 

E também é impossível não torcer por Cameron, seja ele a versão literária ou do cinematográfica, para que tudo o que dá errado em sua vida seja recompensado por uma notícia boa, um acontecimento dando certo, algo que finalmente arranque um sorriso do seu rosto e lhe devolva a vontade de conquistar alguma coisa na vida.

Enfim, essa é uma história que vou carregar no meu coração, porque terminei a leitura abraçando meu Kindle, terminei o filme com o coração quentinho, pois se tornou meu filme conforto, aquele que a gente coloca pra assistir de novo em um dia ruim, em uma TPM que a gente só quer um lugar quentinho pra ficar quieta ou em uma noite de insônia que a gente precisa de algo pra distrair a cabeça - uma história sobre superação sem romantizar nada, sobre se sentir pertencente à algum lugar, à uma comunidade, de se permitir ser acolhida, querida e amada, é sobre buscar a sua história, sua identidade, e principalmente, sobre entender que a vida pode seguir sem precisar apagar quem nos deixou marcas insuperáveis. 


Resenha completa no meu canal do Youtube:



Pinterest

Instagram

PhD?. Theme by STS.