Ao retomar a ideia de transformação, que neste livro é desenvolvida até seu ponto máximo, Édouard Louis dá continuidade ao projeto que o consolidou como um dos grandes nomes da literatura contemporânea. Dotado de uma voz sensível e cortante, neste romance, autor narra o processo de amadurecimento de Eddy Bellegueule, nascido na classe operária em uma pequena cidade no norte da França, até se transformar, ativamente, em Édouard Louis, escritor de sucesso internacional. Durante esse percurso de amadurecimento somos apresentados aos acontecimentos de sua infância e juventude, acompanhando de que maneira a distância entre Eddy/Édouard e sua família e amigos se faz cada vez mais presente.
Sinopse da editora
Escrevo porque acho que às vezes me arrependo, que às vezes me arrependo de ter me afastado do passado, às vezes não tenho certeza de que meus esforços tenham servido para alguma coisa. Às vezes penso que toda essa luta foi em vão e que fugindo lutei por uma felicidade que nunca obtive.
Conforme fui lendo este livro fui fazendo anotações e mais anotações a cada capítulo que eu me indignava mais e mais com as atitudes de Louis, seus pensamentos terríveis (a parte em que ele fala que não entendia porque a irmã tinha ficado triste por ter sido abusada, pois era algo que ele sonhava que acontece com ele me causou náuseas), mas ao chegar ao epílogo eu baixei a minha bola. Não por ter perdoado as atrocidades que tinha lido, mas por ter me feito refletir sobre várias coisas, vários aspectos e várias situações da minha própria vida.
Veja bem, essas reflexões não me levaram a entender as atitudes e pensamentos do autor, mas me fez entender onde o autor queria chegar nos mostrando a sua pior versão: muitas pessoas perdem tanto tempo da vida tentando se tornarem o que não são e se provarem para certas pessoas que não agregam em nada, que acabam se esquecendo não só das pessoas em volta que verdadeiramente importam, mas também de se tornarem alguém que elas mesmas se sentem confortáveis em ser. A importância que Eddy deu a muitas coisas rasas para o seu objetivo de "mudar" não mudou nada - nem sua condição financeira, nem tão pouco quem ele era de fato.
Eddy continuou pobre mesmo levando uma vida social em meio à burguesia.
Eddy continuou escondendo de quem ele era de verdade mesmo não gostando de ser assim.
Eddy criticou os mais abastados mas fez de tudo para levar a vida como eles.
E ele precisou ir cada vez mais fundo na fuga de sua própria realidade e existência para entender que toda aquela "luta" não valia de nada.
O autor comprova pra mim algo que aprendi a algum tempo que é: se a gente não aprende a se amar, a se sentir confortável dentro da nossa existência, nada será suficiente - nenhum relacionamento, nenhum lugar, nenhuma amizade, absolutamente nada. Não importa quantas pessoas ele conheça, pra quantos lugares ele fuja.
Eu me sinto tão distante dos escritores que contam sua descoberta da literatura pelo amor às palavras e pela fascinação com a visão poética do mundo. Eu não sou como eles. Escrevia para existir.
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