Iatan GM: Metanoia



- Sabe de uma coisa, você tá diferente, eu já nem me sinto mais tão a vontade perto de você. Eu pensei que isso não fosse mudar nada, mas sei lá, eu te acho cada vez mais estranho. Não que essa estranheza me faça gostar menos, porque eu já imaginei que eu estivesse gostando muito menos de você. Digo diferente no sentido de que a gente mal se fala, você quer parecer tão mais maduro do que é por conta de com quem você anda. E detesto que você questiona isso sabe? Mas não se defende nem nada. Apenas teima em me dizer que não mudou nada. Mas mudou.
- Então você me tira de um relacionamento sério, nós ficamos juntos por algumas semanas e então você me dispensa? Fácil assim? Você me fez ex da tua amiga, lembra?
- Claramente. Ainda não me perdoei por isso. A culpa foi tua. Você apareceu e meu fôlego despareceu quando eu vi que vocês juntos conseguiam ser a coisa mais irritante e melosa do mundo. Mas ao mesmo tempo eu não conseguia imaginar vocês separados, pois juntos vocês me faziam feliz. Ela como minha amiga, você como meu amor. Sabe o que é evitar falar pra não engasgar? Foi assim que eu me senti por várias vezes quando estava com vocês.
- Eu não sabia de nada disso. Não sabia que estar com ela já te machucava.
- Mas se soubesse, acho que ainda não faria diferença. Naquele tempo você gostava dela, e ainda acho que hoje você ainda gosta dela. Já te falei que detesto fotografias? Posso contar precisamente quando passei a detestar fotografias?
- Pode. Claro que pode!
- Bem, esse sentimento de desgosto apareceu quando me vi ciente de que as imagens despertavam em mim muitas sensações. Traziam-me lembranças tão reais quanto irritantes. E também porque cada vez que vejo teu rosto e o dele em cada uma das fotos que tenho aqui eu me sinto mal pra caramba. Quando eu vejo uma foto nossa, eu me vejo como ela, e imagino como eu me sentiria mal se alguém te roubasse de mim como eu fiz com ela. Eu quero acabar tudo. Quero me desfazer de tudo que me faz lembrar você, devolver presentes, rasgar fotos...
- Não rasga Melissa. Não rasgue nossas fotos.
- Então leve todas. Não vou aguentar guardar nenhuma comigo.
- Não prende o choro.
- Por quê?
- Porque quando se prende o choro ele dói mais na hora de sair.
- Mas chorar não resolve nada.
- Fingir que está bem quando se quer chorar também não. Só me diz: qual a razão de estarmos terminando?
- A mais justa de todas.
- Você se culpa por ter me tomado dela?
- Completamente. Ela já não fala mais comigo, com toda razão.
- Você fala como se estivesse me obrigando a estar com você.
- E quem garante que não fiz isso?
- Você.
- Não garanto nada. Desde que te conheci não me considero mais responsável pelos meus atos. Embora eu insista que o que fiz foi absolutamente tudo pensando em você, quero que saiba que eu só pensei em mim.
- Então você tá acabando comigo por amor demais?
- Sim. Por amor demais a ti. Por amor demais a mim. Por amor demais a ela. Esse amor superestimado por todos que no fundo não passa de um câncer sem cura, que consome a gente lentamente por dentro. Quero que você volte pra ela.



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