27 de jun. de 2026

 


Era uma vez um casal que, após iniciar a reforma de um apartamento, ficou com uma ideia fixa de decoração para o quarto, inspirados em uma foto de um quarto de hotel que nunca foram na vida. Até que eles encontraram um obstáculo no caminho: o baixo orçamento.

Quem nunca viveu uma história parecida com essa introdução, não é mesmo?

Quando compramos esse apartamento lá em 2021, nós tínhamos um bom gosto e um sonho, só faltava o dinheiro pra fazer tudo do jeito que planejávamos. Então fomos fazendo a reforma do jeitinho que pensávamos enquanto o orçamento deixou, e deixamos alguns detalhes para depois, conforme as possibilidades fossem surgindo. E boa parte dessas coisas deixadas para segundo plano foi em nosso quarto.

Nossa ideia inicial foi inspirada em um quarto de hotel de Paris que vimos em um canal no Youtube de uma arquiteta brasileira super renomada. Ela estava fazendo o conteúdo dela nesse quarto e nos apaixonamos por TUDO que vimos nele. Pintamos o quarto inteiro em um tom muito parecido com o dele, mas nos apaixonamos perdidamente pela cabeceira. Espia só, que coisa linda:




Mas como nem tudo é fácil nessa vida, esse tipo de cabeceira aqui no Brasil não era das mais fáceis de se encontrar para vender pronta, para não dizer impossível. E pesquisando em como fazê-la, nos demos conta que o investimento seria bem alto, pois exigia materiais de alta qualidade por uma questão de durabilidade. E assim fomos deixando essa ideia para algum dia, quando o dinheiro entrasse.

Os anos foram passando e a nossa cabeceira antiga foi incomodando e destoando cada vez mais. Ela era uma cabeceira de capitonê que já estava cheia de manchas e desbotada, mas esse é o registro de quando ela ainda estava em sua boa forma:


E por conta desse incômodo arranjei uma solução paliativa e provisória, com uma capa de linho muito bem feita que encontrei no finado Elo7 (que Deus o tenha), e que quebrou o galho por um tempo.


Até que um belo dia, encaroçando na Tok&Stok, vimos uma cabeceira que fez eu recalcular completamente a rota, e assim até repensar no estilo decorativo que adotaríamos para o quarto no futuro: a fatídica cabeceira amarela.


Só que mais uma vez, o orçamento não permitia um investimento como este, então pensei: e se eu reformasse a cabeceira que eu já tenho? Ela ainda estava boa, só estava feia.

Pesquisei sobre qual era o melhor tecido para fazer este tipo de revestimento, pois precisava resistir ao sol, mesmo que fraquinho, e também que desse uma boa cobertura, sem deixar os botões do capitonê a mostra. Tive ajuda do atendimento online via whatsapp da Wiler, a loja que comprei o tecido, e foi assim que decidi pela cor e material.


A reforma não é difícil, só requer um pouco de jeito a quatro mãos: coloquei a cabeceira deitada no chão da sala com o tecido embaixo, grampeei todo um lado, e nas outras bordas, pedi para o marido ir puxando bem enquanto eu grampeava o restante. É importante que o tecido fique bem esticadinho por motivos óbvios né?

E o resultado da reforma foi esse:


Eu amei a combinação do azul com o amarelo, e a ideia agora é transformar essa decoração em algo inspirado no estilo Bauhaus. Faltam alguns poucos itens para deixar a decoração 100% do jeito que repensamos - uns quadros em cima da cabeceira já vão garantir um bom resultado, e os outros itens como o espelho e a porta no closet fazem parte mais da estrutura do que da decoração, então... estamos chegando lá.

Mas você pensa que acabou? Claro que não! Eu ainda não estava contente com a luminária na minha mesa de cabeceira e nem com a roupa de cama, já que eu tinha visto essa inspiração no Pinterest e fiquei apaixonada:


Tinha visto várias outras inspirações que combinavam o vermelho e o azul claro com o amarelo e fiquei com um hiperfoco danado. Aí ganhei de presente da minha mãe as fronhas maravilhosas que encontrei na Maru e tudo ganhou mais cor. Troquei a luminária do quarto pelo do escritório e o resultado foi esse:


Vocês acham que eu tô apaixonada sim ou com certeza?

Eu fiz um video nas minhas redes sociais contando toda a saga da cabeceira. Para conferir é só clicar aqui.

17 de jun. de 2026

 




Depois de fazer uma aposta e conhecer uma cabrita de pijama, o mundo aparentemente perfeito de Alexis Montgomery virou de cabeça para baixo. A causa: Daniel Grant, um carpinteiro sexy dez anos mais jovem que ela – o completo oposto da sofisticada mulher da cidade grande. Ainda assim, a química entre eles é inegável.

Parte de uma família rica de renomados cirurgiões, Alexis não está interessada em glória e fama. Ela está feliz com sua profissão de médica socorrista e não deseja perpetuar o legado dos pais. E, a cada minuto que passa com Daniel em sua cidadezinha, ela descobre o que realmente importa.

Porém, deixar que o relacionamento deles se torne algo mais do que apenas uma aventura significaria dar as costas para sua família e abandonar a oportunidade de ajudar milhares de pessoas.

Permitir que Daniel faça parte de seu mundo é impossível, mas ela também não quer desistir da felicidade que encontrou nos braços dele. Com tantas diferenças entre eles, como Alexis pode escolher entre seus dois universos?

Sinopse da editora

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Minha primeira experiência com a Abby Jimenez foi tenebrosa - li “apenas amigos” e achei um livro enfadonho, com personagens horrorosos, um plot terrível e um desenrolar sofrível, mas “parte do seu mundo” me fez entender porque essa autora é tão querida, porque definitivamente é um livro de muito mais qualidade em diferentes aspectos.

Alexis e Daniel são personagens muito bem construídos e com uma evolução bastante prazeirosa de acompanhar. Adultos que mesmo vivendo pela primeira vez experiências incomuns para a sua realidade, agem ainda como adultos. Eles são rodeados por pessoas que nos despertam diferentes sentimentos, desde vontade de arremessar uma banana na cara até dar um abraço tamanha a empatia. É uma história que por mais que seja recheada de páginas e páginas de reflexões dos personagens (já que o livro é narrado em primeira pessoa), não te cansa. É assim que uma autora ganha seu público cativo.

A única ressalva que tenho a fazer para esse livro é que eu to cansada de ler autoras MULHERES que constroem personagens MULHERES sendo as covardes da relação, porque a gente bem sabe muito bem quem costuma ser os covardes nesses casos. Alexis, uma marmanja de quase 40 anos que ainda permitia que os pais decidissem pela sua própria vida foi demais pra mim. Aqui a Bri foi RAINHA de ter acordado a amiga pra cuspir.

No mais, é um livro que entrega o que promete, é um clichezão bem gostosinho de ler e traz o abuso psicológico como tema sem banalizar nem romantizar.

Outros livros que li da autora:

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13 de jun. de 2026

 


Tova, uma viúva septuagenária em luto. Marcellus, um polvo-gigante-do-Pacífico que vive em um aquário. Um ensaio sobre como a solidão pode ser transformada e superada com o toque sutil de outra criatura. “Uma cativante e sensível obra de estreia sobre a sensação de ter o amor roubado de si, apenas para reencontrá-lo no lugar mais inesperado… Memorável e delicado.” ― Washington Post “Cada protagonista é profundamente humano, com falhas e excentricidades desenvolvidas com cuidado. Mas o que deixa o romance de Van Pelt mais charmoso e divertido é a amizade carinhosa entre espécies e as formas como Tova e Marcellus tornam um ao outro mais extraordinários e brilhantes.” ― BookPage “Para além da amizade inesperada, o romance de estreia traz uma reflexão completamente original acerca da perda e dos laços que nos motivam a seguir em frente.”

Sinopse da editora



Eu amo embarcar em histórias que dá vontade de viver em um determinado lugar, de conhecer personagens que sequer existem, que nos leva a um sentimento de empatia e compaixão em níveis inimagináveis, e fazia um certo tempo que não sentia tudo isso lendo um livro como foi com "Criaturas extraordinariamente brilhantes". Que livro bom! O filme então... nem se fala! Mesmo com muitas diferenças entre a obra original e a adaptada, ambas levam para uma mesma conclusão, mesmo que seguindo alguns cursos diferentes.

No livro achei que a narrativa conduziu mais o foco no receio de Tova de envelhecer sem nenhuma cia, mesmo sendo rodeada de pessoas que nutriam um enorme e genuíno carinho por ela. Marcellus, por sua vez, era um polvo tão observador quanto no filme, porém no livro ele era um observador mais contemplativo com o comportamento humano em um contexto geral. E Cameron conseguiu ser na obra original um sujeito mais genioso e menos empático. O filme não deixa esse receio de Tova de lado, mas ter focado a narrativa mais na construção da amizade entre Tova e Cameron deixou tudo mais leve, delicado e gentil com a história de ambos. 

Acompanhar a rotina toda doutrinada da Tova nos leva a um sentimento muito aconchegante - de lembrar de uma mãe, de uma avó ou de uma tia com o mesmo jeitinho. Quem nunca conheceu uma senhorinha pequenininha, mas cheia de energia, agilidade e força, na mesma medida que consegue dizer qualquer coisa que pode parecer dura, mas mais assemelha-se a um colo, um cuidado, um acolhimento delicioso de receber? 

E também é impossível não torcer por Cameron, seja ele a versão literária ou do cinematográfica, para que tudo o que dá errado em sua vida seja recompensado por uma notícia boa, um acontecimento dando certo, algo que finalmente arranque um sorriso do seu rosto e lhe devolva a vontade de conquistar alguma coisa na vida.

Enfim, essa é uma história que vou carregar no meu coração, porque terminei a leitura abraçando meu Kindle, terminei o filme com o coração quentinho, pois se tornou meu filme conforto, aquele que a gente coloca pra assistir de novo em um dia ruim, em uma TPM que a gente só quer um lugar quentinho pra ficar quieta ou em uma noite de insônia que a gente precisa de algo pra distrair a cabeça - uma história sobre superação sem romantizar nada, sobre se sentir pertencente à algum lugar, à uma comunidade, de se permitir ser acolhida, querida e amada, é sobre buscar a sua história, sua identidade, e principalmente, sobre entender que a vida pode seguir sem precisar apagar quem nos deixou marcas insuperáveis. 


Resenha completa no meu canal do Youtube:



28 de mai. de 2026

 



Kristen é uma mulher prática. Não faz drama nem joguinhos e não tem paciência para caras que não entendem seu humor afiado. É muito sincera, mas guarda um grande segredo: aos 24 anos, terá que passar por um procedimento médico que a impedirá de engravidar para sempre.

Por isso, planejar o casamento da melhor amiga é uma experiência agridoce – especialmente quando ela conhece o padrinho, Josh, um bombeiro sexy do tipo que estamparia calendários. Josh é fofo, engraçado, não se ofende com o sarcasmo dela… e ainda tem malditas covinhas. Até Dublê Mike, o cachorrinho invocado de Kristen, o adora.

O único problema é que Josh cresceu numa família enorme, com seis irmãs, e também quer ter muitos filhos um dia. Kristen sabe que Josh estaria melhor com outra pessoa. Ela não quer se envolver romanticamente, então propõe uma amizade colorida. Mas até quando seu coração manterá esse acordo?

Livro de estreia de Abby Jimenez, Apenas amigos? nos faz rir e chorar enquanto retrata a infertilidade e a perda de um jeito irreverente, sensível e apaixonante.

Sinopse da editora

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Passei anos ouvindo falar muito bem de Abby Jimenez e encontrei “Apenas amigos” recentemente disponível no Kindle Unlimited, e foi assim que resolvi conhecer o trabalho da autora e me deparei com um dos livros mais enfadonhos que já li na vida. 

A começar pela sinopse mentirosa que você possivelmente leu aí logo acima. Kristen não é uma mulher NADA prática. Ela faz drama e joguinhos SIM, e se ela não tem paciência para caras que não entendem humor afiado, eu que não tive paciência alguma para essa personalidade construída pela autora. Pensa em uma protagonista INSUPORTÁVEL, e que obviamente tem ali suas problemáticas que seriam solucionadas com uma simples e madura conversa, mas se tem outra coisa que não tenho paciência alguma, é para livro que inventa um problema qualquer só para ter história, sendo que existem no mundo milhares de problemas mais convincentes para se colocar em uma história.

Agora vamos falar de Josh, um cara que gosta dela e que eu teria medo de tão sufocante. Um personagem que é fofo até a página 2, porque além de ter 0 amor próprio, também é um cara que não dá espaço. Me incomoda autoras romantizarem tantas problemáticas neste tipo de comportamento, principalmente quando o cara quer fazer tudo por uma mulher como se ela fosse uma incapaz.


E para finalizar, este livro tem um plot tão desnecessário que pesa completamente o clima. Você lê aquele desfecho se perguntando o tempo todo "PRA QUE? POR QUE?". Fora que o final da história é tão corrido que te faz questionar o motivo pelo qual você decidiu perder seu precioso tempo lendo aquilo.

Minha nota pra esse livro é dó


Outros livros que resenhei da autora:

19 de mai. de 2026

 



Apesar de parecerem viver vidas opostas, Winona e Lucille têm mais em comum do que muitos acreditam: se sentem impotentes, injustiçadas e traídas por quem deveria protegê-las.

Lucille trabalha há anos na lanchonete com a mãe, sempre pensando na nova vida que tanto deseja quando se formar no ensino médio. Mas, sempre que junta dinheiro para esse sonho, precisa pagar uma conta ou consertar algo… geralmente culpa do irmão mais velho, o protegido da mãe que vive arrumando desculpas para não trabalhar e que, além de não ajudar, começou a traficar debaixo do teto delas.

Já Winona vive numa mansão e tem roupas, acessórios e carros de luxo. Entretanto, tudo é escolhido e controlado pelo pai desde que a mãe dela morreu, dez anos antes. Winona não pode comer na hora errada, falar na hora errada nem pensar quando não deve. Seu pai é calculista e conhece tudo e todos, fechando um cerco sufocante ao redor da filha.

Numa noite, elas percebem que não podem mais esperar a formatura para começar a viver a vida que tanto sonham. Munidas apenas com um plano grandioso para escapar da cidadezinha do interior de uma vez por todas, elas só precisam arrumar alguns — muitos — dólares… e um conversível vermelho também não seria má ideia.

Quando Winona e Lucille finalmente dão um basta, despejam toda a fúria que sentem na estrada, a caminho de uma vida nova.

Sinopse da editora

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A volta de Emily Henry, dessa vez acompanhada por Brittany Cavallaro traz uma história bem estilo Thelma & Louise que só vai funcionar se você se desprender de qualquer apego pela realidade - é uma história pra você se divertir, terminando cada capítulo com um “até parece”, bem o que a gente fazia com os filmes dos anos 1980 e 90 mesmo.

Enquanto Winona quer sair de casa para fugir da violência e controle do pai famoso, Lucille tem o mesmo objetivo com o intuito de se desvincular da vida caótica de sua família. A amizade das duas nasceu depois que ambas sofreram violência doméstica, e viram uma na outra a confiança e acolhimento que nunca tiveram em outra pessoa na vida.

Embora isso tenha um peso bastante denso para a história, não espere nenhuma reflexão - é uma trama única e exclusivamente para você se deixar levar na aventura de duas adolescentes que estão fazendo uma besteira atrás da outra ao longo dessa jornada. E tá tudo bem também, nem todo livro precisa ter um propósito profundo, e tem dias que a gente precisa mesmo é de uma trama como essa para dar umas risadas e se esquecer dos inúmeros problemas que a vida real já nos proporciona.

A única coisa que me incomodou um pouco no início do livro, e que percebi que no decorrer dos capítulos as autoras deram uma segurada, foi o uso excessivo da palavra "literalmente", que mesmo usada corretamente dessa vez (americanos têm o costume de usar literalmente pra tudo como se fosse vírgula e de forma errada, e infelizmente os brasileiros estão pegando essa mesma mania), ainda tenho minhas limitações em aceitar todas as frases com a presença dela como se fosse "bom dia". 

Eu me diverti bastante, foi uma leitura na hora certa (precisava me entreter com algo despretensioso mesmo), e sugiro que você não crie expectativa nenhuma durante a sua leitura - assim você se divertirá tanto quanto eu.

Agora vou assistir Thelma & Louise para fazer um comparativo no meu próximo vídeo do Youtube. Atualizo esse post logo mais com o link aqui embaixo.

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Outros livros de Emily Henry que já resenhei:



27 de abr. de 2026






Diane sempre sonhou com pouco: um marido, dois filhos, um trabalho que lhe fizesse sentido — mais do que jamais se permitiu desejar. Mas, no dia em que Seb a deixa, seu mundo desaba. Entorpecida pela dor, ela não percebe o outro silêncio que cresce ao seu redor: no quarto em frente, o riso de Lou se apaga.

Aos dezesseis anos, Lou sofre o tumulto da adolescência e o impacto do primeiro amor perdido, uma perda que lhe arranca mais do que lágrimas. Quando Diane finalmente se dá conta, está disposta a tudo para resgatar a filha, mesmo que isso signifique revisitar um passado do qual tentou escapar.

Mãe e filha caminham sobre um fio tênue, entre o que foi e o que pode ser. Sob seus passos, o turbilhão da vida ruge, e ameaça arrastar consigo as suas horas mais frágeis.

Sinopse da editora

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"Acho que é parte do pacote. Nasci com o kit "sentir tudo mais forte". A tristeza, a alegria, mas também os sons e a dor física. Tenho sentidos de super-herói. Ouço o menor barulho e fico presa dentro dele. Sempre abaixo o volume da música ambiente e me sinto perdida quando várias conversas estão rolando ao mesmo tempo. Sou capaz de matar alguém mastigando de boca aberta perto do meu ouvido. Barulho de motor me impede de dormir. Em casa, à noite, uso protetores auriculares para não ouvir a vida dos vizinhos. Aqui, descobri o silêncio. Também sou sensível à luz. Uso óculos de sol, senão meus olhos ardem. Filmes em 3D  me deixam enjoada e alguns jogos de vídeo game me causam vertigem."





Mais um livro de Virginie Grimaldi finalizado, sempre suspirando com o tamanho da delicadeza que essa mulher tem de contar histórias, que te prendem do começo ao fim, cada livro a sua maneira, cada história de um jeito que te toca em um lugar diferente.

As horas frágeis vem de um lugar muito importante na vida da autora: ela conta que todos os sentimentos, os barulhos do mundo altos demais escutados por Lou fizeram parte também da sua realidade na juventude. Eu sei bem como é esse volume, e ele foge totalmente do nosso controle em regular a intensidade dentro da gente.

E justamente por me identificar muito com o tema que senti falta de algo. Um aprofundamento melhor dos personagens, seja da protagonista, seja dos coadjuvantes que cercaram a Lou em grande parte da história.

Achei o livro meio corrido - não senti que as histórias da Diane e da Lou foram construídas de maneira convincente. Senti falta de ter mais conexão com as personagens: de conhecer mais a fundo a personalidade da Diane e o processo de terapia da Lou de maneira mais detalhada. Se a autora tivesse se aprofundado no processo terapeutico de Lou, o livro teria um acolhimento ainda maior para quem se identifica com a personagem. Sei que isso exige estudo com profissionais qualificados, mas seria uma coisa que Virginie tiraria de letra. 

Queria ter visto mais na juventude da Diane. Senti que a autora ficou preocupada demais em construir o plot, e por isso foi necessário esconder muitas coisas que não entregasse a surpresa que ela queria entregar. Mas o foco na narrativa deixou o enredo um pouco precário, e é justamente aqui que jogo a culpa por não ter me conectado com ela.

A Lou também merecia um tempo a mais de contato com seus novos amigos para justificar tamanho apego. Podemos encarar a identificação dela com os outros como a justificativa para esta conexão instantânea, mas, para mim, não foi trabalhada o suficiente para me convencer. 

Enfim, eu gostei, mas não amei. Esse é o único livro da autora que não dei 5 estrelas (mas dei 4).


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